Paternidade ativa e carreira

Mais do que uma data comemorativa, o dia dos pais pode ser uma oportunidade de reflexão sobre a Paternidade Ativa. A naturalização e a incorporação da figura do pai protagonista, cuidador e que chama a responsabilidade para si assumidamente geram vantagens para a vida pessoal e profissional dos homens, além de contribuir com pilares que fortalecem a luta pela igualdade entre os gêneros.

O que é a paternidade ativa?

O movimento de Paternidade Ativa tem ganhado cada vez mais força nos últimos anos e cresce na mesma medida em que outras transformações sociais acontecem: os debates sobre os papéis de gênero, desigualdade entre gêneros e sobre os padrões impostos para a masculinidade também são pautas crescentes na sociedade e estão diretamente relacionados ao aumento do interesse pela Paternidade Ativa. Entenda o porquê.

Até os dias de hoje, apesar da movimentação em prol da Paternidade Ativa, a ideia do pai provedor, pagador de contas e autoritário é conservada por muitos. E é por isso que o conceito de Paternidade Ativa busca ressignificar a figura paterna. Além do sustento financeiro, é emergente a necessidade de pais que sejam participativos na criação dos filhos nas esferas afetiva, emocional, escolar e de saúde. Isso significa dividir igualmente os cuidados diários como alimentação, auxílio em lições, educação e estímulo ao desenvolvimento da criança, promovendo um vínculo afetivo e emocional entre pai e filhos.

No entanto, grandes desafios prejudicam os pais a assumirem esse papel. Para que a Paternidade Ativa ganhe força de fato e os pais protagonistas virem o jogo e se tornem maioria, é necessário que haja uma modificação coletiva de mentalidade no que diz respeito aos papéis de gênero e ao padrões de masculinidade.

O padrão de masculinidade e a Nova Masculinidade

Tudo pode ser considerado uma construção social. Isso quer dizer que a forma como conhecemos as coisas, e os comportamentos humanos em especial, foram moldadas de forma referenciada e impostas pela própria sociedade. Inclusive quando o assunto é o papel que cada gênero desempenha e a forma como a masculinidade é estimulada e performada.

É um princípio básico as pessoas atribuírem às mulheres o papel de cuidadora, aquela que é movida pelas emoções e, aos homens, uma figura lógica, livre de intervenções emocionais. E essa visão é a essência de diversos problemas que enfrentamos nos dias de hoje, como o abandono afetivo, a masculinidade tóxica e a desigualdade de gênero.

No nosso país, mais de 80% das crianças têm como primeiro responsável uma mulher, e 5,5 milhões não são registradas com o nome do pai. Este é um dos pilares que mais exemplificam como o papel de gêneros provoca o abandono afetivo e como a paternidade ainda não é vista como uma prioridade para os pais. Somente com o senso comum de que os homens não são responsáveis pela criação dos filhos poderia explicar porque tantas crianças não os tem como referência em suas vidas.

Junto ao entendimento equivocado sobre os papéis de gênero, os padrões impostos pela sociedade para masculinidade são pontos-chave que também alavancam a cultura da paternidade desatenciosa. A chamada ‘masculinidade tóxica’ reforça a ideia de que homens não choram, não manifestam sentimentos, não demonstram fraquezas, receios ou qualquer vulnerabilidade que possa ser comparada ao comportamento feminino. A forma como os homens foram educados, não somente pelos pais mas também no convívio com colegas, familiares, amigos, além das referências da mídia, é responsável pela dificuldade masculina em falar de sentimentos, cuidar das pessoas que o cerca e por aprisioná-los, impedindo que expressem suas reais personalidades e afetos.

Em resposta ao formato atual de padrão de masculinidade, é crescente o interesse pela Nova Masculinidade. Esse conceito busca quebrar estereótipos de gênero, contribuir com o equilíbrio da equidade de gênero e abranger todas as maneiras de ser homem. Tudo isso a partir de um novo modelo de criação dos meninos e de debates pertinentes com os homens jovens e adultos. Ao aceitar e acolher outras maneiras de exercer a masculinidade, livres de estereótipos e opressões, é possível conquistar condições mais igualitárias e saudáveis, com homens que são mais humanos, afetivos e participativos na vida paterna.

Paternidade ativa e carreira profissional

Como reflexo dos benefícios da Paternidade Ativa e da Nova Masculinidade, os homens podem também encontrar vantagens em suas vidas profissionais e carreiras. Assim como a maternidade é indicada como um fator que colabora com o desempenho profissional das mães, a paternidade também favorece a performance dos homens.

A ideia da mãe multidisciplinar, que executa com perfeição tarefas distintas no trabalho porque, ao cuidar dos filhos, desenvolveu essa capacidade pluridisciplinar é totalmente transferível para os pais. Os homens podem e devem exercitar multitarefas e podem aplicar as novas aptidões e características à vida profissional, otimizando o desenvolvimento de tarefas e trabalhos.
Além do ganho profissional obtido por meio da paternidade ativa, a Nova Masculinidade é potencialmente capaz de colaborar com os comportamentos positivos dos homens no ambiente de trabalho. Com a liberdade de expressar sentimentos como empatia, compaixão, emoção e afeto, as habilidades de liderança, trabalho em equipe e sensibilidade à necessidade do cliente são favorecidas, resultando em uma melhor execução das atividades e potencial de crescimento na carreira.

Desigualdade de gênero no mercado de trabalho

Muitas pesquisas indicam que um dos principais motivadores da desigualdade de gênero no mercado de trabalho é a maternidade. Com a injusta divisão das tarefas domésticas e de cuidado com os filhos entre pais e mães, é comum que as mulheres precisem despriorizar suas carreiras para se dedicarem à maternidade. Uma pesquisa divulgada pela Catho em 2018 aponta que 30% das mulheres deixam o mercado de trabalho para cuidar dos filhos. Entre os homens, essa proporção é quatro vezes menor, de 7%. Os dados internos do Google indicam também que as mulheres gastam semanalmente o dobro do tempo que os homens nas tarefas domésticas.

Assim, se a Paternidade Ativa for plenamente executada, ela terá o poder de tornar o cenário mais igualitário para homens e mulheres no que diz respeito ao comprometimento à carreira, ascensão de posições e à disparidade salarial, já que a ‘obrigatoriedade’ das mulheres cuidarem dos filhos não recairão apenas em seus ombros.

De empreendedor a empregado novamente: como voltar a buscar emprego

Mantendo a motivação, produtividade e bem-estar durante a crise do…

O perfil e as habilidades da mulheres mães no mercado…