14/03/2011 - O lazer na carreira
Muitos executivos se preocupam tanto com o trabalho e com a carreira que acabam esquecendo de dedicar um tempo do seu dia para o lazer. Para obter e manter o sucesso profissional, é fundamental ter corpo são e mente sã! De que adianta ser um ótimo profissional, mas não ter condições fÃsicas ou psicológicas para trabalhar e mostrar suas qualidades? Para estar em perfeitas condições, é essencial dedicar um tempo ao lazer.
Não importa de que maneira você relaxa. Pode ser lendo um bom livro, conversando com os amigos, passeando com a famÃlia, praticando um esporte ou assistindo a um filme.
Para o gerente executivo de Recursos Humanos do Hospital Albert Einstein, Mário Angelino Filho, o lazer é fundamental na carreira de um executivo. “A pessoa deve dedicar um tempo para o lazer na sua vida para produzir melhor no seu trabalho’, opina. Ele explica que, quando não existe um equilÃbrio entre lazer e trabalho, as pessoas tendem a passar por problemas de saúde e, neste caso, a carreira de um bom profissional pode até chegar ao fim.
VOCÊ CONTRATARIA UM WORKAHOLIC?
O ideal é dedicar de três a cinco horas semanais para exercÃcios fÃsicos, e o tempo do final de semana deve ser totalmente focado para o descanso e a diversão. Angelino afirma ser notável a diferença entre um funcionário descansado e um estressado, na maioria das vezes esse estresse é causado por excesso de trabalho e falta de lazer. “O funcionário que chega ao escritório, na segunda-feira, depois de um bom final de semana, com certeza vai produzir muito mais do que aquele que não descansou”. Ele complementa dizendo que o funcionário que dedica parte do seu tempo ao lazer fica mais equilibrado, bem-humorado e atualizado com o que acontece ao seu redor. “O excesso de rotina e a falta de diálogo também podem levar ao estresse. Não existe maneira melhor de descansar do que bater um bom papo com os amigos”, diz o gerente executivo.
“É claro que, durante o expediente, o executivo não vai ficar brincando ou descansando, mas se conseguir fazer do seu trabalho um prazer e tentar encarar os problemas com um pouco de otimismo, com certeza vai se cansar menos ao final do dia”, esclarece Angelino.
Na opinião dele, o funcionário ideal não é um workaholic, um viciado em trabalho. “Defino workaholic como aquela pessoa que coloca sempre seu trabalho em primeiro plano, entre todas as outras coisas da sua vida. De tanto pensar na carreira, esta pessoa acaba perdendo o controle de vários aspectos importantes, como famÃlia, amigos , lazer, e pode acabar se prejudicando. Na minha opinião, o workaholic não é o funcionário ideal”.
Para ele, o funcionário ideal é justamente aquele que consegue priorizar sua carreira sem esquecer dos outros aspectos da sua vida, aquele que desempenha bem seu papel profissional sem considerar sua carreira a única coisa que importa na vida. “Hoje, algumas empresas exigem tempo demais de trabalho dos seus funcionários. Depois de 12 horas seguidas trabalhando, com certeza a produção de qualquer atividade fica comprometida”, acrescenta.
Mário Angelino Filho conclui que, quem pensa em trabalhar demais só para impressionar seu superior pode estar fazendo a coisa errada. “Uma coisa é trabalhar bem, outra é trabalhar demais’, esclarece. Para ele, o perfil do workaholic, que só pensa em seu trabalho e ultrapassa os limites, pode até passar uma boa impressão num primeiro momento, mas com certeza, depois de algum tempo, a queda na produtividade fará com que seu superior se arrependa de ter contratado tal funcionário.
O excesso de trabalho pode trazer, além de problemas fÃsicos, problemas de relacionamento dentro da empresa. “O funcionário acaba estragando o que poderia ser uma boa oportunidade de carreira justamente pelo excesso”, ilustra. Para evitar isso, cada um deve descobrir qual é o seu limite de produção no trabalho, tentando não ultrapassá-lo nunca. É importante manter o equilÃbrio para manter a qualidade da produção. Para Angelino, “conhecer e admitir até onde se pode chegar é a chave do sucesso da carreira de um profissional”.
EXAGEROS
Ser workaholic não está na moda e não é um ponto positivo no histórico profissional de ninguém. Gostar da profissão não significa cometer excessos. Dedicar-se 15 horas por dia ao trabalho pode ser visto até como defeito. “Acho que viciado em trabalho, ou workaholic, pode ser uma pessoa ambiciosa, impaciente e até desequilibrada. Nunca considerei que gostar muito de trabalhar fosse sinônimo de vÃcio por trabalho”, diz o especialista em Recursos Humanos.
