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09/09/2011 - Branca Barão: motivação nas empresas

Autor: Maiara Tortorette

Branca BarãoVer a vida com outros olhos, fazer as coisas de forma diferente; é assim que a consultora Branca Barão apresenta suas palestras por todo o Brasil. Em entrevista ao Carreira & Sucesso, a especialista “em gente”, fala sobre o seu amor pela profissão e conta como ganhou espaço no mercado e passou a ser conhecida por grandes empresas.

Com mais de 3 mil horas de experiência em cima do palco e participação de mais de 17 mil pessoas em suas palestras, Branca discorre sobre a importância do bom relacionamento e da qualidade de vida e de como as pessoas respondem as suas apresentações.

Boa Leitura!

Qual a sua formação acadêmica?

É muito curiosa a forma como fazemos nossas escolhas e tomamos a nossas decisões.

A primeira faculdade que comecei a fazer foi Medicina Veterinária, mas logo no segundo ano descobri que gosto muito de animais, mas apenas “por fora”. Depois tentei fazer Administração e já no primeiro ano vi que não tinha nada a ver comigo, então finalmente fiz publicidade, um curso que adorei, mas acabei não seguindo carreira, apesar de ter me encontrado na área da comunicação.

Fiz inúmeros cursos na área de comportamento humano, como Comunicação, teatro, Neurociências, fiz toda a formação em Programação Neurolinguística. Hoje, estou me apaixonando por filosofia, então passei a comprar livros e estudar um pouco, até onde minha curiosidade for, eu estudo. Muito do que sou hoje é devido a essa minha personalidade auto-ditada.

Assim acredito que conseguimos aplicar diretamente o que aprendemos, pois o aprendizado nos completa e passa imeditamente a fazer parte da gente.

Conte-nos sobre sua trajetória profissional.

Meu primeiro emprego foi de operadora de telemarketing, quando tinha 17 anos. Talvez tenha sido neste momento que eu comecei a falar, falar e falar e não parei mais. Fiz um estágio na Data Folha, como pesquisadora de campo, o que me deu uma boa experiência em abordagem e persuasão e me ensinou como tentar ser agradável com os clientes.

Com 20 anos trabalhei com diagramação em jornais, revistas e resolvi montar meu primeiro “negócio próprio”, o Arte Delivery. Eu fazia panfletos, cartões de visita e outras peças sob encomenda e entregava. Dava um bom dinheiro e eu podia trabalhar na maior parte do tempo em casa, de pijama.

Depois de um tempo voltei a trabalhar com as minhas grandes paixões: a computação gráfica. Fazia sites para clientes e dava aulas particulares, e quando estava com aproximadamente 25 anos, percebi que na verdade o que eu gostava mesmo era de ensinar, então passei a trabalhar em escolas profissionalizantes como professora de informática. Dava aula para jovens, adultos, profissionais e terceira idade e descobri que quando contava histórias e piadas, os alunos aprendiam mais, eram mais assíduos e tiravam notas melhores.

A partir daí sempre que um professor de telemarketing, vendas, atendimento ao cliente ou até mesmo turismo faltava eu o substituía. Percebi então que eu “levava jeito” para ensinar, até mesmo aquelas coisas que eu não sabia que sabia!

Quando surgiu o primeiro interesse pelas palestras e como você desenvolveu essa experiência?

Certa vez assisti uma palestra e no momento em que o palestrante subiu no palco eu disse: É isso que eu quero ser.

Então comecei a me aventurar criando palestras sobre as coisas que eu gostaria de falar, selecionava as imagens, procurava algumas frases e apresentava para quem quisesse me ouvir. Comecei a oferecer palestras gratuitas para futuros alunos da escola, presenteava escolas públicas da região com alguns temas sobre orientação vocacional, dei palestras sobre mudança em presídios até que quando dei por mim, estava dando treinamento e palestras para grandes empresas.

Atualmente, trabalho como palestrante e há 8 anos tenho uma empresa de Treinamento & Desenvolvimento, a CRIE.

Qual o foco das suas apresentações?

Minhas palestras são sempre cercadas de inovação, criatividade e mudança. Meu objetivo é provocar a vontade de fazer diferente, de fazer melhor, de crescer um pouquinho de cada vez e de principalmente de sermos o melhor que podemos, hoje mesmo.

