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05/02/2010 - MBA, lato sensu e stricto sensu: saiba o que escolher na hora de se especializar

Autor: Comunicação

Lato sensu, mestrado e doutorado ou MBA, o que escolher? Essa é a dúvida de muitos profissionais que querem se especializar e se manter atualizados na sua área de atuação. Entretanto, apesar de todas as opções agregarem conhecimentos, uma escolha errada pode representar um tiro n’água, já que, profissionalmente, pode não mudar em nada a sua vida. Por isso, fomos buscar entender qual a diferença entre esses tipos de especialização e como cada um deles pode ser importante para a sua carreira.

 

Silene Magalhães, professora da Fundação Dom Cabral, explica que, no Brasil, os cursos que são feitos após a graduação são considerados pós-graduação. No entanto, há duas divisões: a lato sensu, que são programas com carga horária igual ou superior a 360 horas, e a stricto sensu, que forma pesquisadores e profissionais para o ensino superior e academia, com nível de mestre.

“Dentro da pós-graduação lato sensu, para a legislação brasileira, você tem os programas de especialização e o MBA. A especialização é ideal para profissionais que buscam atualização ou aperfeiçoamento em determinada área do conhecimento, como por exemplo, marketing, finanças, recursos humanos, etc. E elas conferem ao participante um certificado de especialista e não um título de mestre ou doutor”, explica Silene Magalhães, “contudo, para a legislação internacional, o programa de MBA feito nos EUA, por exemplo, lhe confere o título de mestre: mestre em administração de empresas. É um programa genérico, voltado para as áreas da especialização de empresa e para profissionais que já tem certa experiência, ou seja, não é para o recém-formado, mas sim para as pessoas que já têm experiência e que precisam se especializar e se formar como mestre em administração de empresas”.

Saber escolher uma das três opções, lato sensu, stricto sensu ou MBA, é fundamental para a carreira profissional e para o objetivo que o profissional traçou. Enquanto que o stricto sensu, ou seja, mestrado, doutorado e pós-doutorado, é para o profissional que deseja entrar na área acadêmica, lecionar em faculdades ou universidades, e focar-se na em pesquisa; o lato sensu é para a pessoa que deseja especializar-se em alguma área específica, e o MBA é voltado para o gestor que deseja ter um conhecimento consolidado em administração de empresas.

Segundo Silene, a principal diferença entre o lato sensu e o MBA é a carga horária. O primeiro é 360 horas, e o segundo, em média, 1.200 horas. Além disso, o perfil do participante é outro grande diferencial. Segundo a professora, quem procura o lato sensu é mais jovem e quer um foco em determinada especialidade, já quem busca o MBA têm mais experiência, tanto profissional como de idade, e deseja uma visão integrada dos negócios. “No lato sensu, você tem os professores como atores principais, já no MBA o aluno é desafiado a construir o seu próprio conhecimento, ou seja, os professores dão a disciplina, mas ele vai construir o seu conhecimento e entendê-lo na sua realidade. Daí a diferença de profundidade e de carga horária”.

Por isso que, para o MBA, é fundamental que o aluno tenha uma experiência profissional consolidada como gestor. “No caso da Fundação Dom Cabral, pedimos no mínimo cinco anos de experiência como gestor, com experiência em gestão de equipe, gestão de resultado, gestão de risco, gestão financeira, gestão mercadológica. Esse profissional que vem buscar MBA tem em média 37 anos e deseja o título de mestre em administração de empresas”, complementa Silene.

O headhunter e presidente da Junto Brasil, Ricardo Nogueira, afirma que todas as pós-graduações são formas do profissional incrementar o seu conhecimento, já que a maioria das universidades e faculdades oferece cursos de graduação generalistas. “Se você fez aquele curso tradicional de direito, pode fazer, depois, uma MBA ou especialização lato sensu em direito do consumidor. Então, obviamente, essa pós-graduação vai alavancar sua carreira nessa área profissional. Além disso, se você trabalha na área em que fez a pós, vai ser visto na empresa como alguém que se preocupou em alavancar a carreira, e pode até cobrar dela o pagamento desse estudo, já que muitas companhias pagam parcial ou integral a especialização de seus funcionários. E para aquelas pessoas que estão desempregadas ou em transição de carreira, a pós é um diferencial na hora do processo seletivo”.

Além disso, a pós-graduação em uma instituição de ensino renomada é muito importante para o profissional que fez a graduação em uma faculdade pouco reconhecida. “Ele pode transformar o seu currículo fazendo MBA ou lato sensu em uma FGV, Dom Cabral e IBMEC, por exemplo. Fazer uma pós em uma boa faculdade ou universidade, turbina a carreira e dá um upgrade de conhecimento, já que a pessoa não terá apenas a titularidade ou força acadêmica, mas também conhecerá gente muito interessante e pessoas do mercado de diversos cargos”, comenta Ricardo.

Assim, saber escolher qual tipo de pós-graduação fazer é tão importante quanto optar pela instituição de ensino que trará bons resultados. Para a professora da Fundação Dom Cabral, um dos critérios significantes nesta escolha é conhecer a prática da escola através de pessoas que fizeram o programa de pós-graduação nela. Além disso, é essencial verificar o quanto a instituição está atualizada e ligada ao mercado de trabalho, ao mercado global. O terceiro ponto importante, segundo Silene, é verificar se o programa de pós-graduação é registrado e aprovado pelo MEC e com continuidade. “O mercado de pós-graduação no Brasil, nos últimos anos, cresceu enormemente, e tem muita gente séria fazendo muita coisa boa, mas muita gente que está oportunistamente fazendo educação de forma errada. Então, ter certeza de que a escola é de primeira linha, respeitada tanto no mercado quanto na academia, e que os seus programas são regulamentados no MEC, é ponto básico”.

Se corretamente escolhida o tipo de pós-graduação e a instituição, o investimento vale cada centavo, já que ter uma especialização, MBA ou mestrado/doutorado, é um diferencial muito grande. “Ainda é um diferencial muito forte. Digo ainda porque o mercado está mudando tão rapidamente que não sei por quanto tempo será. Mas ter uma pós-graduação, um MBA, te dá uma posição não só do conhecimento que você adquiriu, mas de que não parou no tempo, que você é uma pessoa em constante busca do conhecimento, e é esse profissional que o mercado busca hoje”, afirma Silene Magalhães. Ricardo Nogueira complementa: “Em um processo seletivo, com três finalistas com a mesma formação acadêmica e idade, por exemplo, o que vai diferenciar para o selecionador, além da simpatia e da performance interpessoal, é a formação profissional. Ele olhará o quanto o candidato exercitou a sua carreira e o seu know how acadêmico”.

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