A vida como um videogame

Por Fabio Di Giacomo

Gosto de jogar videogame desde adolescente. Fiquei um bom tempo sem jogar e recentemente voltei, para me divertir em companhia da minha filha e do meu sobrinho. Depois de muita descontração, percebi o quanto a vida tem de semelhança com os jogos eletrônicos.

Segundo Tony Robbins, um dos maiores coaches que tive a oportunidade de conhecer, a vontade de crescer é uma das Seis Necessidades Humanas. No videogame, além da diversão, temos a oportunidade de sentir a satisfação de vencer, de crescer, mudar de fase, ganhar estrelas, recompensas e subir de nível. Agora, você já parou para pensar que a maior recompensa vem do reconhecimento de si mesmo? Nomomento em que você passa por uma fase muito difícil, você vibra, pula, soca o ar. Surge uma força movida pela emoção de ter sido capaz, de ter conseguido vencer. Esse é o maior prêmio que podemos receber no videogame e na vida.

O interessante é que nem sempre conseguimos vencer de forma fácil e acabamos duvidando da nossa capacidade. Com o tempo, os desafios vão ficando cada vez maiores, mais complexos, exigindo mais habilidade e, principalmente, muito mais inteligência emocional. Quando passamos muito tempo em uma fase, dá uma sensação de não ser capaz, e em alguns momentos, dá vontade de sair do jogo ou de arremessar o joystick na parede. Nossa reação é do tipo “não quero mais brincar!”.

Mas isso não resolve, porque, ao voltar para o jogo, o jogador continua na mesma fase! Isso mesmo, quando você não consegue vencer e superar, o videogame te mantém na mesma fase até aprender o que precisa para mudar de nível. Na vida é a mesma coisa. Enquanto não aprendemos o que falta, ficamos passando pelas mesmas dificuldades. Muitas vezes, trocamos de emprego, de relacionamento, de casa, e depois de um tempo, ainda estamos na mesma fase, pois só mudamos de jogo, mas não evoluímos, não aprendemos com o que aconteceu. E aprender significa pensar, sentir e fazer diferente. Para mudar de fase, temos que aprender a lidar com o fracasso e ser perseverante, e não persistente.

Para crescer é importante evoluir. Evoluir significa olhar para si mesmo, ser mais consciente de quem você é. Iniciar uma jornada de autodescoberta e estar disposto a uma longa caminhada é fundamental para quem quer realmente crescer como pessoa ou como empreendedor. E essa jornada não deve ser dura ou pontual, ela pode se tornar cada dia mais interessante e profunda, para quem percebe a importância desse processo. Pode ser um caminho envolvente e que ao mesmo tempo dá medo, que nos instiga a querer explorar e descobrir cada vez mais, indo mais fundo.

E o que nos impede de iniciar ou seguir essa jornada? Posso não entender a importância e necessidade desse processo ou tenho medo do que vou descobrir e das decisões que terei que tomar. Crio desculpas para me sentir mais confortável por não estar fazendo o que deveria. As velhas conhecidas justificativas são: não tenho tempo, não tenho dinheiro, não tenho idade para isso, não preciso disso, não é a minha prioridade, isso não é importante agora.

Enquanto evitamos essa jornada, sofremos para lidar com coisas que depois parecem muito simples. Algumas pessoas me perguntam o quão difícil é essa jornada. Para mim, difícil é tudo aquilo que ainda não sabemos. É uma aventura  para poucos, para aqueles que têm coragem de dar o primeiro passo.

O que descobri até agora na minha jornada é que a cada descoberta sobre quem realmente sou, me sinto cada dia mais confiante e próximo da minha verdadeira essência. Com o tempo e o processo de autoconhecimento de forma contínua, não me assusto tanto com o que descubro sobre mim. Lidar comigo mesmo tem sido mais fácil.

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Fabio Di Giacomo (fabio@umporcento.com.br) é CEO da UM%, empresa de coaching, faz parte do corpo docente da Sociedade Brasileira de Coaching e é coach do programa “Como Será?”, apresentado por Sandra Annenberg, na Rede Globo.

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