Sérgio zimerman: os desafios de um empreendedor - - 372ª Edição
 

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15 de maio de 2009
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Entrevista
Sérgio Zimerman: os desafios de um empreendedor


Daniel Limas

Sérgio Zimerman pode ser simplesmente caracterizado como um empreendedor nato. Hoje, ele é o coordenador geral do Pet Center Marginal, uma rede de megalojas de Pet Shops, hoje com seis lojas próprias: cinco na Grande São Paulo, Capital (Marginal Tietê e Ipiranga), Mogi das Cruzes, São Bernardo do Campo e Alphaville/Barueri e mais uma instalada no interior paulista, na cidade de Campinas.

Ainda adolescente, pensou em ser técnico em edificações, mas decidiu abrir seu próprio negócio, pois não conseguia se imaginar funcionário de ninguém. Junto com sua namorada, hoje esposa, decidiu trabalhar com animação de festas de criança. Com dificuldades causadas pelas circunstâncias econômicas da época, resolveu abrir uma adega, que logo cresceu e virou um grande atacado.

Apesar de ter crescido muito, novos problemas surgiram e a empresa, na época com 600 funcionários, acabou quebrando. Resiliente, não se deixou abater, resolveu entender os motivos da quebra e foi estudar. Pouco tempo depois, percebeu que faltavam pet shops especializados e com gestão profissional. Inovou e abriu a primeira das seis lojas do Pet Center Marginal. Seu segredo ainda está em manter uma proximidade com seus clientes e estar atento às vontades e necessidades desse público que trata seus animais como integrantes da família.

Formado em Administração pela Unip, o executivo também fez MBA de Varejo na Fia/Usp e duas extensões internacionais de curta duração de Varejo Internacional, na Europa e Estados Unidos. Conheça um pouco sobre o perfil e a experiência de Sergio Zimerman, um empreendedor nato.

O que você pretendia e o que desejava fazer no início da sua carreira profissional?
Quando tinha 18 anos conclui um curso técnico em edificações e pretendia trabalhar na área de construção. O engraçado é que já naquela época, com aquela idade e no auge da juventude, eu não me via trabalhando para terceiros e já sonhava com meu próprio negócio. E, como para ser meu próprio patrão precisava montar uma construtora, o que exige muito dinheiro, comecei com o que apareceu mais à mão e que não exigia, de imediato, muito capital: trabalhar com a minha namorada, hoje esposa, com animação de festa infantil. Mas, o plano Sunab dificultava a compra de bebidas para as festas, o que fez com eu abrisse uma pequena adega, do tamanho de uma garagem, o que acabou revelando o meu lado empreendedor.

E depois, o que aconteceu com esse negócio?
Da garagem, a adega passou a ocupar um galpão ao lado, e se transformou em um atacado, que continuou crescendo muito. Chegou a ter quatro unidades e 600 funcionários. Mas em um dado momento começamos a ter resultados negativos. Adiamos mudanças e a situação foi se agravando, até que quebrou.

Muitos empreendedores acabam se abatendo nesse momento. O que você fez para superar essa crise?
Pode realmente ser muito traumática para muitos. Mas, dessa experiência, eu tirei a maior lição da minha vida: eu tinha um lado empreendedor muito forte, mas precisava desenvolver o meu lado de administrador. Daí, parti para fazer curso de Administração na Unip, seguido de um MBA de Varejo na Fia/Usp, seguidos de duas extensões internacionais de curta duração de Varejo Internacional, na Europa e Estados Unidos.

Como surgiu a idéia de montar o Pet Center Marginal?
Quando finalizei o meu projeto da distribuidora, comecei a pesquisar outro empreendimento. Resolvi apostar no ponto da Marginal Tietê, que tinha passado por uma reforma, para o próximo negócio. A primeira idéia que me passou pela cabeça foi abrir uma megaloja de brinquedos, perfumaria ou petshop. Fui desaconselhado pelos próprios representantes das fábricas das duas primeiras opções. Comecei a pesquisar o mercado pet e descobri que não havia megalojas do setor pet unindo produtos e serviços. Três meses depois do fim da distribuidora, eu já estava montando a primeira loja do Grupo Pet Center Marginal, localizada na Marginal Tietê. A inauguração foi em agosto em 2002.

Por que resolveu apostar nesse mercado?
Ao pesquisar o mercado, cheguei à conclusão de que era um mercado saturado quantitativamente, com mais de 25 mil pequenas lojas administradas pelo dono e pela família, geralmente de uma maneira muito empírica e pouco profissional. Mas, notei que havia uma carência em qualidade. Vi que era um mundo gritando por novas ideias, por ideias de impacto, que transformassem a ida ao pet shop em um passeio ao shopping, algo prazeroso para quem tivesse bichos de estimação. Nesse projeto, pude contar com o apoio de um grupo de investidores que acreditaram nas minhas ideias.

