Não ter disposição para aprender pode ser pior do que errar

Desde o nascimento, a grande maioria das pessoas é condicionada a evitar “erros” e a distanciar qualquer possibilidade de prejuízo físico e mental. Obviamente, os pais buscam proteger os filhos durante anos, garantindo a sua sobrevivência enquanto as crianças não possuem o mínimo de consciência para que possam se defender sozinhas, evitando os riscos existentes no mundo.

Durante os primeiros anos de vida, quando as crianças definem as suas estruturas mentais mais profundas, ocorre uma infinidade de situações nas quais os pais focam em evitar “erros” para que os seus filhos se mantenham protegidos. Quantas vezes você ouviu os seus pais ou tutores dizerem: “Não corre que você pode se machucar!”, “Não encosta nisso que é perigoso!” ou “Não ande com este colega que ele não é boa pessoa!”?

Perceba que o foco principal desta comunicação está em distanciar a criança do problema ou do potencial risco, sempre mostrando o que é errado e que isto deve ser evitado. Esta comunicação é natural e até esperada. Porém, o problema existe se não houver nenhum incentivo à análise da situação para que haja um aprendizado sobre o porque aquilo é errado e quais as outras possibilidades de lidar com a situação.

Uma criança de seis meses ainda não possui consciência suficiente para fazer este tipo de análise ao enfiar o dedo na tomada, mas, com o tempo e amadurecimento, é necessário que estas reflexões sejam forçadas. No entanto, nem sempre isto acontece e muitas pessoas desenvolvem um comportamento padrão de evitar os problemas ou os “erros”.

Levando este contexto para o ambiente de trabalho, podemos entender os motivos que levam algumas pessoas a focarem no negativo e se esforçarem tanto para evitar os famosos “erros”. Como dito, isto faz parte de um condicionamento.

Porém, o ambiente de trabalho, assim como outras áreas de nossas vidas, oferece níveis de desafios extremos. Para que possamos enfrentar estes desafios da melhor forma possível, precisamos estar dispostos a “errar”.

Continuar a evitar os “erros” bloqueia a capacidade criativa e impede a implementação de uma nova solução. Lembre-se que podemos enfrentar situações completamente novas sem nenhum histórico de solução anterior e assumir riscos e desenvolver uma ideia disruptiva é o caminho mais adequado.

Visto isto, “errar” não é tão grave assim. “Errar” pode ser apenas parte de um processo de melhoria contínua. Tendo colaboradores dispostos a aprender com os “erros” vivenciados, qualquer obstáculo será superado. Portanto, esteja sempre aberto a aprender. Abra a sua mente para o potencial de desenvolvimento que os “erros” produzem.

Ter disposição para aprender não abre espaço apenas para a inovação. Aprender é fundamental para que as relações profissionais sejam mais maduras, para que os processos organizacionais evoluam e para que os conflitos sejam solucionados.

Que tal se permitir “errar”? O que acha de abrir espaço para estratégias e comportamentos desconhecidos? Se você tiver maturidade para aprender rapidamente com as suas ações, siga em frente. Agora se preferir se manter evitando os “erros”, tudo bem. Com certeza você não gerará grandes riscos para a sua empresa, mas saiba que enquanto mantiver esta postura sempre terá um desempenho limitado.

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Sobre o autor
Allan Lopes é  Coaching Sistêmico, membro da Internacional Coach Federation, Master Practitioner em PNL e especialista em gestão de performance e em processos de mentoring e coaching aplicados ao ambiente corporativo. Sócio da Soar Desenvolvimento Humano e responsável pela área de Consultoria em Recursos Humanos.

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