Jornal Carreira & Sucesso - 347ª Edição
 

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16 de maio de 2008
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Vida Executiva
MARKETING PESSOAL: UMA FACA DE DOIS GUMES


Viviane Macedo


Ele pode ser seu melhor amigo ou seu pior inimigo. Pode fazer com que você seja lembrado positivamente pelas pessoas, ou que elas prefiram manter-se a metros de distância. O marketing pessoal, quando mal utilizado, surte efeito contrário e prejudica a carreira de um profissional. Conhecê-lo e saber trabalhar com ele a seu favor é muito importante.


O QUE É?

Marketing pessoal é a arte de vender um produto chamado "Eu". Com ele, você é capaz de posicionar-se no mercado e mostrar suas habilidades, a fim de criar uma percepção positiva nas pessoas a seu respeito. "É uma maneira de se divulgar para promover as próprias competências pessoais e técnicas profissionais junto ao mercado", explica o consultor e palestrante Ari Lima.

Lima afirma que essa prática ganhou força diante da necessidade de os profissionais se promoverem, como já fazem, naturalmente, as empresas. Segundo o consultor, com a instabilidade apresentada pelo mercado é cada vez mais importante apresentar o próprio talento e vender-se como um verdadeiro serviço. "O profissional precisa gerenciar constantemente a própria carreira, porque nada lhe garante que ele vai ter o mesmo emprego para o resto da vida. A qualquer momento, ele ou a empresa podem resolver seguir rumos diferentes, daí a necessidade do marketing pessoal."

Mas não basta achar que você "se vende bem", pois é preciso estudar uma estratégia antes de começar a agir. "É fundamental fazer um planejamento estratégico da sua marca, desse produto que é você, para identificar de que maneira você pode agir para apresentar sua imagem para as pessoas", diz Alexander Baer, consultor de marketing pessoal estratégico.

Para Adriana Oliveira, professora do ICEP - Instituto de Capacitação e Ensino Profissionalizante, esse processo respeita uma seqüência de acontecimentos. Em primeiro lugar, você gera uma lembrança nas pessoas. A partir dessa lembrança, elas passam a ter um sentimento sobre você. Por fim, as pessoas adotam atitudes que podem privilegiá-lo.

"O marketing pessoal deve começar por meio do despertar da percepção desses elementos. Atuar na sociedade de maneira planejada, ou seja, programando a atitude que queremos que as pessoas ao nosso redor tenham em relação a nós", explica a professora Adriana.


E COMO NÃO SE TORNAR UM CHATO?

Marketing pessoal é um tema muito delicado, no qual uma atitude impensada pode causar resistência e antipatia nas pessoas - um perigo é acabar caindo na autopromoção. O cuidado deve ser redobrado, pois há uma linha muito tênue entre o marketing pessoal e a inconveniência.

Essa situação acontece, muitas vezes, sem que o indivíduo perceba, pois para ele já se tornou comum abordar as pessoas e tentar falar sobre suas conquistas, dar um cartão de visitas e se apresentar. Dependendo da abordagem, porém, a percepção das outras pessoas pode ser justamente oposta à pretendida pelo marketeiro pessoal. Tentar chamar a atenção a qualquer custo faz com que o profissional, inevitavelmente, caia na armadilha da autopromoção.

"A pessoa começa a fazer tudo para se divulgar e acha que é o centro das atenções. Não vê, ouve ou percebe as outras pessoas. E isso não é marketing pessoal. O tiro sai pela culatra porque as pessoas têm a percepção do chato, do exibido. Em vez de ser positivo, acaba sendo extremamente negativo para o profissional", diz Alexander.

Para não cometer esse erro, Adriana alerta que é preciso prestar muita atenção na reação das pessoas que estão em volta. "As reações podem ser fortes ou sutis em relação às nossas atitudes. Elas podem, por exemplo, se afastar, mudar de assunto, chamar outros para compor a conversa ou mesmo calar-se. Dá para se ter um termômetro do quanto estamos sendo agradáveis ou não", garante.


BONS RESULTADOS

Quando o profissional passa a ter uma visão mais panorâmica e abrangente, e entende que marketing pessoal não é (e nem pode ser) apelativo, ele começa a colher bons resultados com a prática. "Quando você faz um bom plano de marketing, se apresenta ao mercado, mostra suas competências e a sua capacidade de uma forma sutil, a história muda. Não é mais você que vai buscar as pessoas, mas elas que vêm até você", diz Lima.

E Baer finaliza. "O marketing pessoal estratégico traz conquistas não só na vida profissional, mas também na área pessoal. É preciso definir suas diretrizes para projetar sua imagem no mundo e, mais do que isso, se ver no futuro obtendo os resultados definidos e alcançando os sonhos."

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