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05/09/2008 - Erros de português podem prejudicar seu trabalho

 

Erros de portuguêsCertamente você já se deparou, em seu ambiente de trabalho, com frases do tipo: “pra mim fazer”, “vou estar saindo”, “fazem cinco anos”, “vimos por meio desta informar que…”. Pois saiba que erros de português são bastante comuns e diversas empresas já buscam formas de resolver ou diminuir este problema.

Neste momento, você pode estar se perguntando (sim, aqui o gerúndio pode ser utilizado): por que uma empresa deve se preocupar com a forma como um colaborador se expressa? Além de impactar no entendimento de uma ordem, no fechamento de um contrato ou no entendimento de um relatório, o uso incorreto da língua traz prejuízos para a imagem da organização.

“Quem lê algo escrito errado imagina que a empresa é descuidada com a sua comunicação, e descuida também ao permitir que alguém que escreva errado seja contratado. Se a pessoa exercer um cargo gerencial, então, é pior ainda”, explica o professor João Jonas, que ministra a Oficina Corporativa da Língua Portuguesa – curso que visa a melhorar a qualidade de comunicação de empresas, promovido pela Editora Segmento.

“Em uma reunião comercial, se a pessoa apresentar um português ruim, se ela não perder o negócio, vai arranhar a imagem da empresa”, alerta.

Para o professor, o problema não está apenas nos erros. “Várias empresas abusam dos clichês. O texto parece um carimbo: muitas vezes, só mudam o nome. Isso massifica a relação, seja com o cliente ou com o funcionário. Quanto mais pessoal for o texto, mais a empresa mostra o quanto aquele relacionamento é importante para ela”, explica.

Em algumas profissões, o português correto é mais exigido, sem dúvidas. Não dá para imaginar, por exemplo, erros cometidos por alguém que trabalhe na Comunicação de uma empresa – assim como é proibido para alguém da área Comercial ou de Atendimento fazer mau uso da língua portuguesa. “Para essas vagas, na hora de uma entrevista, o profissional de RH avalia o domínio do idioma. E erros não costumam ser perdoados”, explica Cristina Urbani, coordenadora de RH do Hospital do Coração, em São Paulo – uma das empresas que já ofereceram o curso do professor João Jonas a seus funcionários.

“Alguns poucos erros são aceitáveis, sim, pois o recrutador considera o nervosismo do candidato. Nessa hora, o profissional de RH avalia também como o candidato se comporta quando submetido a situações de pressão”, complementa Gláucia Santos, consultora de RH da Catho.

Quais os erros mais comuns?

Para o professor, as pessoas erram mais as conjunções e conectivos que estabelecem relações de causa, conseqüência, conclusão e comparação. “Por exemplo: as pessoas costumam usar o ‘mas’ para fazer uma conclusão ou o ‘onde’, que só deve ser usado para indicar um lugar”, explica. Jonas alerta também para o uso da vírgula, que muita gente considera como uma pausa para respirar. “Isso é uma lenda. Vírgula é uma questão de lógica. Não usá-la corretamente pode impossibilitar o entendimento de uma frase.”

Erros recorrentes podem indicar que a pessoa tem dificuldades em se expressar ou concluir um raciocínio. “Se a pessoa não consegue pensar de forma coerente, terá dificuldades em produzir um texto coerente.” Para o professor, não é questão de escrever bonito ou feio, trata-se de expor com clareza o que se pensa.

Dentro das empresas, em especial, muita gente acha que escrever difícil é correto. “Um texto prolixo sugere que a pessoa é enrolada, e pode soar pedantismo. Quanto mais simples e claro um texto, melhor.” Como dica, o professor sugere tentar substituir as palavras de difícil compreensão por outras mais simples.

E Jonas ainda cita o uso do “economês”, que faz sentido apenas para um público específico, das gírias, que devem ser evitadas no ambiente corporativo, e das frases evasivas ou genéricas. Quer um exemplo? “Compareça urgente à Contabilidade”. Afinal, o que é urgente para um pode não ser para o outro. Neste caso, use “Compareça em 20 de agosto, às 14h30, à Contabilidade”.

Outra recomendação importante para se expressar melhor é ler com mais freqüência. Apesar de ser uma idéia bastante simples e comum, é fato que quem tem o hábito de consumir livros, jornais e revistas escreve melhor e amplia o seu vocabulário.

Lídia Cunha Felipe dos Santos, secretária da diretoria médica no Hospital do Coração, que foi aluna do curso do professor João Jonas, acredita que, apesar de o tempo ser curto, as pessoas devem procurar reler o texto, pedir ajuda ou recorrer a um dicionário sempre que houver dúvida. “Não há problema algum em pedir auxílio para o seu colega. É muito melhor fazer isso que enviar um texto com erros”, observa. “Hoje em dia, todos têm dado muita importância para o inglês e outras línguas, mas se esquecem do português.”

E foi por uma adaptação do inglês que, segundo especialistas, surgiu o gerundismo. O que dizer desse modismo, que além de feio denota falta de comprometimento e cria uma noção errada de futuro? “Quanto mais assertivo, melhor. Em vez de dizer ‘Vamos estar entregando o relatório’, diga ‘Entregaremos o relatório’”, orienta o professor.

Teste seus conhecimentos

Quer saber como está o seu português? A seguir, aproveite para responder o teste enviado pelo professor Jonas:

Na Comunicação Corporativa, é muito comum encontrarmos alguns equívocos com relação à linguagem. Observe as frases abaixo e indique a única em que não ocorre qualquer transgressão.

A) Caso se faça necessário maiores esclarecimentos.
B) Durante a reunião, os gerentes interviram.
C) Quando você encontrar a secretária, avise-a de que preciso dos documentos.
D) O diretor-geral informou ao gerente que a reunião seria em sua sala.
e) O departamento enviará o projeto a todos, e o mesmo corrigido ainda hoje.

Resposta correta: C

COMENTÁRIOS SOBRE AS ALTERNATIVAS:

A) Há um erro de concordância: “caso se façam necessários…esclarecimentos”, e o vocábulo “maior” é inadequado ao contexto, pois ele deve ser empregado na indicação de tamanho e/ou intensidade. O ideal seria o emprego do vocábulo “mais”.

B) O verbo foi conjugado de forma inadequada: o correto é “intervieram”. A forma verbal intervir é conjugada como vir: “os gerentes vieram, por isso intervieram.”

C) O verbo “avisar” pede um complemento sem preposição, ou seja, avisar alguém de algo (avise-a) e um complemento com preposição (de que preciso dos documentos).

D) A frase é ambígua, pois não fica claro se a reunião é na sala do diretor ou na do gerente.

E) O vocábulo “mesmo” não funciona como substantivo, por isso não pode substituir um nome: o mesmo. Esse vocábulo deve ser empregado como pronome adjetivo (“o mesmo relatório”) ou como advérbio (“ele entregou mesmo o projeto”).

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