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27/12/2012 - Rogério Caffaro, Diretor Geral da Triunfo Logística

Autor: Samara Teixeira

Rogério CaffaroFormado em engenharia pela Universidade Federal Fluminense, Rogério Caffaro, CEO da Triunfo Logística, uma das três empresas que opera o Porto do Rio de Janeiro, conta como está solucionando a demanda atual de mão de obra.

A empresa atua em operações envolvendo porto, exploração de petróleo e está sentindo dificuldades para contratar profissionais para atuarem, tanto em nível superior quanto em nível médio e técnico. Caffaro conta para o Carreira & Sucesso sobre o Programa Intensivo de Qualificação Técnica Especializada, um investimento na ordem de R$ 1 milhão por ano, que teve sua primeira turma formada no último dia 3, no Centro do Rio.

Boa leitura!

Conte sua trajetória de carreira até a diretoria da Triunfo Logística.

Formei-me em engenharia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), atuei nas áreas de siderurgia e mineração como consultor e, nos anos 90, ingressei na área portuária. A partir deste momento comecei a trabalhar na Triunfo Logística, onde atualmente ocupo o cargo de Chief Executive Officer (CEO).

Quais são os desafios do setor e da Triunfo?

Atualmente o Brasil vive um momento de franca expansão na área de infraestrutura, logística e energia. Há empresas querendo investir – tanto do próprio país quanto do exterior –, há projetos e planejamento. Mas estamos assistindo à falta de mão de obra qualificada para dar conta dessa crescente e contínua demanda.  Portanto, o maior desafio é este: mão de obra. E mais ainda, não só conseguir um profissional que saiba operar maquinários, gerir recursos, coordenar atividades e projetos, entre outras funções, como também mão de obra experiente, que agregue valores para a companhia.

O Brasil é ‘a menina dos olhos’ do mundo nos últimos anos, o que deve se intensificar com a série de eventos sociais e esportivos que vão. Sendo assim, quanto mais foco no país, mais qualidade – em termos de serviço – teremos que apresentar. E o profissional precisa acompanhar o ritmo dessas mudanças para que as empresas não desapontem. A conclusão, portanto, é que é necessário ter profissionais cada vez mais – e melhor – capacitados, que agreguem valor ao negócio.

A falta de profissionais atrasou o trabalho de vocês? O que o governo propôs para sanar esta lacuna?

A falta de profissionais no mercado não afetou a Triunfo justamente porque a empresa se adiantou a este “impasse”, pois observa atentamente o mercado e percebeu que faltariam profissionais no setor. Em relação ao governo, sabemos que qualquer ação depende de uma série de processos, o que demanda tempo nesse ambiente de gestão pública. Fora que, mesmo que haja alguma ação, talvez não aconteça em larga escala (como é necessário). A Triunfo percebeu a urgência dessa demanda e, por isso, não pôde esperar que estas ações governamentais se concretizassem. Já que a empresa previu que precisaria de mão de obra capacitada, priorizou investimentos em cursos e capacitação. Para o governo essa questão não é a prioridade do momento, mas para nós é e, portanto, precisamos resolvê-la.

Por conta da crescente demanda como a Triunfo se preparou para atendê-la?

A empresa vem notando o crescimento da demanda do setor, então resolveu se adiantar e investiu em uma série de treinamentos que começaram a ser realizados em 2012. O Programa Intensivo de Qualificação Técnica Especializada possui dois meses de duração e a Triunfo, ao final, absorve quase a totalidade dos alunos formados. Outro foco do programa é que muitos deles são jovens que nunca tiveram contato com operações portuárias, ou seja, começam sem nenhuma noção e saem prontos para atuarem no setor que aprenderam. Além deles, a Triunfo também está abrindo oportunidade para ex-presidiários, como forma de sociabilizá-los.

O objetivo é capacitar e qualificar a mão de obra local. Para tal, a empresa fez uma seleção com 500 candidatos sem experiência nenhuma na área, mas que tivessem, pelo menos, o segundo grau completo. Estes candidatos passaram por entrevistas com psicólogos e gestores.

O curso aconteceu em uma área que teve investimentos da Triunfo e que está localizada em Itaboraí-RJ. Os candidatos foram divididos em quatro turmas de 15 pessoas. O curso contou com a parceria de profissionais do setor, professores e técnicos. Ao todo foi investido R$ 1 milhão.

