Jaime Martins – gerenciando talentos em diferentes culturas

O gerenciamento de talentos em diferentes culturas é foco de Jaime Martins, diretor de recursos humanos para a América Latina da CH2M HILL, líder global em engenharia multidisciplinar, gerenciamento, construção, operações e meio ambiente.

Como o mundo contemporâneo é marcado por atividades de escala global, para ele, os responsáveis pelo gerenciamento de profissionais em organizações multinacionais devem ter em mente que há algumas questões essenciais para o sucesso nessa empreitada, e que elas estão relacionadas, fundamentalmente, ao respeito e à diversidade cultural.

Martins, que gerencia cerca de mil profissionais baseados nos escritórios do Brasil, Argentina, México, Panamá e Porto Rico, é nosso entrevistado de RH desta edição e conta como desenvolveu sua carreira e conseguiu aplicar esses princípios em sua gestão.

Aproveitem!

Conte-nos um pouco sobre sua formação e experiência de trabalho.
Iniciei minha carreira bastante jovem, aos 15 anos, como era comum nesta época. Minha primeira função foi office boy, e foi aí que aprendi sobre a cidade e suas várias nuances e lugares. Assim como para a maioria dos jovens de minha época, era muito difícil trabalhar e estudar ao mesmo tempo, porém eu sabia que era fundamental para meu futuro concluir um curso universitário de bom nível. Decidi pela carreira na área de Direito, pois tinha muito interesse em assuntos trabalhistas e sindicais. Além disto, sempre fui muito preocupado com a questão de justiça no sentido amplo da palavra, e nesta área poderia exercitar esta qualidade. Quando me formei em Direito, tive vários convites de colegas para formar uma sociedade de advogados, porém, a carreira em empresa sempre me atraiu mais pela diversidade de opções e oportunidades reais de crescimento profissional.

Como você foi parar no RH? 
Após alguns anos trabalhando em funções administrativas, recebi uma promoção para trabalhar no RH como Administrador da Folha de Pagamento. Nesta época, a folha de pagamento era de muita importância nas empresas, pois não existia a tecnologia como existe hoje. A legislação trabalhista sempre foi muito complexa, e a percepção de valor do RH era muito dependente da qualidade e acuracidade da folha de pagamento e benefícios oferecidos aos empregados. Posteriormente, assumi outras funções e fui me especializando (e também me apaixonando) pela área. Sigo até hoje buscando aperfeiçoamento e crescimento como profissional em RH.

Você sempre se interessou por RH? 
A carreira em RH sempre foi a espinha dorsal do meu crescimento profissional. Tive várias experiências em outras áreas, como vendas, logística e relações governamentais, porém, sempre encarei estas funções em outras áreas como preparatórias para meu crescimento na área de recursos humanos.

Como manter-se atualizado com as tendências? 
É muito importante ler muito, tudo o que puder, inclusive assuntos que não são relacionados com a função de RH. E é fundamental construir uma boa rede de relacionamentos com outros profissionais através de associações ou participando de eventos, congressos, etc. É fundamental para o profissional de RH ter este foco externo e, através dele, aprimorar seu conhecimento e aproveitamento de outras experiências.

O que você pretendia, o que desejava fazer como profissional, na época que escolheu essa formação? 
Sempre pensei em estar em uma posição que me permitisse colaborar no crescimento e desenvolvimento das pessoas. A minha formação, combinada com minhas habilidades pessoais e os treinamentos recebidos ao longo da carreira, me permitiram um alto nível de realização pessoal e profissional até este momento.

Qual o diferencial da CH2M Hill na prática de Gestão de Pessoas? 
Entre os vários fatores que nos diferenciam, vejo o fato de que por ser uma empresa 100% de propriedade dos empregados, as decisões e a maneira de pensar o negócio e o futuro levam muito em conta a o impacto nas pessoas. A maioria das empresas também prega isto, porém, na vida real, a visão dos controladores ou acionistas muda muito rápido levando sempre em conta os interesses financeiros de curto prazo. Nós também somos muito cobrados por resultados no curto prazo, mas o fator humano tem um peso maior na hora de tomar decisões. Em nossa empresa, um fator interessante é que uma grande parte dos funcionários chegou até nós por indicação de outros, o que mostra que eles estão comprometidos e interessados em construir uma carreira de longo prazo.

