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06/10/2009 - As inúmeras profissões ligadas ao setor petrolífero

 

Érica Nacarato

Geólogos, engenheiros, geofísicos, químicos, tecnólogos, são inúmeras as profissões ligadas ao petróleo. Afinal, o recurso natural não renovável é, hoje, a principal fonte de energia do mundo e, até que sejam descobertos e aperfeiçoados meios alternativos de energia, todos os países continuarão dependendo dele. “As perspectivas são extremamente promissoras para os profissionais ligados ao petróleo, porque são campos de trabalho estratégicos para a civilização moderna. Basicamente, quase todas as atividades da vida cotidiana possuem relação de dependência ou vinculação com o petróleo e continuarão mantendo esse vínculo até encontrarmos e desenvolvermos estratégias de substituição. E esse não é um processo trivial”, relata o professor Geraldo Ferreira, coordenador do curso de Engenharia de Petróleo, da UFF (Universidade Federal Fluminense).

O professor adjunto da UFF, Fernando Cunha Peixoto, explica, em linhas gerais, que os geólogos e geofísicos ajudam a mapear as áreas promissoras, no que se refere à localização, profundidade, extensão e até qualidade do reservatório. Já os engenheiros de petróleo definem, por exemplo, como e onde perfurar o poço e qual a trajetória para atingir os objetivos de maneira mais eficiente; ajudam a prever como o reservatório responderá à produção, em termos de vazões e pressões, e definem como ajudar que os fluídos cheguem até a superfície. Os engenheiros mecânicos e químicos, por sua vez, auxiliam na definição de como esses fluídos devem ser transportados e armazenados; os químicos trabalham, ainda, no projeto e operação das refinarias que produzirão combustíveis, derivados e insumos para a indústria petroquímica, além de atuar nela, gerando os produtos petroquímicos.

Para exercer essas áreas ligadas ao petróleo, são necessários dois tipos de formação básica, a de nível técnico e a de nível superior, como explica Alexandre Leiras Gomes, Coordenador do Curso Engenharia de Petróleo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro): “existem dois tipos de formação básica: a de nível técnico, mais diretamente ligado aos sistemas de produção e aos laboratórios de análises; e a de nível superior, graduação tradicional (bacharelado) em geologia, química, engenharia de petróleo e engenharia química. Também encontram colocação no mercado, diversos profissionais com as mais variadas formações, mas que se especializaram com cursos de pós-graduação voltados para este setor”.

Entretanto, a formação mais ampla é extremamente valorizada. Ricardo Cabral de Azevedo, docente do Departamento de Engenharia de Minas e Petróleo da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), explica que é importante que esse profissional conheça um pouco de tudo: “apesar de haver especialidades, hoje em dia é muito valorizada uma formação mais ampla. Não posso falar pelas outras profissões, mas sei que, em nível superior, se destacam a engenharia naval (quase todo o nosso petróleo vem do mar), a geologia e a geofísica. Os tecnólogos ainda têm tido um pouco de dificuldade em encontrar aceitação nesse mercado. E, em nível técnico, uma das áreas mais procuradas é a de soldagem (importante na construção dos muitos equipamentos utilizados na exploração e produção de petróleo)”.

Reconhecido no Brasil pela CONFEA (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), em 1973, o curso de engenharia do petróleo é, segundo o prof. Alexandre, a área da engenharia que se preocupa com o desenvolvimento das acumulações de óleo e gás (descobertas durante a fase de exploração de um campo petrolífero), e com atividades que vão desde a perfuração de poços até o processamento primário do petróleo. Nele, os estudantes irão encontrar conteúdos como geo-engenharia de reservatórios, engenharia de poço, processos e sistemas de produção e exploração no mar.

Sobre o local de atuação, o mercado fluminense ainda é o maior para os profissionais ligados ao setor petrolífero trabalharem, já que o Rio de Janeiro concentra 70% da produção de petróleo do país. Mas há muitas regiões produtoras no Brasil, como a Bahia, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e São Paulo , que com a nova descoberta do pré-sal, pode tornar-se o mercado predominante.

No entanto, não é qualquer pessoa que pode ser um engenheiro de petróleo. Para exercer a função é necessário inglês fluente e a capacidade de lidar com grandes pressões e responsabilidades, como conta o professor Ricardo Cabral de Azevedo. “Esse profissional precisa falar inglês bem, já que a área é muito internacionalizada e existe o contato com profissionais, equipes e empresas de diversas partes do mundo, trabalhando em conjunto. Além disso, ele precisa lidar com grandes pressões e responsabilidades, relativas à segurança das operações, às altas quantias envolvidas (é uma das indústrias mais caras do mundo) e às altas incertezas, já que é uma das indústrias mais imprevisíveis do mundo (com risco alto de não encontrar óleo em um novo poço, ou dele não produzir como se esperava, etc.)”.

Exigências como essas tornam a área muito restrita quando a questão é profissionais qualificados. Segundo o professor da USP, a graduação em engenharia de petróleo ainda é nova no Brasil, forma poucos profissionais por ano, e a indústria tem crescido muito, aumentando a dificuldade de encontrar bons profissionais, o que faz com que essa área da engenharia pague os maiores salários do mercado. Em contrapartida, Geraldo Ferreira lembra que os diversos governos brasileiros vêm tomando atitudes para mudar esse cenário. “As opções tomadas na história recente do país para alcançar a autossuficiência na produção de petróleo, envolvendo o aumento em investimento em estudos e pesquisas, promoveram aquecimento substantivo do mercado para profissionais relacionados à indústria do petróleo. Com a confirmação das novas reservas e gás nas camadas do pré-sal, haverá incremento significativo na demanda por profissionais com formação nessa área e que atuem na cadeia produtiva do petróleo”.

Sobre a proximidade ou não do fim do petróleo, os especialistas afirmam que isso não deverá atingir os profissionais ligados ao setor, já que é cada vez mais real o uso de fontes alternativas de energia, como explica o professor Fernando. “A consolidação e amadurecimento dos empregos das fontes alternativas de energia diminuem a demanda por petróleo para este fim, o qual deve passar a ser, cada vez mais, destinado à petroquímica. Este fator, analogamente, alarga os horizontes de disponibilidade do petróleo, afastando o declínio da demanda por profissionais da área. Contudo, como todo profissional, esse engenheiro tem que se manter atualizado para poder atender a eventuais mudanças de cenário com a mesma agilidade com que acontecerem”. Ricardo de Azevedo complementa dizendo que, no futuro, esses profissionais deverão abranger o conceito mais amplo de energia: “na verdade, o fim do petróleo não parece tão próximo assim e muito menos deve afetar os atuais profissionais ou os que estão entrando no mercado agora. Mas para o futuro, a tendência é que os cursos, as empresas e toda a área, gradualmente migrem para o conceito mais amplo de energia (engenheiro de petróleo, por exemplo, poderá se transformar em engenheiro de energia, enquanto que a Petrobras já é considerada, hoje, uma empresa de energia, trabalhando com álcool, biodiesel, etc.)”.

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