Filhos do fim do mundo

Um acontecimento terrível e repentino que acomete o mundo como um todo: todos os bebês com menos de um ano de idade morrem, e os que nascem, falecem logo após o parto. Seguido desta tragédia, se instala um clima de desordem, destruindo rapidamente as estruturas e poderes vigentes. E a coisa piora, aos poucos, vai se percebendo que todo vegetal e animal, com menos de um ano de existência, também morreu.

No meio deste apocalipse inusitado, um Repórter prestes a ser pai, parte em uma busca emocionante, e desesperada, na tentativa de encontrar a razão disso, e uma possível cura. Com isso, ele acaba misturando seu papel como jornalista, de informar a população nesta hora difícil, com o papel de pai, correndo contra o tempo para salvar a vida do filho.

O livro pode facilmente ser classificado como uma obra de realismo mágico, gênero cultivado tipicamente cultivado na americana latina na segunda metade do século XX, tendo como grandes representantes Jorge Luis Borges e Julio Cortajaz. O estilo, designa um texto que mistura o elemento fantástico com um ambiente realista, mas sem causar temor ou grande estranhamento no protagonista; pelo contrário, quem se depara com o fator mágico, se sente impelido, por fascínio ou obrigação, à desvendar estes acontecimentos incomuns.

O primeiro elemento que chama a atenção a respeito da obra, diz respeito à falta de nomes próprios dos personagens. No enredo, são tratados por suas profissões ou papéis sociais, sendo o Repórter, a Esposa, o Governador, O Padre, etc. Embora não seja um recurso inédito em literatura, a intenção do autor se torna clara, especialmente, quando escolhe nomear com letras maiúsculas seus personagens. Ao invés de caracterizar uma pessoa em particular, o ato acaba por estabelecer arquétipos de cada uma destas profissões, ou funções sociais, apresentada no livro. Dentro do caos estabelecido pouco a pouco, o Padre tem um papel a cumprir, assim como o Repórter, a Esposa, e tantos outros que surgem com definições fortes e definidas no enredo.

No decorrer da história o mais valioso é a jornada, o final do enredo só representa uma consequência dos acontecimentos. Dentro deste contexto, o autor deixou vários espaços para que o leitor pudesse não somente vislumbrar a trama, mas dialogar com ela, participando em diversos momentos do que acontece, através de sua inserção de imagens mentais e textuais. Mais que apresentar uma história, o enredo pretende enriquecer a experiência da leitura, trocando ideias e conceitos. Tudo isso, é facilitado por uma obra com um excelente trato com a língua, e enredo fluido e de fácil leitura, sem perder a riqueza e conteúdo expostos a cada página.

Ficha técnica

Título: Filhos do fim do mundo
Autor: Fábio Madrigal Barreto
Páginas: 288
Editora: Casa da palavra


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