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03/03/2009 - PROFISSÃO: SOLDADO

 

Daniel Limas

Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, é conhecido como o Patrono do Exército Brasileiro e um dos mais importantes militares e estadistas da História do Brasil, responsável por importantes ações militares pacificadoras em movimentos revoltosos internos. No dia de seu nascimento, 25 de agosto, comemora-se o Dia do Soldado.

Para homenageá-los, vamos traçar um perfil desta profissão, que exige, acima de tudo, disciplina, organização, solidariedade e perseverança.

Para sintetizar: soldados são militares sem graduação. Eles podem atuar no Exército, Aeronáutica, Marinha ou nas Polícias Militares dos Estados brasileiros. A seguir, confira um pouco sobre a rotina de soldados que atuam na Polícia Militar e no Exército.

POLÍCIA MILITAR

Para começar, o interessado deve prestar concurso público. E, em cada Estado, há datas, prazos, critérios e formas de atuação distintas.

Em fevereiro deste ano, por exemplo, teve início um concurso público para o curso de formação de soldados pela Polícia Militar de Minas Gerais. Na ocasião, eram 2.152 vagas para homens e 238 vagas para mulheres. Para se candidatar, os requisitos necessários eram:

  • Ter concluído o segundo grau, ou equivalente;
  • Ter no mínimo 18 anos e no máximo 30 anos, completos até o dia 9 de fevereiro de 2009 (data prevista para o início do curso);
  • Altura mínima de 1,60 m.

    Além de todos esses pré-requisitos, existem outras características fundamentais que podem determinar se o soldado será feliz na profissão escolhida, assim como se ele será um bom profissional. “Em primeiro lugar, ter vontade de ser um PM, gostar de ajudar o próximo, ser inteligente, ter agilidade e educação, ser um bom mobilizador e conhecer a comunidade onde trabalha. Assim, as chances de ser um profissional bom e feliz serão grandes”, explica o capitão Gedir Rocha, assessor de imprensa da Polícia Militar de Minas Gerais.

    Ao prestar o concurso e passar, o interessado fará um curso de 12 meses na Academia de Polícia Militar, em Belo Horizonte, onde estudará cerca de 30 matérias. Depois deste período, ele será deslocado para uma das unidades operacionais da PM, onde a equipe o educa para estar ciente que agora ele tem o papel de consultor de segurança. “O soldado deve estar sempre próximo da comunidade para ajudar na resolução de problemas”, explica o capitão.

    Dentre as matérias do curso estão: Direito, Cidadania, Educação Física, Técnica de Redação de Documentos, Ética Policial, Polícia Comunitária, Direitos Humanos e Técnica Policial Militar.

    ONDE ESTE SOLDADO PODERÁ ATUAR?

    Existem várias possibilidades, que variam de acordo com a demanda da Polícia Militar – pode ser policiamento rotineiro, cavalaria, canil, trânsito urbano e rodoviário, além de batalhões especializados. “Pode também trabalhar em qualquer uma das 16 regiões em que nós dividimos o Estado de Minas Gerais”, acrescenta o capitão.

    Após um período de trabalho na rua, dependendo da demanda de cada região, o soldado pode se candidatar a uma vaga nos setores administrativos. Após 10 anos, apresentando um bom comportamento, automaticamente, o soldado pode subir de nível hierárquico, passando para cabo. Ou ele pode fazer cursos para sargento ou oficial.

    A ROTINA

    No início da carreira, o soldado participa de uma série de cursos e treinamentos, com aulas no período da manhã e à tarde. Após este período, o soldado faz um estágio de um ano. Posteriormente, passa a atuar na parte operacional e, dependendo do batalhão, pode fazer turno de seis horas a pé, oito de bicicleta, 12h de viatura ou plantões de 24 horas, em caso de tropas especializadas.

    Todos os dias, antes do início de cada turno, o soldado participa de uma instrução de 30 minutos, que inclui teoria e prática. A cada dois anos, o soldado é obrigado a passar pelo Centro de Treinamento Policial e fazer uma espécie de reciclagem. “É para avaliar sua condição física e de tiro, técnica policial, entre outros detalhes”, explica. O condicionamento também é exigido em treinos freqüentes.

    BENEFÍCIOS DA CARREIRA

    “São inúmeros. Mas, a meu ver, os principais são: o prazer que o contato com a população permite, além claro, de poder salvar e preservar vidas. Pode-se dizer que o soldado é uma espécie de herói”, orgulha-se o capitão. Ele lembra ainda sobre a estabilidade, plano de saúde e oportunidade de galgar postos.

