01/02/2012 - A arte de ouvir
“Tu és senhor do teu silêncio e dono da tua palavra.” Provérbio Romano
O mundo contemporâneo dá valor às pessoas que têm a capacidade de se comunicar. São aqueles que emitem opiniões, expressam suas ideias e articulam com facilidade sobre os mais diversos assuntos. Nos encontros sociais conseguem se posicionar e, independente das reações dos ouvintes, obtêm algum tipo de conexão com os interlocutores. É inegável que na esfera do trabalho, dos negócios e do cotidiano, o “bom comunicador” conquista um lugar ao sol, estabelecendo alianças e se socializando com os demais membros do grupo.
Há uma percepção crescente de que o indivíduo reservado, introspectivo e quieto: aquele que mais escuta do que interage com os outros, vai perdendo pontos em uma sociedade que premia os seres “descolados” e extrovertidos. Nosso dia a dia profissional nos obriga a estabelecer relações com outras pessoas. É a ética do “comunicar-se ou morrer”.
Nesse cenário há uma percepção de que “quanto mais falamos e externamos nossas ideias, mais poder obteremos com as pessoas que nos relacionamos”. No momento da conversação esse processo fica tão condicionado que esquecemos de dar a devida atenção ao que nossos interlocutores estão falando. Então, “atropelamos” o diálogo e não ouvimos as opiniões dos demais.
É por esse motivo que, atualmente, a “arte de ouvir” é rara entre as pessoas. Na ansiedade por expressar nossos pontos de vista, esquecemos que do “outro lado da linha” existe alguém que precisa e quer ser ouvido. Ficamos focados na nossa proposta de comunicação e não percebemos as partes importantes do assunto tratado pelo interlocutor. Ao desconsiderar a fala do outro, trechos importantes da conversa não são assimilados e desperdiçamos parte relevante da informação.
Durante uma conversa, quando você se silencia e escuta o outro de maneira focada, envia uma mensagem que é interpretada positivamente pelo receptor: “ele me ouve, valoriza as minhas ideias, respeita e me considera como indivíduo”. Quando interrompe alguém, você subliminarmente diz: “eu não me importo com que você fala, não estou interessado nas suas palavras: as minhas opiniões são as que importam”.
O diálogo só acontece se houver a interação efetiva de pelo menos dois participantes que alternam emissão e recepção de mensagens. Isso significa que há momentos diferentes para falar e dar ouvidos a alguém. Um vendedor competente, antes de propor uma solução comercial, precisa escutar quais são as necessidades dos clientes; um diagnóstico médico depende da capacidade do doutor ouvir seus pacientes antes da prescrição dos medicamentos; em uma entrevista de emprego, o empregador deve se concentrar nas argumentações do candidato à vaga. Nas corporações faltam líderes que “deem ouvidos” aos seus colaboradores.
Especialistas em diversas áreas do conhecimento são unânimes em afirmar que “ter informação é ter poder”. Se quisermos influenciar e interagir com eficácia com as pessoas, precisamos aprender uma lição: falar muito, mas ouvir mais, muito mais.
Marcos Gross Scharf
Diretor da McGross – treinamento e consultoria
Mestre e especialista em Gestão de Comunicação
mcgross@uol.com.br