Enfrentou algum momento de dificuldade?
Como na grande maioria dos negócios, os momentos mais delicados foram justamente os primeiros meses, principalmente os primeiros dias. A cena ainda está bem viva na minha cabeça: em um final de semana, às 17h, horário que pressupúnhamos que seria uma hora de pico, não havia um único carro no nosso estacionamento. Na semana seguinte, partimos para uma estratégia de investir em mídia, fazendo anúncios e apresentação de adestradores famosos. Sempre acreditei que a propaganda é a alma do negócio. Às vezes, o que faturávamos em uma semana, era investido em espaços na mídia.

Em algum momento chegou a pensar em desistir?
Desistir é um verbo que existe no meu dicionário apenas para consulta, jamais para ser praticado. Minhas crenças no sucesso da loja se renovavam a cada dia, principalmente ao ver que os números, apesar de modestos, sempre apontavam para cima, sempre estavam em crescimento. Não me apegava ao fato de que estava crescendo pouco, muito pouco, mas, sim, que estava crescendo, e isso era uma coisa para ser comemorada a cada dia. Sabia que se conquistássemos o consumidor que possuía seu bichinho de estimação, esses números modestos logo cresceriam. Nunca perdi meu tempo em queixas, choramingando: minha energia sempre foi canalizada para o alto astral, para a animação, para acreditar que estava indo para a frente e no caminho certo.

Quais são as principais características que um empreendedor, como você, deve ter?
Nessa hora eu penso sempre em características que, para mim como empreendedor, tem funcionado: arrojo, determinação, paciência, criatividade e inovação, que é algo que nasce justamente da fusão das outras quatro características. A história de grandes empreendedores, daqui ou de fora, mostra que às vezes a inovação pode assustar um pouco num primeiro momento, mas logo que o consumidor aceita, absorve a idéia e sempre se mostra disposto a incorporá-la aos seus hábitos de consumo.

Como é este mercado hoje? Está aquecido? Quais são os consumidores? O que eles buscam?
Hoje, com os seus 35 milhões de cães e 15 milhões de gatos, o mercado brasileiro de pets é um gigante em números de bichos, ocupando o segundo lugar mundial do setor, atrás apenas dos Estados Unidos. Porém, ainda tem muito a crescer: é um setor que desde 2003 cresce a taxas entre 5 e 10% ao ano. Para se ter idéia, em 2007, os produtos para os bichinhos de estimação movimentaram a quantia de US$ 4,1 bilhões no país. É nada perto do faturamento mundial: só a rede de megalojas Pet Smart fatura isso sozinha por ano. Nossos consumidores são, antes de mais nada, pessoas que amam seus animais de estimação e os tratam verdadeiramente com o mesmo respeito que dão aos demais membros da família. Por esta razão estão sempre em busca do que de há de melhor para oferecer aos seus amiguinhos de quatro patas.

Este mercado mudou muito nos últimos anos?
Aconteceram mudanças profundas nesse mercado nos últimos anos porque o consumidor também mudou muito, está muito mais bem informado e mais exigente. Outro fator que ajudou nessas transformações foi o relacionamento cada vez mais próximo e amoroso entre o dono e o seu animal de estimação. Hoje, o consumidor se preocupa muito mais com o mix de produtos dirigidos aos pets, sua qualidade, assim como também uma exigência maior quanto aos serviços prestados e a apresentação da loja.

O que vocês fazem para atender as necessidades desses consumidores?
Somos uma empresa de relacionamentos que procura estar o mais próximo possível dos nossos consumidores. Procuramos registrar cada cliente, criar eventos que promovam uma interação ainda maior entre esses consumidores e seus filhos, com seus pets. Chegamos a detalhes como montar um estúdio fotográfico dentro da própria loja para que o consumidor que quiser o serviço possa fazer um book especial do seu animal, com o mesmo capricho e profissionalismo com que são feitos os books das modelos profissionais. Para isso, contratamos o pioneiro fotógrafo especializado em pets. Então a nossa filosofia é esta – se o cliente pensou num serviço há duas hipóteses: ou nós já o temos implantado ou vamos implantá-lo no mais breve espaço de tempo.

Costumo dizer também que as lojas do Pet Center Marginal podem ser definidas com ‘Lojas de Relacionamentos’, pela maneira com que conduzimos o nosso negócio, sempre tendo como prioridade absoluta o relacionamento com o cliente. Parece mais um clichê comercial, dito muitas vezes com pouco ou nenhum sentido. Mas, se você passar duas ou três horas dentro de uma loja, vai entender perfeitamente o espírito disso. Não falamos em preço ou liquidação, dizemos sempre: “venha passear na Pet Center Marginal”, o que é um conceito absolutamente inovador em matéria de varejo. Não canso de repetir que conseguimos unir o charme do relacionamento da empresa pequena com as facilidades oferecidas por uma empresa grande.

Qual a importância de projetos sociais nessa área?
São muito importantes, eu diria até que imprescindíveis. Temos, por exemplo, o projeto “Eu Alimento Animal Carente”, programa especial da empresa dirigido a animais que já foram desassistidos até serem adotados por ONGs. Assim, dentro desse projeto, parte de toda ração vendida pelo Pet Center Marginal é doada para essas mesmas ONGs participantes do projeto. Temos ainda o projeto “Meu Novo Amigo”, onde a empresa cede espaço, infra-estrutura e divulgação na mídia para a realização de Feiras de Adoção em todas as suas lojas.

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