Nas apresentações eu tento trazer a tona os dois lados que tem em todas as coisas e em todas as pessoas: o sonhador e o realista, o otimista e o pé no chão, o ambicioso e o humilde. Acredito que sabendo flexibilizar e dosar ambas as coisas podemos ser felizes sendo exatamente quem somos.

O grande segredo, na minha opinião, é tornar isso consciente, pois só o que é consciente pode ser modificado.

O que mais chama atenção das pessoas?

O que mais chama a atenção das pessoas, pelo que eu ouvi até hoje, é o fato de eu tentar a todo custo unir diversão e aprendizado. Não acredito em uma coisa sem a outra na verdade.

Quando termino uma palestra penso: As pessoas se divertiram? Tive que esperar que parassem de rir para que eu pudesse voltar a falar? As pessoas sorriam pra mim e me olhavam diretamente nos olhos? E se eu obtiver de mim mesma essas 3 respostas positivas, tenho a certeza que valeu a pena.

Qual a importância do bom relacionamento e da qualidade de vida nos dias de hoje?

Muito se fala em vida pessoal, vida profissional e qualidade de vida atualmente, eu já penso que não existe essa separação, existe apenas vida. O grande segredo para uma vida com mais qualidade é fazermos algo pelo qual somos apaixonados, descobrir o prazer que o trabalho pode nos proporcionar e buscarmos a realização, que para mim está intimamente ligada a felicidade.

Passamos a maior parte do nosso dia no trabalho, é preciso ser feliz lá também. Não podemos passar a vida esperando o sábado, o domingo e as férias para sermos felizes.

Em seu site, você menciona alguns números relacionados a sua carreira, o que eles representam pra você?

Eles são a minha verdadeira formação, meu diploma, minha “faculdade”, minha paixão e minha verdade. São o raio x de alguém que ama o que faz, faz com prazer e quer ainda fazer muito mais!

A cada novo trabalho corro no site e atualizo aqueles números, com o maior prazer do mundo, pois eles significam o tamanho, ainda pequeno, da minha realização.

Li que dominamos algo verdadeiramente, quando fazemos por 10.000 horas! Estou longe desse número, nem na metade do caminho ainda, mas feliz pois isso significa que ainda tenho muita coisa nova para aprender e aí está a graça da “coisa”, o caminho, não a linha de chegada!

Você acredita que as pessoas realmente aplicam os conhecimentos passados nas palestras? Você sente que elas têm essa preocupação de mudar, melhorar?

Outro dia, em uma reunião em uma empresa na véspera de uma palestra, o diretor me perguntou: E como posso ter certeza que as pessoas colocarão isso em prática? E eu respondi: Não pode!

Podemos fazer o que depende da gente para que uma “boa história seja contada” e fazer com que seja contada com muita qualidade, pensando em cada detalhe. Usar a música certa, ajudando as pessoas a entrar no clima. Caprichar na comunicação visual dos slides e fugir daqueles tópicos que as pessoas não aguentam mais. Podemos fazê-las rir. Mas usar ou não o que foi apresentado é uma decisão particular de cada pessoa. E esse direito, inclusive, deve ser respeitado.

Quando falamos com adultos, ele mesmo decide o que quer aprender e principalmente o que vai utilizar. Para lidar com isso, eu parto do pressuposto que: todas as pessoas querem melhorar, crescer e fazer um bom trabalho e se lhes forem dadas as condições necessárias, elas o farão.

A minha parte é ajudar a construir essas condições necessárias. Trazendo idéias, ferramentas, provocações, estímulos para fazer isso acontecer, sempre com todo o respeito pelas experiências, diferenças de idade, crenças e verdades que temos presentes em toda plateia.

Você começará, em breve, a publicar artigos no Carreira & Sucesso. Qual serão os temas e assuntos que abordará?

Quero falar da importância de pensar diferente e de continuar sendo criativo apesar dos quadrados que a vida nos impõe. De inovar mesmo quando tudo parece estar dando certo.

Vou falar de sonhos realizáveis e do quanto vale a pena sonhá-los, e também sobre como lidar com o fracasso, pois nem só de vitórias, sonhos e felicidade é feita a vida e mais do que aprender com os erros é preciso aprender a corrigi-los.

Pretendo falar das coisas mais sérias e significativas da forma mais descontraída e divertida que eu puder, pois acredito que é assim que as coisas devem ser!

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