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24/08/2012 - André Rapoport: vice-presidente de Recursos Humanos do Grupo Sanofi

Autor: Samara Teixeira

Andre RapoportCom uma vasta carreira em Recursos Humanos, André Rapoport, vice-presidente de RH do Grupo Sanofi, conta sobre o Programa Acelere Sanofi, que iniciou suas atividades no dia primeiro de agosto deste ano. Formado em Economia pela PUC- SP, e com experiências em empresas como Credicard e Oracle, ele explica o motivo da criação deste programa e sua aplicabilidade.

Rapoport ingressou na Sanofi em 2005 como diretor de RH e, hoje, é responsável por toda América Latina. Com uma visão humanística o Grupo desenvolve outros programas de desenvolvimento como o “Autogestão de Carreira”.

O Acelere Sanofi é um programa diferenciado que promove o desenvolvimento acelerado da carreira de jovens profissionais com visão de futuro para contribuir de maneira diferenciada para a organização. Com duração de 18 meses, os jovens selecionados no programa atuarão em diversas empresas do Grupo Sanofi no Brasil, passando por áreas como marketing, finanças, industrial, comercial, entre outros. O Programa prevê ainda uma experiência internacional em uma operação do Grupo na América Latina.

Confira!

Conte sua trajetória até a vice-presidência de RH da Sanofi Aventis.

Sou formado em Economia pela PUC São Paulo e comecei minha carreira em uma empresa de consultoria onde trabalhei por cinco anos. Passei por duas áreas, sendo, administração de pessoas físicas e planejamento de negócios. Isso aconteceu durante o período da faculdade e se estendeu por mais um ano após o término da graduação. Em seguida, me dediquei dois anos em um mestrado de Administração com ênfase em organização e Recursos Humanos, que foi realizado primeiramente na FGV (Fundação Getúlio Vargas) e depois na Universidade de Louvain na Bélgica.

Quando estava terminando o mestrado, comecei a ingressar na parte de consultoria para RH voltando ao mercado, atuando na Dextron, empresa de consultoria estratégica e organizacional. Depois trabalhei três anos na Credicard em Recursos Humanos, onde tive oportunidade de atuar nas áreas de seleção e desenvolvimento humano. Após esta experiência fui para Oracle como diretor de RH onde fiquei por seis anos e, na sequência, iniciei meus trabalhos em 2005 na Sanofi como diretor de RH do Brasil. Desde 2010 sou vice-presidente de RH da Sanofi pela América Latina.

Qual a proposta do Acelere Sanofi? Qual a diferença deste programa em relação a programas de trainees?

O Programa de Trainee normal foca em profissionais recém formados e o Acelere Sanofi tem foco para atrair pessoas com experiência no mercado formados entre 2 a 5 anos. O motivo pelo qual criamos o programa foi discutido pelo RH e as principais análises foram que o profissional sai da Universidade sem conhecer o mundo corporativo, passando por crises de identidade profissional como recém formado – queremos evitar esta crise.

Queremos selecionar pessoas que já tenham contato com o mercado para trabalharmos as competências e evitarmos as crises de identidade. Uma outra proposta é que estamos pensando não a curto prazo, mas, principalmente a médio e longo prazo, pois, se a gente seleciona alguém mais velho, vamos colher frutos do nosso objetivo e desenvolver profissionais para níveis de gerência e diretoria no prazo de tempo mais curto. E outra oportunidade é que queremos aproveitar estes profissionais para região da América Latina que está se integrando cada vez mais com a Sanofi e queremos formar o profissional regional, o qual consiga expandir sua visão de negócios.

Como foi desenvolvido o programa?

Este é um projeto criado no Brasil, em função da necessidade de profissionais de qualificados, ou seja, é destinado para profissionais de autopotencial em função do crescimento da empresa. A Sanofi no Brasil tem crescido muito nos últimos 5 anos e a perspectiva é que continue evoluindo nos últimos anos. Neste raciocínio é importante e necessário ter profissionais qualificados para ocupar novas posições de liderança.

