João Signorelli: Gandhi, um líder servidor

Desde 2003, João Signorelli divulga para o mundo corporativo e para o mundo educacional a mensagem de Mahatma Gandhi, por meio do monólogo teatral “Gandhi, um líder servidor”, de Miguel Filiage. O objetivo é divulgar a cultura de paz por uma verdadeira ética nos negócios e na educação.

Formado em jornalismo e ator profissional há mais de 35 anos com passagem por todas as emissoras de TV do Brasil, Signorelli conta para o Carreira & Sucesso como iniciou esta atividade que faz sucesso por onde passa. Ele ainda detalha como a mensagem de Gandhi transforma o ambiente das corporações e a mentalidade dos profissionais.

Para conhecer o trabalho do ator, acesse www.joaosignorelli.com.br e www.albericorodrigues.com.br

Boa leitura!

Sua carreira profissional já teve início como ator?

Comecei em 1972, em uma peça infantil – chamada “Turma da Mônica Contra O Capitão Feio”, do Maurício de Souza. Neste mesmo teatro, o Aquarius, estava acontecendo o espetáculo “O Homem de La Mancha” com Paulo Autran e Bibi Ferreira.

Fui convidado a entrar no elenco e fui para o Rio de Janeiro com a peça para inaugurar o teatro da TV Manchete. Lá, Grande Otelo entrou para participar também, gostou do meu trabalho e me levou para a Rede Globo fazer um teste – isso em 1974. A novela chamava-se “Super Manoela”, com Paulo José e Marília Pêra, passei no teste e quando um ator trabalha na Globo, todas as portas se abrem. A partir daí, foi novela atrás de novela, comecei a fazer abertura de festas e muitos filmes também.

Como surgiu a oportunidade de interpretar Gandhi?

Alexandre Garrett, Publisher de uma revista chamada Gestão & RH, produziu um fórum sobre Recursos Humanos, no ano de 2003, cujo o tema era Liderança. Ele convidou o Miguel Filiage para preparar um espetáculo para a abertura deste evento e foi citado Ghandi, como um grande líder do século XX e pensou em um ator que fosse parecido fisicamente e me chamou para fazer o espetáculo. Era um único espetáculo e o Miguel, por falta de tempo, disse que se eu quisesse tocar a produção para apresentações, que poderia.

Comecei fazendo em um bar na Vila Madalena, em São Paulo, todo domingo. Depois fui para o Teatro de Arena, alguns restaurantes, teatros e, atualmente, estou no teatro Alberico Rodrigues, também na capital paulista. Mas, paralelamente a tudo isso, as empresas começaram a me chamar. Não só organizações, mas também universidades e colégios.

Por que acredita que a peça fez tanto sucesso no meio empresarial?

As palavras, ideias e valores do Gandhi são muito fortes e hoje em dia está ressoando muito nas pessoas essa busca de princípios e ética. Mesmo no mundo corporativo, há necessidade de um novo paradigma. As pessoas estão buscando novas relações e maneiras de agir no mundo. O Gandhi entra com a simplicidade, com a verdade e acredito que é por isso que atinge as pessoas de uma forma tão impactante.

Você buscou estudar o universo corporativo para adaptar textos e linguagens?

Estudei, comecei a ler muito sobre gestão, sobre recursos humanos e tudo que envolve o universo das empresas, para me familiarizar cada vez mais e participar de debates, pois, muitas vezes, as corporações promovem debates depois do espetáculo

Quais os perfis de empresa que mais requisitam a peça?

Isso é muito variado. Mas temos feito muito com o mundo financeiro, a Petrobras é uma grande cliente minha – tenho contrato de cinco anos – e laboratórios também tem requisitado muito.

Existem adaptações na apresentação, dependendo da necessidade da empresa?

Dependendo da área, se a empresa quiser, faz um briefing e consigo adaptar a peça por algum momento que a empresa está passando ou necessidade pontual.
A vantagem desse texto de Gandhi é que ele é muito maleável. Acontece muito de acontecimentos do dia a dia serem colocados na peça, e sempre procuro encaixar com o que a empresa requisita.

Inicialmente a peça foi focada em liderança. Hoje ela alcança outros temas?

Foi abrindo bastante durante os anos e agora estou preparando um novo espetáculo, o Gandhi 2, que é para a empresa como um todo, muito mais flexível. A liderança fica um pouco mais de lado, pois estava com um pouco de dificuldade de vender a peça Gandhi pois muitos pensavam que era apenas focado para gestores e na verdade não é.

O Gandhi 2 começa a ser ensaiado em março e é só para empresas, para atingir assuntos como Qualidade de Vida, Gestão e Relacionamento Interpessoal. É como se fosse um consultor: vai dar uma aula de conduta, pensamentos e crenças.

Qual é o retorno que você tem do espetáculo, normalmente?

Essa peça tem uma simplicidade que atinge o coração das pessoas. Sinto que elas se emocionam muito e refletem muito, na vida profissional e pessoal.

O que acredita que as empresas buscam ao contratar seus serviços?

Buscam uma reflexão nos próprios funcionários para procurarem um autoconhecimento e uma maior harmonização nos ambientes organizacionais. O Gandhi atua como um pacificador de conflitos.

Além de corporações, que outros tipos de instituições já contaram com este seu trabalho?

Trabalhamos muito com os profissionais da área da saúde, com hospitais, principalmente na semana da enfermagem e semana do médico. Mas já fiz também para os transplantados de pulmão do Incor, que foi bem legal!

Atuo muito em universidade, colégios do ensino médio, escolas de yoga, e tenho um trabalho também com a Fundação Casa (ex-Febem)

Como é esse trabalho com os menores infratores?

Este mês iniciamos nosso projeto na Fundação Casa. É bem interessante, pois falo para pessoas que estão presas e, de repente, consigo tocar o coração dessas pessoas.

Fiz uma vez em uma penitenciária feminina e no dia seguinte, a diretora me ligou e contou que uma detenta disse à ela que naquela noite, quando foi recolhida para a cela logo após de assistir ao Gandhi, que sentiu pela primeira vez na vida uma mão amiga no ombro. Purifcar um ambiente desses não tem preço!

Quais as características principais de Gandhi são expressas quando faz a analogia com o ambiente nas empresas?

A questão de falar a verdade, de ter ética e respeito pelo outro, de aceitar diferenças e basear toda conduta no amor. O Gandhi fala muito que o amor transforma.

Atuar tanto tempo com o personagem influenciou no seu modo de pensar?

Completamente! Não dá para passar por um personagem como esse incólume. Recitando os textos, analisando minhas próprias atitudes na vida e muita coisa que não acho legal, eu mudo. Então, me transformei bastante a frente do espetáculo!

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