A vantagem é que a Triunfo treina pessoas que não têm vícios em relação ao trabalho realizado com o maquinário no porto. Todo o processo de seleção permite que a empresa identifique profissionais com mais aptidão a esse negócio. As chances de se formarem e obterem uma vaga no quadro de funcionários da empresa é muito grande. Além desta turma que se formou no começo de dezembro, outras já estão sendo abertas para 2013.

Quais são as propostas para quem se interessa em aprender sobre este segmento?

A Triunfo prevê que essa demanda ainda vai perdurar por muitos anos, então quem se interessa e começa a estudar a partir de agora – se dedicando, pois a área requisita dedicação – tem grandes chances de ser absorvido no mercado num futuro próximo.

O importante é ser interessado e estar, de fato, com vontade de aprender novas funções e de atuar em novos setores. No caso da Triunfo, quem se interessar no treinamento pode procurar nosso departamento de Recursos Humanos.

Qual a proposta para os ex-presidiários? Qual é o desempenho deste grupo? Como vocês trabalham o resquício de preconceito com este público?

Entendo que é necessário abrir oportunidades para quem se dedica e está interessado em aprender. Portanto, se o profissional já quitou suas dívidas perante a justiça e a sociedade, por que não dar essa oportunidade a ele? A Triunfo não criou cotas especificamente com este objetivo, mas como trata a todos da mesma forma, pregando a necessidade de abrir oportunidades e, inclusive, promover a ressocialização, não vê motivos para criar barreiras para este profissional. A empresa entende que eles são trabalhadores como todos os outros e que, se trabalharem com afinco, cumprindo suas obrigações profissionais, têm os mesmos direitos. Inclusive já fomos elogiados por alguns clientes por conta dessa política de inclusão e oportunidades, é uma postura que adotamos de forma natural e que tem gerado bons frutos.

A escolha destes profissionais foi estratégica ou de cunho social?

Não foi de cunho social nem de inclusão de forma proposital. Nós simplesmente abrimos as portas e não discriminamos aqueles que, mesmo tendo errado no passado, já quitaram suas dívidas perante a justiça e a sociedade. É uma postura que faz parte da política da empresa.

Quais são os cursos e o que os candidatos aprendem?

Este curso, que teve a primeira turma formada em dezembro, foi para a função de operador de guindaste. Normalmente um treinamento deste tipo demoraria anos, mas eles aprenderam de forma intensiva – e a conclusão é alcançada em dois meses e com total segurança. O curso é dividido em três módulos: primeiro aprendem a operar guindaste de pequeno porte, depois operam guindastes de última geração (com capacidade para mais de 130 toneladas) e, por último (terceiro módulo), acontece um treinamento específico com os guindastes de fornecedores. Os profissionais em curso aprendem ainda conceitos portuários, rapel (pois é necessário trabalhar em altura) entre outras atividades.

Como já citei anteriormente, a empresa investiu R$ 1 milhão na criação do curso, obtenção dos guindastes e simuladores. Haverá outras turmas para capacitar profissionais em outras funções, tais como operador de empilhadeira, pás carregadeiras, retroescavadeiras, entre outros.

Dessas 60 pessoas, 53 foram aprovadas nessa primeira turma. E todas elas já fazem parte do quadro de profissionais da Triunfo Logística. Durante o curso, todos recebem um salário e, depois dos dois meses, se absorvidos pela empresa em regime CLT.  E com progresssão salarial prevista em contrato, o que incentiva a permanência dos funcionários nos quadros da empresa.

Qual o regime de contratação destes profissionais?

Assim que acabam o curso e são absorvidos pela Triunfo, os profissionais aprovados são registrados em regime CLT, com todos os benefícios previstos nesse tipo de contratação.

Para as empresas que estão passando por dificuldades de mão de obra, qual conselho você deixa para melhorar este quadro?

A recomendação é que invistam sempre em capacitação e treinamento. Não dá para esperar que as soluções caiam do céu, que governo faça algo ou esperar ações milagrosas. O negócio é selecionar pessoas que queiram trabalhar e crescer no mercado, estar atento às oportunidades de negócios e, como sempre enfatizo, investir é o melhor negócio!

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