A Sanofi vem ouvindo o mercado e agregando novas aquisições. Ano passado fizemos a aquisição de duas empresas, a Merial e a Genzyme. A três anos atrás nós compramos a Medley e passamos a administrar também a Sanofi Pasteur. Então, hoje, o Grupo Sanofi tem possibilidade de atuação em cinco empresas com negócios diferenciados. Por isso, precisamos de profissionais para movimentar e trazer diferenciais para o Grupo.

Qual o maior desafio para contratar estes profissionais?

Além do processo seletivo tradicional que envolve tempo e dedicação dos RHs, encontramos maior dificuldade na adequação destes jovens com a cultura do Grupo Sanofi. Eu encontrei pessoas na etapa final do processo seletivo, com uma formação acadêmica qualificada e sociocultural bastante alta e, também, pessoas com formação acadêmica e sociocultural muito baixa. Jovens viajados com vivência internacional que não sabiam dizer o que aproveitaram da experiência internacional deixaram um resultado bastante preocupante.

Encontramos muitas pessoas com dificuldades de trabalhar em equipe, o que é um problema para gente. Níveis preocupantes de autopercepção, ou seja, pessoas arrogantes com uma imagem distorcida do que propomos.

Em algumas empresas estes comportamentos são fundamentais para que o profissional sobreviva – uma arrogância extrema torna-se necessário, porém, nossa cultura é diferente disso, onde certos comportamentos não seriam acolhidos, pois temos o perfil “low profile”. (empresas que não aparecem com frequência na mídia)

Quais os requisitos para ingressar no Programa Acelere Sanofi?

Pessoas formadas entre 2 e 5 anos, com experiência profissional, inglês fluente e mobilidade geográfica. O pacote de remuneração e benefícios é competitivo e está totalmente em linha e adequado à prática de mercado.

Como o profissional terá vivencia na América Latina, vocês estão considerando o idioma espanhol um diferencial no candidato?

Se o candidato tiver espanhol será ótimo, porém, o fato de já exigirmos fluência em inglês já dificulta bastante o processo. É impressionante como, apesar de ser exigência há décadas, as pessoas ainda não se preparam adequadamente para isto. Então, se colocarmos o espanhol como pré-requisito, teremos maiores dificuldades na seleção.

Nos pré-requisitos são citadas as formações que o candidato deve ter, porém, vocês não pensam em abranger outras profissões?

Nós temos um direcionador que, de fato, quer desenvolver profissionais para as áreas de negócios. Porém, estamos com uma mente aberta quando iniciamos um programa como estes, pois, se identificamos um profissional com o perfil de uma área e ele não tem formação deste setor, podemos desenvolvê-lo.

Assim promovemos o encontro vocacional da pessoa, pois, mesmo fazendo um programa com pessoas mais experientes, encontramos muitos jovens que descobrem trabalhando o que verdadeiramente gostam.

Existe algum programa dentro da Sanofi para gestão de carreira?

Nós temos o programa “Autogestão de Carreira” iniciado em 2010, trabalhamos exatamente a gestão da carreira do profissional. Não é uma orientação vocacional e, sim, uma reflexão sobre o que a pessoa de fato gosta. Atualiza os conceitos de carreira dando um novo significado, onde a empresa não é mais a protagonista e, sim, o indivíduo na busca deste novo espaço.

Isso foi possível porque fizemos uma pesquisa de ambiente organizacional há três anos, onde os próprios funcionários solicitaram este acompanhando, ou melhor, este alicerce quanto ao encaminhando de suas carreiras dentro da empresa.

Quais conselhos você daria para jovens em busca de espaço no mercado?

Eu daria dois conselhos: primeiro, aprofundem os conhecimentos, falta paixão no que se faz em muita gente. Para se ter conhecimento e segurança, é necessário ter paixão no que se faz. Escolha um caminho que tenha significado, escolha uma carreira a qual se identifique. Segundo conselho, nos processos seletivos seja espontâneo, pois, está faltando isso nos candidatos. Nós da Sanofi não gostamos de pessoas que vão para o processo e atuam. Não temos problemas em encontrar candidatos inseguros, que gaguejem ou que tenham dúvidas. Queremos gente autêntica.

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