Coronavírus: o que fazer quando a empresa libera home office, mas o líder não?

Sua empresa liberou o trabalho remoto, mas seu gestor direto está inseguro? Saiba como negociar com seu líder a liberação do home office.

Já sabemos que o novo Coronavírus tem apresentado alto índice de contágio ao redor do mundo, inclusive afetando o Brasil, onde os casos confirmados de infecção aumentam constantemente.

Devido aos perigos que essa pandemia gera para as pessoas, que fazem parte do grupo de risco, e para o sistema de saúde, as empresas têm avaliado operações e redesenhado as práticas de trabalho de forma emergencial para apoiar na contenção do processo de contaminação.

Home office na quarentena

Uma das estratégias mais adotadas, atualmente, é a disponibilização de home office para os colaboradores, permitindo que mantenham as rotinas profissionais sem gerar riscos de à população geral.

O problema é que esta possibilidade, dependendo, é apenas uma sugestão de atuação, ficando a critério das lideranças definir se as equipes farão home office ou quais profissionais participarão deste modelo de trabalho remoto. E, tendo essa liberdade, alguns líderes podem, simplesmente, negar esse diferencial.

Isto pode acontecer pela falta de maturidade, insegurança ou incompetência da liderança que não sabe como conduzir, orientar e cobrar seus times à distância. Até porque, muitos nunca tiveram, anteriormente, a experiência de gerenciar equipes sem ser presencialmente.

E se o líder não liberar o home office?

Se você se encontrar neste cenário, saiba que ainda pode negociar e alinhar alguns pontos com seu gestor para usufruir deste benefício sugerido pela empresa, sem criar desconfortos com o resto da equipe e liderança direta.

Entenda se sua atividade profissional, realmente, pode ser desenvolvida remotamente

Este é um ponto fundamental porque não adiantará negociar a possibilidade de trabalhar de casa se isto vai afetar diretamente os resultados que deve promover com seu trabalho.

Equipes comerciais ou de atendimento direto ao cliente, geralmente, só conseguem desenvolver suas atividades estando presencialmente no ambiente de trabalho e/ou junto ao cliente. Nestes casos, o home office possivelmente pode não ser aplicado e você deve ter consciência disso.

Chame a liderança e apresente as expectativas

Se entende que pode trabalhar de casa sem gerar prejuízos para os resultados que promove diariamente e percebe que a sugestão da empresa de fazer home office é a alternativa mais adequada, chame seu líder para uma conversa.

Diga a ele que tem interesse em atuar remotamente e mostre que as atividades não serão afetadas por estar em casa. Traga tranquilidade a essa pessoa, inclusive negociando uma rotina de acompanhamento da execução das ações e de alinhamento sobre as entregas. Você pode, por exemplo, fazer uma reunião diária, por telefone ou videoconferência, com a equipe ou liderança para apresentar os avanços que obteve naquele dia.

Pergunte quais os problemas que impedem de fazer home office e crie soluções

Como em qualquer negociação, não basta apenas apresentar as expectativas. Você deve, também, entender quais as expectativas ou os receios da sua liderança para evoluir nesta negociação. Entenda o que leva o seu líder a não oferecer home office e apresente soluções que o tranquilize ou resolva os problemas que está imaginando.

Por exemplo, o líder pode estar desconfortável em te oferecer home office pois você tem um papel fundamental na orientação dos outros membros da equipe e ele pode imaginar que a sua ausência afetará esta dinâmica. Neste caso, deixe o seu celular ou a sua conta de Skype 100% disponível para que te acionem quando for necessário.

Lembre-se de tentar levantar todos os pontos que preocupam a sua liderança. Questione, mas faça isso demonstrando que deseja apenas contribuir. Para cada ponto apresentado, crie, pelo menos, uma solução. Se necessário, pense com calma e diga que fará uma proposta no dia seguinte para contornar estes problemas identificados.

Desejar se prevenir e contribuir com a redução do avanço do Coronavírus não é algo que você deve se envergonhar. Muito pelo contrário: é motivo de orgulho por estar pensando no bem da população. Sendo assim, se tiver disponibilidade, orientação da empresa e desejar atuar de remotamente, converse e negocie com a sua liderança. Este é um direito seu!

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Sobre o autor
Allan Lopes é  Coaching Sistêmico, membro da Internacional Coach Federation, Master Practitioner em PNL e especialista em gestão de performance e em processos de mentoring e coaching aplicados ao ambiente corporativo. Sócio da Soar Desenvolvimento Humano e responsável pela área de Consultoria em Recursos Humanos.

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