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07/10/2011 - Nany di Lima: artes cênicas para executivos

Autor: Caio Lauer

Nany di LimaA Comunicação é uma competência cada vez mais exigida no mercado de trabalho. Profissionais de todas as áreas devem desempenhar bem esta habilidade, a fim de gerir equipes, construir bons relacionamentos no ambiente corporativo, transmitir credibilidade e, ao mesmo tempo, conseguir atingir pessoas com as mais diversas competências pessoais.

Conversamos com a atriz, psicóloga e consultora de Recursos Humanos, Nany di Lima, que desenvolve um workshop em que utiliza técnicas de teatro, cinema e conceitos da psicologia analítica de Carl Jung para desenvolver exercícios que ajudam cada participante a perceber os pontos positivos e negativos da maneira como se comunica, a fim de aprimorar a qualidade comunicacional.

Boa leitura!

Como surgiu a ideia de unir a arte ao mundo empresarial?

Essa ideia foi uma consequência da minha formação e prática profissional ao longo de 25 anos. Sou formada em psicologia, com especialização em psicodrama, e já neste período de faculdade acabei tendo contato com o teatro e verticalizei bastante a minha carreira, com participação em peças, novelas e filmes. A escolha em atuar nas artes cênicas me fez perceber que existem muito pontos de intersecção com o universo corporativo e com a necessidade de comunicação dos executivos.

E de que maneira as artes cênicas podem ajudar?

É muito comum que os profissionais, por conta da aridez, rigidez e formalismo existente no ambiente empresarial, acabem engessando a comunicação, renegando muito o intuitivo, que é um aspecto considerável e bem aceito no teatro. Então, uma prática que trago em meus cursos e workshops é a reconstrução dos sentidos – um dos exercícios consiste nos executivos pararem um em frente ao outro, em pares, e se olharem durante 20 segundos. Isso já é de um impacto profundo para alguns, pois não conseguem, desviam o olhar e se sentem incomodados. É apenas um espelho da dificuldade relacional que vai se perdendo por conta da postura do dia a dia.

É habitual profissionais que adotam uma atitude mais arrogante e autoritária terem atrás deste comportamento um grande sentimento de insuficiência e insegurança. Um executivo confortável na realização de seu papel é um servidor; aproxima, agrega, compactua e compartilha.

Como foi o trabalho de formatar este workshop?

Após muitos anos de trabalho, esta atividade acabou se tornando uma prática muito confortável para mim. Consigo apresentar, propostas e ferramentas bastante efetivas, pois é resultado do que vivi e aprendi como profissional.

Nos três dias de curso, que tipos de atividades são desenvolvidas?

Em um primeiro momento, existe uma prática diagnóstica, onde brinco com executivos por meio da mensagem “o que você comunica quando fala”. As pessoas comunicam muito mais do que simplesmente a informação. Então, o exercício consiste em um texto apresentado pelos participantes em uma área delimitada que chamo de “centro de palco”. Nesta atividade me evidenciam como é o contato deles com a exposição pública. Uma postura muito rígida ou uma voz infantilizada me indicam que existem aspectos contraditórios, por exemplo.

Executivos de áreas diferentes de atuação tendem a ter comportamentos distintos uns dos outros?

Isso não é tão identificado pela área. Também dou aula na FAAP de teatro para executivos e existem alunos dos mais diversos campos de atuação, como Medicina, TI, RH, Marketing e Finanças.

As empresas e os profissionais, hoje, estão mais abertos a treinamentos menos convencionais como o seu?

Vejo que a palavra “teatro” causa certo impacto. Parece que carrega ainda um pouco de preconceito, mas tenho recebido cada vez mais pedidos de grandes empresas. Atualmente estou atendendo um coletivo de cientistas de uma organização bem conhecida, onde não estão sendo apenas exigidas apenas as competências técnicas deles, por parte da companhia. Agora, eles precisam realizar a gestão das pessoas e buscar resultados em congressos, e esse perfil de profissional tem muita dificuldade em se relacionar.

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