O Portal Carreira & Sucesso é uma publicação digital da Catho. Aqui você encontra informações relacionadas ao mercado de trabalho, que irão auxiliá-lo em seu desenvolvimento profissional.

13/11/2009 - O perfil do empregado e as vantagens de ser vinculado a uma empresa

 

Érica Nacarato

Segurança, necessidade de vínculo com empregador, de salário todo final de mês, bônus, plano de carreira, enfim, são diversas as vantagens que levam as pessoas a serem colaboradoras fixas de uma empresa, ao invés de ter o seu próprio negócio. No entanto, mesmo com tantos pontos positivos, muitos ainda têm o sonho de ser empregador, abrir um negócio próprio e não trabalhar mais para os outros. Afinal, existe um perfil de empregado? Por que tantas pessoas dizem que não nasceram pra receber ordens? Como lidar com essa insatisfação?

São diversos fatores que podem explicar a insatisfação de um profissional numa empresa. Para Priscila Azevedo, coordenadora do setor de Carreiras da Veris Faculdades, do Grupo Ibmec Educacional, em muitos casos, a infelicidade pode partir de uma quebra de contrato, ou seja, quando a pessoa é contratada, mas não encontra as condições, estrutura ou bonificação acordadas no momento da entrevista.

“No entanto, acredito sim que há um perfil para o empregado. Gosto de usar como referência o Inventário de Âncoras de Carreira, de Edgar Schein (psicólogo social), que ajuda a identificar o perfil do profissional e motivo pelo qual ele pode estar infeliz”, explica Priscila, “por exemplo, um perfil que traz a infelicidade é quando o empregado é altamente empreendedor, e não consegue usar essa competência de maneira intraempreendedora, ou seja, para se desenvolver dentro da empresa. Ele precisa ser dono da empresa, ser reconhecido por isso, e ter o desafio de criar algo do zero, fazer crescer, e acumular patrimônio e bens em cima disso. Em outras vezes, há conflitos porque a pessoa pode ter filosofias que não casam com o que a empresa quer, e isso gera uma insatisfação grande”.

Segundo Roberto Rinaldi, sócio-diretor da ProBusiness, consultoria de desenvolvimento organizacional, palestrante e escritor, pesquisas feitas no ambiente de trabalho no mundo todo mostram que praticamente metade das pessoas é insatisfeita com o que faz. “Isso se deve principalmente ao desalinhamento entre suas atribuições e seus talentos, ou a fatores culturais, como verificamos no Brasil, onde as pessoas acreditam que bom é não ter chefe e daí poder ?mandar no próprio nariz’. Com certeza, se as pessoas pudessem trabalhar no que tem mais facilidade, ou mais paixão, ou pelo menos sentindo-se mais conectadas com os resultados de sua atuação para realizar algo de valor no mundo, isso traria mais significado para as atividades que ocupam a maior parte do seu dia”.

Ser chefe pode ser um grande engano, possivelmente por ignorância. Como explica Roberto, primeiramente, engana-se quem acredita que terá mais tempo ou menos perturbação, já que as responsabilidades irão aumentar e, inicialmente, falta estrutura nos empreendimentos. Além disso, o sócio-diretor da ProBusiness destaca que há cada vez menos espaço para chefia, já que vivemos num tempo em que as pessoas têm escolhas e estão menos inclinadas a obedecer; lidar com elas exige perfil e conhecimento, para evitar situações conflitantes, improdutivas e desgastantes.

Além de acreditar que trabalhará menos e haver a sedução da cultura moderna, que prega a independência, os profissionais atribuem a vontade de ter o negócio próprio à falta de emprego e à possibilidade crescente de se empreender com menos recursos, graças à tecnologia e a era dos serviços em que vivemos.

Mas, como lembra Priscila, ser empreendedor envolve muitos riscos, e para corrê-los é preciso que a pessoa tenha o perfil e viva em função desse risco. “Mas existem muitas pessoas que não têm o espírito de empreendedor aguçado, estão insatisfeitas na empresa, e acham que abrir o próprio negócio é uma saída. Isso pode ser uma armadilha. O profissional terá que fazer a sua empresa dar certo, e isso dependerá só dele. Não tem salário no final do mês para poder pagar as contas fixas e sustentar família, por exemplo. É muito difícil partir para o empreendedorismo. Por isso que muitas microempresas não dão certo”.

Os benefícios de ser empregado são muitos. Entre eles estão a condição de focar em compromissos definidos, sem ter que se dividir em vários papéis; a garantia do salário no final do mês; na maioria das vezes, um plano de carreira que pode estimular o desenvolvimento profissional; a disponibilidade de uma estrutura que apóia, de várias maneiras, a atuação da pessoa, potencializando a capacidade de realizar; poder conviver com outros profissionais que proporcionarão trocas de experiências; planejamento financeiro, já que além do salário certo, há 13º, PLR, entre outros benefícios; a existência de um modelo de negócio que pode já ter comprovado sua eficácia no mercado; a possibilidade de exposição e interação com outras empresas e oportunidades no mercado de trabalho.

“Quando o profissional parte para o empreendedorismo, não tem essas garantias. Vive como se fosse uma montanha-russa, desce e não sabe o que vai acontecer; tudo gira em função da sua luta. Agora, em uma empresa, não. Ela já está estruturada e o colaborador precisa fazer sua parte pra conseguir o resultado no final do mês”, ressalta Priscila.

Entretanto, se o profissional está desanimado com o seu emprego, carreira ou empresa, é possível reverter esse quadro. Antes de tudo, ele deve entender se a sua infelicidade é com a sua própria profissão. Se sim, Priscila aconselha a repensar a carreira e traçar estratégias para fazer uma transição para trabalhar naquilo que agrade a pessoa. Já se o problema for os valores dessa empresa, há a possibilidade do profissional procurar outro lugar que o agrade mais, e fazer isso diversas vezes, até encontrar a empresa que tenha o seu perfil.

“Pode ser que, nessa reflexão honesta, seja muito útil contar com as impressões de quem lhe conhece de perto, e você venha a descobrir que precisa de mudança. Afinal, mais do que um emprego, precisamos encontrar a nossa vocação, ouvindo atentamente nossa voz interior, aquilo que somos autenticamente, pois podemos utilizar melhor os nossos talentos para realizar algo realmente significativo”, aconselha Roberto, “vale a pena prestar atenção na história de sua vida, em quem você era, e o que fez que lhe trouxe satisfação e reconhecimento no passado, ou até o que lhe traz gratificação pessoal fora da empresa. Boa parte de nossos problemas na profissão decorrem de não nos conhecermos bem, e daí procuramos desempenhar papéis que não combinam conosco”.

Priscila ressalta, ainda, que trabalhar para os outros não envolve cargos de pouco prestígio e que as pessoas estão, cada vez mais, assumindo as suas profissões e vocações. “Cargos de diretores, presidentes, gerentes são, por exemplo, muito prestigiados. É possível ter prestígio de ambos os lados. Mas, mesmo com relação a esses casos, tenho percebido que antes havia o paradigma que todo mundo queria crescer verticalmente, ser gerente, diretor, coordenador, enfim, ter um cargo de liderança. Hoje, começo a perceber que nem todos têm esse mesmo sonho. Às vezes não almejam ser líderes, e sim o especialista, o nome da sua área. As pessoas estão querendo crescer horizontalmente também.”

Leia mais sobre:
Artigos Relacionados:
Random Posts