Em linhas gerais, o resultado positivo na Gestão de Pessoas tem a ver com práticas de um sistema mais integrado de RH? Que outras práticas você julga que merecem destaque na empresa? 
Em linhas gerais sim. Acredito muito que um dos fatores de êxito de muitas empresas é a existência de um sistema integrado de gestão. Todas as grandes empresas necessitam de processos sólidos, bem estruturados e expansíveis de acordo com as necessidades do negócio. Sem um bom sistema de gestão integrado, as empresas serão refém das pessoas e de suas preferências.

Vocês percebem o resultado positivo dos funcionários? Eles demonstram reconhecer que essas práticas os auxiliam? 
Sim, nossos sistemas são bastante integrados e ajudam muito na produtividade, eficiência e consistência na execução dos projetos. Sem um bom sistema de gestão e de qualidade, não podemos pensar em crescimento acelerado de nossa operação.

Vocês possuem algum programa de qualidade de vida em especial? 
Temos várias iniciativas, começando por um bom programa de assistência médica e odontológica, que é referência em nosso mercado. Além disto, desenvolvemos programas específicos, como ergonomia no ambiente de trabalho, programas de prevenção a doenças crônicas e segurança no trabalho. Somos muito flexíveis com as necessidades pessoais de nossos funcionários.

Para você, o que é preciso para que o RH de uma empresa se destaque? 
Várias coisas, entre elas, acho fundamental primeiro que as pessoas do RH, todas, sejam um exemplo de valores e conduta na empresa. É impossível conquistar credibilidade e confiança pregando uma coisa e fazendo outra. Além disto, é muito importante o conhecimento técnico da função em sentido amplo, pois é para isto que existimos. E, sem dúvida, ter um interesse genuíno pelas pessoas e suas necessidades e anseios.

Qual você considera ser o maior desafio de um RH hoje em dia? 
O primeiro desafio é do próprio RH, em compreender qual seu papel e razão de existir na empresa. Uma vez que isto está claro, o segundo grande desafio é alinhar toda a organização para buscar os resultados esperados com foco e determinação, sempre buscando um balanço adequado entre os interesses da empresa e as necessidades de seus colaboradores.

Hoje em dia, a atuação das empresas é em escala global. Qual a política da empresa para lidar com a diversidade? 
Temos um foco muito grande em diversidade, igualdade e inclusão. Nossos projetos, ações e iniciativas sempre levam em conta estes fatores, e internacionalmente já recebemos vários prêmios e reconhecimentos por nosso compromisso e conduta em relação à diversidade.

Qual o papel do gestor nesta política de diversidade?
O gestor de pessoas é o principal condutor desta política. Através de suas iniciativas do dia a dia é que se aplicam estes valores na prática.

Qual a política de treinamento de vocês? Existe algum destaque em especial? 
Nós investimos muito em treinamentos técnicos e comportamentais. Temos uma universidade corporativa que desenvolve e aplica treinamentos de acordo com o planejamento anual de necessidades. Além disto, temos uma ferramenta valiosa de e-learning, onde todos os funcionários têm acesso gratuito a aproximadamente 1200 cursos online. Em nosso orçamento temos uma verba especifica de 1,5% do total de salários para treinamentos internos ou externos. Oferecemos também bolsas de idiomas e, em alguns casos, pós graduações e MBAs.

Falando em competências comportamentais, que tipo de profissional a CH2M Hill busca no mercado? 
Buscamos pessoas que se sintam motivadas por projetos desafiadores. Nosso seguimento é essencialmente técnico, e os projetos, na maioria, sofisticados. Também é necessário boa capacidade de resiliência. Os desafios são imensos para uma empresa de engenharia nova em um mercado maduro e bem servido como o nosso.

Você gostaria de deixar algum recado para os profissionais de RH? 
Acho que, como profissionais de recursos humanos, crescemos muito nos últimos anos, assim como nossa importância no contexto da empresas. Muito se deve a nossa capacidade de influir e dar uma contribuição positiva às empresas e pessoas. Para continuarmos fazendo sucesso, é fundamental o engajamento com profundidade no negócio. RH que não fala ou não entende o idioma do negócio, não prospera e não tem espaço na mesa das decisões.

Quantos funcionários tem a CH2M Hill no Brasil? 
Iniciamos esta operação com este modelo de negócios no ano passado, com aproximadamente 60 funcionários, e já dobramos de tamanho. Temos muita confiança que continuaremos com um crescimento acelerado nos próximos anos.

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