O grande objetivo de muitos profissionais é alcançar um cargo de liderança. Alguns demoram anos, investem na sua formação e preparam-se para este momento. Outros são pegos de surpresa e acabam tornando-se gestores da equipe da qual faziam parte. Não importa como a liderança aconteça, você está preparado para ela?
O primeiro passo nesta fase de transição de subordinado a gestor deve ser a mudança de postura. Esta é uma tarefa indispensável. Não se trata de mudar de personalidade ou passar a tratar as pessoas de modo frio, é apenas um ajuste que evita comportamentos e atitudes que não condizem com a nova posição. "Aquele que não mudar certos comportamentos e posturas comuns, percebidas como negativas, criará barreiras no relacionamento e na gestão de pessoas. Aquele que, no entanto, alterar certas atitudes, ganhará não apenas na qualidade do convívio, mas no seu próprio desenvolvimento", afirma o psicólogo Armando Correa de Siqueira Neto.
Siqueira Neto ainda sugere algumas perguntas para que o novo líder reflita a respeito:
O que você pensaria se percebesse em seu líder falta de conhecimento sobre a própria área de trabalho?
E se ele tivesse dificuldade de se relacionar com as pessoas?
O que faria se fosse pouca a comunicação com os membros da equipe?
Já pensou se ele tivesse comportamento infantil ou procurasse manter uma intimidade excessiva com a equipe?
E se não fosse ético?
Como ficaria a situação caso ele perseguisse alguns e privilegiasse outros?
Estas são só algumas das questões que o recém-promovido deve considerar. Além disso, vale lembrar que aumentam as responsabilidades, ampliam-se os objetivos e há o advento da liderança em si – tarefa nada fácil para a maioria. A dificuldade certamente será maior caso o profissional não esteja preparado para assumir o posto, levando em consideração suas características psicológicas e sua experiência.
ASSUMA SEU CARGO
Acompanhe algumas dicas simples do psicólogo para fazer a comunicação da sua promoção. Ele também aproveita para dar conselhos sobre como agir em caso de fofoca. Sim, você também precisa aprender a lidar com isso, pois não existe lugar onde ela não aconteça. Afinal, você também não costumava fazer fofoca sobre o seu chefe?
1 - Acertada a sua promoção, o fato deve ser comunicado formalmente. O ideal é que a comunicação seja feita por alguém que detenha posição hierárquica superior.
2 - Ao fazer o pronunciamento, já devem ser especificadas as novas atribuições do recém-empossado e seus alcances.
3 - Realização de acompanhamento acerca do novo convívio. O chefe em escala superior ao recém-empossado deve verificar (observando, ouvindo, interrogando, registrando) os principais eventos decorrentes da nova gestão.
4 - Todo começo de ocupação de cargo, sobretudo de liderança, causa certo furor entre aqueles que convivem diariamente. É tipicamente humano. A questão, porém, pode demandar atenção se atrapalhar a rotina profissional: expor alguém negativamente, causando-lhe constrangimento.
5 - O correto é descobrir a fonte conturbadora e gerenciar a questão: fechando a torneira que pinga (ou jorra) desnecessariamente. Às vezes, mesmo tendo por base o bom trato, a humanização e a boa vontade, são necessárias atitudes mais rigorosas para se ajustar o quadro.
AGORA QUEM MANDA SOU EU!
Para quem se tornou líder de um grupo de pessoas conhecidas ou mesmo do departamento que integrava como subordinado, a situação é ainda mais delicada. "As relações podem ser afetadas pela falta de compreensão acerca da postura adequada que deve existir no chefe, tal como a cobrança. Medo e impasse também aterrorizam muitos líderes, mesmo depois de anos na função", explica Siqueira Neto.
Muitos novos gestores ainda têm medo de ficarem mal falados pelos antigos colegas e atuais subordinados, e por isso podem adotar uma postura muito flexível e compreensiva como forma de defesa. O especialista alerta que a liderança requer novas atitudes e que estas modificam o cenário existente anteriormente. "A maioria das pessoas que chega a novos postos quer manter as boas relações cultivadas, às vezes, ao longo de anos de convívio. Mas, ao ter os pés fincados no chão, a realidade mostra-se outra. Exigências fundamentais do cargo de chefia alteram a situação, que demanda resultado sobre resultados."
Para concluir, Siqueira Neto explica: "A transformação se dá de dentro para fora, haja vista a filosofia da liderança de identificar a confiança (construída com o tempo) como a bem-aventurança das relações bem-sucedidas. Não há mágica. Ilude-se aquele que crê somente na mudança do comportamento externo."