Érica Nacarato
Essencial em praticamente todas as empresas, com o papel fundamental no crescimento de lucros e redução de custos operacionais, a área de TI é, hoje, parte do negócio em si e não mais um departamento isolado. Com isso, os profissionais tiveram que se adequar às exigências de mercado, e adquirir conhecimentos e habilidade que antes não possuíam. “Além de um bom planejamento e organização, é necessário ser bom negociador, com bons conhecimentos de técnicas de negociação para sistematizar processos de fechamento de negócios ou acordos no projeto”, sintetiza Viviane Batista, gestora de Capital Intelectual da Benner Sistemas, fornecedora catarinense de software de gestão.
Diretor e editor da TI INSIDE, noticiário diário e atualizado sobre negócios em TI, e jornalista especializado em informática com mais de 30 anos de experiência, Claudiney Santos, acredita que a evolução tecnológica ampliou não só o mercado de trabalho, como também mudou a forma de se trabalhar, por exemplo, com o surgimento, do processador de texto e a internet. “Hoje, o mercado está demandando profissionais com foco em tecnologia e negócios digitais. Os profissionais mais requisitados em desenvolvimento de tecnologia são para Java, Ágil, Azure, ferramentas web, etc. Na área de negócios digitais, profissionais de marketing, estratégia envolvendo web 2.0, redes sociais, tecnologias móveis”, explica o jornalista.
Qualificações técnicas mais maturidade e experiência de vida, são as características necessárias para um bom profissional de TI, segundo Thiago Christensen, Gerente de Projetos e da Área de Pessoas da IBM, que atua no mercado de TI há mais de 10 anos. Para ele, há espaço para todos os perfis de profissionais, cabendo à empresa escolher o que mais se encaixa em seu ambiente. “Umas preferem uma pessoa mais jovem e agressiva, enquanto outras, profissionais mais maduros e estáveis emocionalmente, tudo isso, somado às exigências que já são padrões na área, como por exemplo, o inglês, que é a língua básica exigida, entretanto, é preciso saber outro idioma, que vai depender da empresa onde o profissional vá atuar”.
No caso da Bunge, por exemplo, cujo segmento é tecnologia voltada para o negócio dos clientes, atuando com sistemas de gestões, é importante que o profissional tenha conhecimentos de conceitos de administração, uma vez que a tecnologia não é meio e, sim, fim, como explica Viviane: “é necessário ter um ótimo conhecimento de tecnologias a serem utilizadas, mas é fundamental saber detalhes do negócio, dominando conceitos de administração como finanças e contabilidade. Também, se inserir no contexto profissional com diplomacia, respeitando a diversidade, ouvindo com respeito e considerando as opiniões dos outros. Além disso, é necessário saber lidar com os percalços da vida e os desafios profissionais sem ser atingido pelo desânimo. Tudo isso pautado na ética e com muito trabalho em equipe. Deve-se visar o desenvolvimento em equipe e não só individual. No âmbito processual, o profissional tem que ter a capacidade de se alinhar às estratégias macro da empresa. É necessário que a tecnologia contribua com benefícios para a estratégia do cliente”.
Terceirização dos profissionais
O outsourcing de serviços de TI é muito utilizado por empresas de todos os portes, principalmente porque a área passa por mudanças constantes e é muito difícil encontrar um profissional especialista em todas as tecnologias e informações. Entretanto, para Claudiney a principal explicação para a terceirização de profissionais da área é a redução dos custos. “Além de ficar mais barato, há maior flexibilidade em atender demandas, acesso mais rápido às novas tecnologias, e a possibilidade de liberar o executivo de TI para se dedicar às atividades finais da empresa, entre outros. O profissional, por sua vez, prefere um salário maior, independente da condição trabalhista, o que se convencionou chamar de CLT flex”.
Thiago também acredita que a questão financeira pesa mais na hora de terceirizar ou não um profissional de tecnologia da informação: “tem muita coisa em jogo, pode ser motivo estratégico ou financeiro. Mas geralmente é a segunda opção, já que é mais caro contratar um profissional CLT do que contratar um terceirizado. Mas dependendo da empresa, é preciso sim ter profissionais contratados, porque passa segurança, o cliente estará lidando com a empresa em si”.
E o futuro?
A velocidade de mudança é uma característica muito forte no segmento de Tecnologia da Informação; e, hoje, não há uma área que não dependa de tecnologia. Como as novidades são muitas e não param de surgir inovações, o profissional precisa buscar a sua atualização constantemente.
As principais novidades da área para Viviane Batista são: a preocupação com a sustentabilidade, além de novas ferramentas criadas pela Microsoft, e movimentações de fusão e aquisição: “O SaaS (software como serviço) já é uma realidade praticada por muitas empresas e, no momento, a TI Verde passa a vigorar como um dos pré-requisitos nas compras de TI. Serão diferenciais os produtos e serviços que respeitem o meio ambiente. Em relação a processos de trabalho, tem aumentado a difusão do emprego de metodologias ágeis, ainda de forma incipiente, porém evoluindo em maturidade. Já sobre ferramentas, a Microsoft tem feito liberações importantes, tais como evolução da tecnologia de virtualização, novo sistema operacional para desktops e nova versão do plugin Silverlight para interface rica na Internet, e está trabalhando em outras liberações importantes, tais como nova versão da ferramenta de desenvolvimento Visual Studio, do framework NET, do Office e do SharePoint”, conta a executiva, “outra movimentação importante é o anúncio da intenção de compra da Sun pela Oracle, que posicionaria a Oracle como fornecedora do stack completo, desde hardware, sistema operacional, middleware, banco de dados, aplicativos e serviços, além de transferir o controle da plataforma Java”.
Entretanto, sendo uma área em constante transformação, fazer uma previsão é um tanto quanto complicado e difícil, como explica Claudiney: “na área de TI é sempre difícil fazer previsões, mas soluções de reconhecimento e comando por voz irão mudar a forma das pessoas se relacionarem com a tecnologia; e a comunicação máquina-máquina passará a comandar os dispositivos inteligentes”.
Porém, Viviane arrisca alguns palpites: “veremos uma mudança dos aplicativos, utilizando intensamente a Internet, com interface rica e empregando técnicas de composição (mashup) para criar novos aplicativos a partir de outros existentes. Esta nova geração de aplicativos também será influenciada pela mudança de atitude dos usuários, que desejam trabalhar de forma cooperativa. Na esfera do desenvolvimento de software, veremos um fortalecimento de características de linguagens funcionais sendo assimiladas pelas linguagens das plataformas NET e Java. Sobre a infraestrutura, teremos a maturidade da tecnologia “fabric”, que permitirá compor servidores sob demanda a partir de componentes básicos como processadores, memória e I/O”.
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