? Salário, benefícios, porte e nome da empresa, qualidade de vida ou possibilidades de crescimento? Cada um tem uma razão para aceitar ou rejeitar o convite. Mas, segundo especialistas, muitos esquecem de se perguntar por que estão procurando novas propostas do mercado, o que esperam da carreira e o quanto cada uma dessas coisas representa em suas vidas. Agindo dessa forma, muitos optam por trocar de empresa pensando apenas no hoje e nem sempre têm uma visão geral, a médio e longo prazo.
Essa observação dos consultores pode ser confirmada na pesquisa "A Contratação, A Demissão e a Carreira dos Profissionais Brasileiros", estudo exclusivo da Catho Online.
A pesquisa, que ouviu mais de 12 mil executivos, revelou que perspectivas de crescimento (36%) são o que mais motivam profissionais a mudarem de emprego. Por outro lado, a necessidade de manter-se ativo no mercado refletiu nas respostas de 18,54% dos entrevistados, que declararam ter aceitado a última proposta de emprego por pura "falta de opção".
Para Renato Hirata, diretor da Hirata Consultores, todas essas razões são válidas, mas não o suficiente para decidir sobre uma proposta de emprego. Ele considera que o mais importante é ter um objetivo traçado para os próximos anos - e sempre levar em conta esses objetivos na hora de decidir. "A primeira coisa que o profissional tem de saber é o que ele quer da vida para, no mínimo, os próximos cinco anos. Esse desenho tem a ver com remuneração, com qualidade de vida, com competências que ele pretende desenvolver. Enfim, com tudo que ele considera importante para a carreira e para a vida", explica.
A professora Irene Azevedo, que ensina liderança na BBS – Brazilian Business School, complementa o pensamento de Hirata. Para ela, é inconcebível aceitar uma proposta apenas por querer mudar de empresa ou por supor que a outra é melhor. Ela acredita que o profissional precisa conhecer o motivo pelo qual quer essa mudança. "Nós só devemos fazer grandes mudanças quando não temos mais nada para aprender na empresa onde estamos ou quando estamos fazendo algo que não nos apetece", diz. Na opinião dela, essas são as duas principais motivações que alguém deve ter para mudar de emprego.
OS ERROS MAIS FREQUENTES
Pensar apenas em questões relacionadas à remuneração é, segundo o consultor de carreira Rogério Martins, um dos erros mais cometidos pelos profissionais. "Trocar de emprego pensando no salário é muito comum e, por isso, há tanta desmotivação depois da mudança", observa. Ele destaca que o profissional precisa investir mais na carreira - ou seja, preparar seu desenvolvimento profissional visando metas de médio e longo prazo. Afinal, nem sempre a oferta momentânea de um salário melhor está na empresa que vai proporcionar esse crescimento e desenvolvimento de carreira.
Hirata enxerga outro erro, que é reflexo do imediatismo do brasileiro: não saber desenhar uma carreira pensando no futuro. Para ele, esse é um equívoco crucial. "Tomar uma decisão pela vida atual é o pior erro que existe. O que muitos profissionais não conseguem enxergar é que eles mesmos não sabem o que querem para o futuro e o que estão procurando", comenta Hirata.
NÃO SE TORNE VULNERÁVEL
O desemprego é o grande vilão de qualquer profissional e, por causa dele, muitos aceitam a primeira oportunidade que aparece, como observado na pesquisa da Catho Online. Resultado: insatisfação e infelicidade no trabalho. "É fundamental ter calma para não cair na tentação de pegar o primeiro emprego que aparecer. Descobrir que não era o que imaginava é muito comum", alerta Martins.
É importante lembrar que a decisão não tem de partir apenas da empresa, mas também e igualmente do profissional que vai preencher a vaga. E para se portar positivamente, mesmo estando desempregado, é necessário traçar objetivos. "Os cuidados de uma pessoa desempregada devem ser os mesmos daquelas outras que estão no mercado. A diferença é que quando a pessoa está desempregada ela fica ansiosa para conseguir logo uma vaga – e, com isso, muitas vezes escolhe errado. É preciso manter a calma e ter bem claro o que está buscando", aconselha Irene.
Mas como manter a calma com as contas vencendo e um monte de responsabilidades na cabeça? "É o que eu sempre aconselho: administre um pouco a sua poupança, porque isso traz poder de negociação, mesmo quando você está desempregado", responde Hirata.
DICAS IMPORTANTES
Os consultores deram dicas importantes de o que fazer antes de dizer "sim" à proposta que recebeu. Pense nas seguintes situações.
Eu estou num momento em que qualidade de vida é mais significante para mim? Ou seja: é importante que o tempo dedicado ao trabalho esteja em equilíbrio com o tempo dedicado a família? Se a resposta for sim, tome a decisão por qualidade de vida, seja onde você estiver ou para onde você decidir ir – independente do lugar que atenda à sua necessidade.
Estou num momento em que preciso ter ascensão profissional? Se esse for o fator crucial na decisão, olhe a grandeza e o potencial de expansão dessa organização no mundo todo. Quando maior a organização, mais espaço você tem para crescer. Então, tome cuidado ao pensar em empresas de menor porte.
Eu quero um clima organizacional melhor? Muita atenção: não mude de emprego pensando que vai encontrar a empresa dos seus sonhos, onde todos são felizes e se dão bem. A maior parte do clima organizacional é de responsabilidade dos próprios colaboradores. Então, antes de decidir mudar de empresa, mude as suas atitudes dentro da organização.
Faça também um "check-list":
Coloque no papel os prós e contras da proposta e da empresa em que está;
Levante o máximo de informações da empresa que está fazendo a proposta;
Busque o máximo de informações sobre a empresa na Internet. Converse com pessoas, funcionários e com o selecionador;
Observe os comentários que são feitos pelas pessoas enquanto espera para uma entrevista;