E para as mulheres, a atenção quanto ao tempo dedicado ao lazer no dia-a-dia deve ser redobrada. As mulheres têm uma tendência maior a ficarem estressadas do que os homens, principalmente por motivos de trabalho. “A mulher vem conseguindo cada vez mais espaço no mercado de trabalho, mas para conseguir se destacar, ela tem sua competência testada a todo instante, e é comparada a profissionais do sexo masculino durante toda a sua carreira”, justifica Angelino. Pessoas com menos de 35 anos também sofrem mais de estresse, principalmente aquelas mais jovens, que estão entrando no mercado de trabalho. A possibilidade de perder uma oportunidade faz com que elas se cobrem e se dediquem demais, o que acaba levando ao estresse.
A capacidade profissional do executivo já está submetida a tanta pressão normalmente que é imprescindÃvel que ele dedique um tempo do seu dia ao lazer. No livro “A corrosão do caráter”, o autor Richard Sennett afirma que “uma das principais causas do estresse no trabalho é a mudança constante de emprego a que os profissionais têm que se submeter hoje em dia. Hoje, as pessoas trocam de empregos, no máximo, a cada três ou quatro anos e, cada vez que enfrentam um ambiente de trabalho novo, se deparam com uma situação de estresse. A constância dessa sensação gera um perfil estressado”. No livro aparecem ainda dados de pesquisas que mostram que as pessoas chegam a mudar 10 ou 11 vezes de emprego e duas ou três vezes de área de trabalho. “O processo constante de adaptação pode mesmo levar ao estresse”, concorda o gerente executivo de Recursos Humanos do Hospital Albert Einstein, Mário Angelino Filho.
MAS AFINAL, O ESTRESSE É UMA DOENÇA?
“Não. O estresse é um sinal que o organismo dá de que algo não está indo bem. É como um alerta emergencial que surge diante de uma situação de ansiedade, tensão, medo ou pressão”, explica o médico Carlos Roberto Sartori. O estresse não é uma doença, mas pode causar vários problemas ao organismo. “Falamos que uma pessoa está estressada quando ela manifesta alarmes de estresse com muita freqüência, o que pode causar doenças mais sérias, como problemas cardiovasculares, hipertensão, infarto, problemas estomacais, acidentes vasculares cerebrais e distúrbios de comportamento”, complementa o médico.
Aquela visão de que uma pessoa só fica estressada quando está trabalhando é errada. Mesmo pessoas com uma vida aparentemente tranqüila podem ficar com estresse, justamente pelo excesso de rotina. Como uma das causas do estresse é a falta de lazer e de diversão, qualquer pessoa pode ficar estressada.
Portanto, cuidado! Pare e pense: você dedica quantas horas por semana ao lazer?
Se sua resposta foi quase nenhuma ou menos de doze, sem contar os finais de semana, fique atento e mude seu hábito de vida o mais rapidamente possÃvel. Sartori dá as dicas de como prevenir que o estresse se torne uma doença:
No mundo onde vivemos, muitas pessoas costumam ter problemas de estresse por causa de dÃvidas, medo da violência, competição no trabalho, prazos e até mesmo o uso indevido de alguns medicamentos. Para Sartori, “a própria sociedade em que vivemos já é causadora de ansiedade. Imagine isso somado aos problemas individuais que todos têm?”
E como uma pessoa sabe que está tendo problemas de saúde relacionados com estresse? Os sintomas mais comuns são:
TRATAMENTO PARA O ESTRESSE
Quando identificado o problema, o tratamento pode ser feito com a ajuda de drogas ansiolÃticas ou anti-estressantes, que controlam a ansiedade. É importante também, durante o tratamento, a prática de atividades fÃsicas e uma dieta alimentar rica em frutas e cereais e com restrição à carne vermelha. “Mas o mais importante”, ressalta, “é que o paciente seja submetido a um processo terapêutico para que mude seu estilo de vida”. Em alguns casos, é necessário mudar de emprego ou de cidade para se livrar do estresse.
Carlos Roberto Sartori teve uma experiência interessante. “Tratei uma vez de um paciente, na Santa Casa de São Paulo, que tinha crises de hipertensão causadas pelo estresse. Era um executivo, com um cargo alto na IBM. Ele teve que ficar internado por mais de três meses, com sua pressão monitorada a cada minuto, para que não sofresse um infarto. A solução, depois deste tratamento intensivo, foi abandonar o emprego e mudar seu estilo de vida. Sabe o que ele faz hoje? É atleta, e corre todos os anos na Corrida de São Silvestre!”.
ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES
Causas do estresse:
Maneiras de prevenir o estresse:
Experimente perguntar-se ao acordar: “Qual a motivação para este meu dia de trabalho?” Um dos mais importantes exercÃcios para combater o estresse diário é saber qual a sua motivação para executar uma tarefa, das mÃnimas até as maiores.
Meditação: é importante reservar pelo menos cinco minutos diários para se sentar em silêncio. Preste atenção na sua respiração, depois preste atenção nos seus pensamentos sem julgá-los, como se fossem ondas nos oceanos. Esse exercÃcio oferece uma oportunidade para que a mente descanse alguns minutos por dia.


