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04/03/2009 - PROFISSÃO: ATLETA

 

Viviane Macedo


Condicionamento físico, responsabilidade, garra e uma boa dose de otimismo – sim, essas características são muito importantes para quem quer ser um atleta profissional. Mas há algo igualmente indispensável: amar o que faz, ser apaixonado pelo esporte escolhido. “Sem ser apaixonado, não adianta! Se não, a pessoa vai investir um tempo e depois desistir”, afirma o medalhista olímpico José Montanaro Jr., prata com o vôlei brasileiro nos Jogos de Los Angeles-1984.

Mas essa paixão pelo esporte precisa vir acompanhada de muito preparo e capacitação. “Para dar certo, a pessoa tem de se preparar, buscar capacitação, estudar, praticar, estagiar, reunir todo tipo de capacitação. Com isso, a oportunidade surge”, complementa Montanaro, atual dirigente da equipe de vôlei do Santander / São Bernardo.

Para Milton Cruz, auxiliar-técnico do São Paulo Futebol Clube, além dessas características, existe algo essencial para quem quer seguir a carreira esportiva. “Ter perseverança, isso é fundamental. Colocar na cabeça que vai conseguir, que vai ser um profissional de alto nível e ir em busca da realização desse sonho. Ele acontece”, garante Cruz, que foi medalha de prata com a Seleção Brasileira de futebol nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984.

O DIA-A-DIA

Quem pensa que o dia-a-dia de atleta é fácil está muito enganado. São horas e horas de treinos pesados e cobrança de todos os lados. Milton Cruz conta que para entrar em campo e jogar 90 minutos, por exemplo, o atleta tem de estar muito bem preparado. “Eles acordam cedo para treinar, têm muitas viagens, ficam longe da família, passam muito tempo viajando, concentrados. E claro que isso é desgastante. Tem de ter dom e gostar muito mesmo”, afirma o ex-jogador.

E com tanto treinamento, exercícios e mais exercícios, não sentir dor é uma missão quase que impossível. O atleta também precisa se adaptar a isso. “Eles têm de treinar e até mesmo jogar com muitas dores, mas é natural e é preciso superar essa dor para se sair bem na hora do jogo”, diz Montanaro, que faz um paralelo entre o esporte e o mundo corporativo. “Assim como nas empresas, o jogador é extremamente exigido. Quem paga quer receber o melhor, e esse é o desafio do atleta. Ele está sempre no limite”, conta.

Além do árduo treinamento, o dia-a-dia dos esportistas é feito de mudanças. “O atleta tem de ter facilidade para se adaptar às mudanças de cultura, de País, cidade, Estado”, observa Montanaro.

O INÍCIO DA CARREIRA

O início da carreira de um atleta profissional ainda é muito difícil, mas o cenário é bem melhor do que há alguns anos. Conciliar os treinos com estudos, com outra atuação remunerada e conviver com a descrença de muitos sobre as possibilidades de perseverar na carreira esportiva são alguns desafios que qualquer atleta enfrenta desde o início. “O começo é sempre muito complicado. Tem a questão do dinheiro, a possibilidade de não dar certo… Mas isso não pode ser motivo para desistir desse sonho”, aconselha Montanaro.

Segundo ele, os “nãos” no caminho também devem servir de estímulo para buscar ser melhor. “O Cafu [jogador do Milan, da Itália, e capitão da Seleção Brasileira campeã na Copa do Mundo de 2002] é um exemplo claro disso: recebeu dez nãos antes de passar na primeira peneira. Eu mesmo recebi nãos. Eles fazem parte do caminho”, afirma.

E a palavra “desistir” realmente não combina com a palavra “atleta”. Montanaro não tem dúvidas disso. “Quem tem o dom não pode deixar que os desafios sejam limites. Ser um atleta é gratificante e ser reconhecido por isso é melhor ainda”, garante.

PALAVRAS DOS CAMPEÕES

Milton Cruz e Montanaro são exemplos de atletas de sucesso. Ambos foram, e continuam sendo, bem-sucedidos na carreira esportiva. Por isso, eles deixam um recado para os novos e futuros atletas do Brasil.

“O esporte é feito de fases: vai ter fases em que você vai jogar muito bem e fases em que você vai jogar mal… É preciso suportar as cobranças por parte da torcida, da diretoria, da imprensa. O jogador de futebol hoje ganha bem, mas não se engane: não é fácil ser um atleta profissional”, diz Milton Cruz.

E Montanaro finaliza. “Faça você mesmo a sua escolha e que ela seja algo que você realmente goste. E nunca esqueça: qualquer coisa que for fazer, que seja de coração, com disciplina e entusiasmo.”

*Consulte currículos da área de Esportes.

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