Sempre que atuo como professor de MBA, as perguntas que os alunos fazem empre são:
Estou realmente melhorando o meu diferencial competitivo?
O tema deste MBA realmente é o melhor para a minha carreira?
A empresa em que trabalho está financiando meu curso; ela terá retorno do dinheiro investido?
Os conhecimentos e competências que estou adquirindo são adequados para fazer frente aos atuais desafios do mercado? A instituição que oferece o curso é centro de excelência com tradição de nesta área?
As respostas são complexas e passam pelas capacidades pessoais do aluno, mas alguns pontos devem ser analisados. As mudanças que atualmente ocorrem estão transformando o mundo para sempre e, em particular, o mundo dos negócios e o modo como produzimos bens e serviços. O ciclo de vida de um produto está cada vez menor, podendo chegar, em alguns casos, a meses ou semanas. As encomendas são cada vez menores, tendendo à unidade. Então, como é possível desenvolver processos que otimizem a qualidade, a produtividade e o custo num ambiente com estas características?
Percebe-se, portanto, que os profissionais envolvidos com esta realidade têm obrigação de adquirir os conhecimentos técnicos e administrativos necessários para não só poder realizar suas tarefas, mas para também inovar e ficar além da concorrência. Necessitamos de sistemas mais flexíveis e dinâmicos. Temos que controlar e melhorar os processos de produção enquanto produzirmos com mais flexibilidade, livre de defeitos e a um custo menor.
Neste contexto, a administração de atividades produtivas, que no passado merecia pouca atenção da gerência da empresa e raramente era levada em conta nas estratégias do negócio, no marketing e no desenvolvimento do produto, assume hoje um papel vital no sucesso do negócio.
A gestão de operações é hoje um campo interdisciplinar de investigações relacionado à arquitetura, ao planejamento, à operação e ao controle de sistemas de operações. Atualmente, os termos produção e operações estão, de certa maneira, superpostos. Lidamos em sistemas operacionais não somente com a criação de bens, mas também de serviços. Dentro deste enfoque, compete à gestão de operações o projeto, a implantação, a operação, a melhoria e a manutenção de sistemas produtivos integrados de bens e serviços, envolvendo pessoas, materiais, tecnologia, informação e energia.
A gestão de operações tem responsabilidade sob todas as atividades da organização que contribuem para a produção de bens e serviços. Algumas destas responsabilidades são diretas, isto é, ocorrem dentro das fronteiras tradicionais da função de produção, como o planejamento e o controle da produção. Outras responsabilidades são indiretas e interagem com outras funções da organização.
Por mais eficientes que a empresa e o profissional sejam, para se conseguir a liderança neste mundo de rápidas mudanças requer-se dele a habilidade de fazer as coisas acontecerem. Você tem que saber quando e onde aplicar os conceitos para atingir as metas da organização.
Desta forma, a escola que você escolher para seu aprendizado deve ter, além de uma tradição de ensino, um programa que leve os alunos a serem pró-ativos, ou seja, que possibilite uma melhora da capacidade de aplicar os modelos aprendidos de forma a fazer primeiro, melhor e mais barato.
Atualmente, o nosso país busca autonomia nos planos político, econômico e tecnológico. A consecução destes objetivos passa pela organização das empresas para competirem nos mercados internacionais, assim, a dinâmica do desenvolvimento industrial gerou a necessidade de um profissional com visão integrada ao sistema de produção que, a partir de uma sólida base conceitual, numa postura crítica e criativa, possa gerar novos modelos e sistemas, necessários a uma realidade em constante evolução.
Roberto Gilioli Rotondaro é professor do departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da USP e coordenador do MBA Gestão de Operações da Fundação Vanzolini.