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19/01/2009 - MBA OU PÓS-GRADUAÇÃO, EIS A QUESTÃO

 

Naísa Modesto

Dar continuidade aos estudos após a conclusão de um curso de graduação está se tornando um hábito entre profissionais mais jovens. Já é comum ver recém-formados matriculados em cursos de pós-graduação e MBAs.

Por isso, a demanda crescente por cursos de especialização desperta o interesse de muitas instituições de ensino. De acordo com o Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, os dados (2007) do Cadastro da Educação contabilizaram 8.866 cursos de pós-graduação lato sensu em funcionamento no País. Destes, 8.801 são presenciais e os 65 restantes, à distância.

O levantamento ainda aponta que a Região Sudeste é campeã na concentração da oferta, com 55,9% de programas. Com relação às áreas do conhecimento, o maior número de cursos está ligado a Administração e Educação, que totalizaram 1.715 e 2.007 cursos, respectivamente.

O Professor Richard Lucht, diretor acadêmico da pós-graduação da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, explica a grande procura pelos cursos: “Temos observado que a formação dos universitários que concluem o curso superior se mostra insuficiente para o nível de expectativas que as empresas têm com relação a estes profissionais. Há um ‘gap’ entre a formação e o que as empresas gostariam que os profissionais conhecessem ou tivessem habilidades desenvolvidas”.

Acompanhe a explicação de Lucht sobre quais são as diferenças entre os cursos disponíveis no mercado:

Stricto Sensu

Mestrados acadêmicos e doutorados. Forma os professores, pesquisadores e acadêmicos. São cursos avaliados pela CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior;

Lato Sensu

Conhecidos como cursos de especialização, reúne as demais modalidades de pós-graduação. Devem seguir algumas normas comuns propostas pelo MEC. Desenvolve profissionais ou os atualiza para o mercado de trabalho. Nesta modalidade inclui-se o MBA (Master of Business Administration), curso com duração maior do que os demais cursos de especialização.

Para zelar pela excelência dos cursos de MBA oferecidos, foi criada a Anamba – Associação Nacional de MBA, que reúne 12 entre as mais importantes Escolas de Negócios do País. Para estar em conformidade com os princípios propostos pela instituição (alguns deles estabelecidos nos moldes das escolas internacionais), o curso deve ter, no mínimo: carga horária de 480 horas; um currículo generalista na área de Administração de 360 horas; definição de público-alvo do curso, entre outras atribuições. De acordo com a Anamba, “O MBA é destinado a profissionais que tenham três ou mais anos de experiência em cargos de tomada de decisão e de liderança em equipes”, explica Lucht. Por isso, é uma opção desaconselhada para profissionais recém-formados e para quem busca aprofundar seus conhecimentos em uma área específica da empresa ou do mercado de trabalho.

Mas nem todas as instituições de ensino são associadas a esta entidade. Assim, se antigamente a faixa etária dos alunos de MBA estava na casa dos 40 anos, hoje observa-se a média de 32 anos entre os matriculados. “É um curso generalista que aborda as questões da empresa sob um ponto de vista estratégico. Ele trata de todas as áreas corporativas sob esta perspectiva e as discussões em sala de aula são enriquecidas pela experiência do professor, obviamente, mas dos alunos também. Isso é um MBA Executivo”, completa Lucht.

  • O professor Edgar Costa, diretor de Educação Corporativa da BBS, também julga necessária a experiência para ingressar em um MBA, “Eu não recomendo que pessoas sem experiência ou que acabaram de sair da faculdade façam MBA. Se a pessoa não está num cargo de liderança, ou mesmo três anos após terminar sua graduação, não conseguirá aplicar os conhecimentos adquiridos no curso e nem aproveitará a troca de experiências ao longo do mesmo.”

    Pós-graduação para o  mercado de trabalho

    A troca de informações, aliás, é uma vantagem neste tipo de curso. “Quando você faz uma pós-graduação, é importante a comparação do que você está fazendo no seu ambiente de trabalho e do que as outras pessoas estão fazendo nas outras empresas. Esta troca de conhecimento é essencial e você ainda tem chance de comparar o conteúdo apresentado com o trabalho que você faz”, esclarece Constantino Cavalheiro, diretor da Catho Educação Executiva.

    Em contrapartida, os demais cursos de pós-graduação desenvolvem o profissional em uma área específica do conhecimento e têm uma duração mais curta, pelo menos 360 horas, de acordo com a exigência do MEC. “Neste período, o aluno será exposto ao campo de estudos mais restrito, um campo de especialização. Não é um curso generalista”, diz Lucht. Por isso, este tipo de formação é mais indicado para os recém-formados ou para quem deseja obter conhecimento específico e aprofundado sobre uma área.

     

    Quando é o momento certo?

    O profissional deve pensar na sua carreira e no seu desenvolvimento para decidir sobre o momento de começar um curso de especialização. “Antes de fazer um curso de pós-graduação, é importante analisar até que ponto o curso está alinhado com sua perspectiva de carreira. Antes de mais nada, é importante ter um plano de carreira e verificar se aquela formação se enquadra neste plano”, esclarece Cavalheiro.

    O profissional também pode optar por fazer mais de um curso deste tipo ao longo de sua carreira. “Dependendo da área em que vai atuar, ele precisa buscar desenvolver os conhecimentos e as competências que o mercado vai demandar dele para que possa construir uma carreira de sucesso. Não existe mais um tempo determinado para buscar uma pós-graduação”, conta Lucht.

    Finalmente, para não errar na escolha da instituição, Costa aconselha: “Uma boa instituição de ensino deve ser membro de associações internacionais, tais como a AACSB ou a Executive MBA Council. O candidato deve se preocupar com o nível dos professores, que devem ser mestres ou doutores de instituições de primeira linha, no Brasil ou no exterior. Deve olhar o corpo discente, a metodologia acadêmica e também as instalações. Uma boa sugestão é sempre conversar com ex-alunos.”

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