    Para completar, o capitão lembra que a polícia é do povo. “Se queremos ter uma polícia melhor e mais preparada, a população deve ser preparada também. Quero reforçar que o soldado não é formado pela Polícia, mas sim pela sociedade. Se amanhã queremos ter uma polícia mais ética, companheira da sociedade e profissional, devemos ter essas características também na sociedade.”

    EXÉRCITO

    Para ser um soldado, em primeiro lugar é fundamental que o interessado faça o tradicional alistamento militar obrigatório, que deve ser prestado no ano em que se completa 18 anos. Nesta primeira etapa, cerca de 360 mil jovens se inscrevem anualmente. Cerca de 100 mil passam por um primeiro processo de seleção, em que são analisadas as condições corporais, a inteligência, a bagagem cultural e questões que possam impedir que o candidato preste o serviço militar.

    Na parte de bagagem cultural, são avaliados quatro campos do saber humano: linguagem, visão espacial, conhecimento matemático e lógica. “Não há respostas certas ou erradas, há respostas que indicam o raciocínio da pessoa e indicam em que área do Exército ele pode melhor se encaixar”, explica o major Segatti, do Serviço Militar Regional de São Paulo. O militar acrescenta que ser arrimo de família ou principal fonte de renda da casa são possíveis impeditivos para o alistamento. “A não ser que o jovem queira e sonhe muito em seguir a carreira.”

    Na fase mais aguda de seleção, cerca de 50 mil são considerados aptos. Destes, apenas 20 mil serão distribuídos para os quartéis das três Armas: Exército, Aeronáutica e Marinha. Os outros 30 mil fazem parte do chamado Excesso de Contingente. Uma nova seleção complementar é feita para avaliar teste de saúde e outros detalhes. Agora, restam 10 mil.

    Para aqueles que passaram por esta longa jornada de testes, a vida nos quartéis começa agora. Antes disso, porém, muitos podem se perguntar sobre a conhecida rotina militar, hierarquia e rigidez. Major Segatti explica que essa é uma questão rápida de adaptação. “Os jovens que não estão acostumados à nossa rotina acabam se adaptando. É muito difícil alguém não adaptar após um mês. No início, há um choque, claro, pois há várias regras e horários para dormir, acordar, comer.”

    A ROTINA

    O major explica que a rotina pode variar em cada local de atuação. “No nosso caso, ao chegar ao Exército, o jovem passa quatro semanas em regime de internato. Ele entra na segunda e sai na sexta ou sábado.” Nessa ocasião, ele vive todo o ciclo de atividades do quartel: “Dorme, acorda, toma café da manhã, apresenta-se para o superior hierárquico, recebe as ordens, a farda é passada em revista e recebe nova instrução. Almoça, assiste à nova instrução. Às 17h ele pode tomar banho e depois jantar. À noite, há mais instrução e às 22h todos têm de estar na cama, dormindo ou não”, explica.

    Nessas instruções militares, que duram nove semanas, o soldado recebe aprendizado sobre ordem unida, armamento, hierarquia, reconhecimento das insígnias, postos e patentes militares, regulamentos e serviços internos. Aprende também sobre topografia militar, comunicação militar (rádio e telefones de campanha), técnicas especiais do combatente (como rastejar, vencer obstáculos, camuflagem), entre outros temas.

    Depois de concluída esta etapa, o soldado passa por uma qualificação individual de 11 semanas. “É onde ele recebe informações sobre a área em que vai atuar. Por exemplo: se for trabalhar na artilharia, aprende com mais ênfase as técnicas de tiro. Se ele for para o pelotão de infantaria, o soldado vai aprender a operar instrumentos e armamentos”. E até o final do período de alistamento militar, em dezembro, ele será treinado para atuação em conjunto com os demais.

    E o que acontece com o soldado após o período de alistamento? “O interessado pode ou não continuar no serviço militar. Ele pode optar por ser voluntário ou ser um engajado, que é como nós chamamos aqueles que anualmente renovam o contrato de serviço”, conta o major. Esta última modalidade de trabalho permite ser renovada por no máximo sete anos. Ela é remunerada e o engajado tem como obrigação permanecer por seis meses, no mínimo, em cada prorrogação, antes partir para a vida civil.

    Para aqueles que desejam seguir a carreira militar, o major ressalta que é necessário prestar concurso público. Além disso, é muito importante que o interessado estude em um dos 12 colégios militares do Brasil. “É nessas escolas que o aluno vai reforçar as virtudes desejadas de um bom militar: disciplina, organização, solidariedade, perseverança, entusiasmo, coragem, bravura, por exemplo. Essas características são os pilares e a razão de ser da instituição“, conclui.

    INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

    Para conhecer um pouco mais sobre as escolas militares, há uma página específica para isso no portal do governo brasileiro. Clique aqui para acessar.

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