Eu posso trabalhar com horário flexível?

Ter uma jornada de trabalho flexível já é uma realidade para alguns profissionais. Porém, segundo pesquisa realizada pela ManpowerGroup, ainda existe uma parcela significativa de profissionais (41% dos brasileiros) que desejam ter horários mais flexíveis de entrada e saída no trabalho.

A flexibilidade no trabalho pode atingir outras características, como atuar em uma jornada de trabalho de apenas meio período (51% dos trabalhadores brasileiros sonham com isso) ou atuar em tempo integral em home office (18% gostariam de ter essa rotina).

Não ter horários rígidos para entrar ou sair do trabalho permite uma melhor utilização do seu tempo, como realizar atividades pessoais em horário comercial, estar mais presente na educação e acompanhamento dos filhos e evitar os engarrafamentos comuns nos horários de pico, além da possibilidade de administrar melhor os imprevistos que aparecem. Mas será que qualquer pessoa pode ter uma rotina profissional flexível?

 

Existe algum impedimento legal para trabalhar com horários flexíveis?

Se você tem a necessidade de ter horários de entrada e saída diferentes ao longo da semana, isso pode ser facilmente resolvido se acordado no contrato de trabalho. Respeitando os horários definidos e carga horária total da jornada de trabalho em contrato, o profissional poderia atuar das 11h às 20h de segunda a quinta e das 8h às 17h às sextas, por exemplo.

Até mesmo a atuação via home office está contemplada na nova reforma trabalhista. Sendo assim, basta o alinhamento do formato no contrato de trabalho e que existam regras clara das tarefas que devam ser entregues.

Apesar de não ser um formato muito utilizado, vale lembrar que o trabalho parcial continua a ser uma realidade para muitos profissionais, apesar de sofrer pequena mudança após a reforma. Outra possibilidade é a de trabalhar por período, recebendo por hora trabalhada ou por diária, tendo direito a férias, FGTS, previdência e 13º salário proporcionais.

Sendo assim, a reforma trabalhista ajudou a formalizar estas oportunidades de trabalho flexível, permitindo regras mais claras de funcionamento para cada situação.

 

Minha profissão permite uma jornada de trabalho flexível?

Depende. Existem atuações onde a sua presença física é fundamental, principalmente no horário de funcionamento da empresa. Atividades operacionais, como a de produção em fábricas, ainda exigem o respeito à carga horária total e os turnos de trabalho já estão estabelecidos. Desta forma, a empresa espera que você produza durante toda a sua jornada para aproveitar ao máximo o seu tempo.

Isto também ocorre com profissões de atendimento ao cliente (recepcionistas, atendentes de telemarketing, vendedores, garçons, etc.), onde o trabalhador deve estar durante todo o período aguardando o contato de um cliente para atendê-lo, tirar as suas dúvidas e prestar o serviço.

Agora, se o seu trabalho possui entregas claras (você trabalha para desenvolver sistemas, sites, designs gráficos, relatórios, pesquisas, textos ou releases ou outros tipos de projetos), você não precisaria estar 100% na empresa ou, até mesmo, atuar 8h todos os dias. Nestes cenários, com a ajuda da infraestrutura certa, você poderia executar o seu trabalho na empresa, em casa ou do outro lado do mundo.

 

O que mais pode me impedir de trabalhar com horários flexíveis?

Mesmo não havendo impedimentos legais, e sua profissão permitindo, existem alguns pontos de atenção. O primeiro é o alinhamento das expectativas com a liderança. É necessário que se saiba, claramente, o que a empresa espera que você produza ou entregue diariamente para que a distância não afete a sua produtividade. Este é um problema que deve ser considerado, pois existem líderes e empresas que não estão preparados para fazer este tipo de gestão.

Outro ponto que deve considerar é a sua maturidade e o seu comprometimento com as suas entregas. Não basta saber o que deve ser feito: você deve ser capaz de administrar a sua rotina (ainda mais quando se trabalha de casa) para entregar mais que se espera e, assim, continuar evoluindo na carreira. Para algumas pessoas, a liberdade é uma armadilha. Tenha atenção!

 

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Sobre o autor
Allan Lopes é  Coaching Sistêmico, membro da Internacional Coach Federation, Master Practitioner em PNL e especialista em gestão de performance e em processos de mentoring e coaching aplicados ao ambiente corporativo. Sócio da Soar Desenvolvimento Humano e responsável pela área de Consultoria em Recursos Humanos.

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