Cadu Lemos e o Pit Stop Experience

Cadu LemosNa semana em que foi decidido o campeonato de Fórmula 1 no Brasil, dito por muitos como uma das finais mais emocionantes dos últimos anos, o Carreira & Sucesso mostra que a velocidade também tem o que ensinar ao mundo corporativo.

Para ilustrar o tema, conversamos com Cadu Lemos, palestrante e fundador da empresa Cadu Lemos Associados, Marketing & Relacionamento. Ele é responsável pelo desenvolvimento do Pit Stop Experience, uma palestra com analogias com o universo da velocidade, onde existe até troca de pneus executadas pelos próprios participantes da palestra em uma réplica de F1 em tamanho real. A apresentação envolve temas como inovação, dinamismo e entrega de resultados.
Lemos conta como surgiu esta ideia e como é a receptividade das empresas e dos profissionais perante o projeto.
Boa leitura!

Você é um apaixonado por velocidade e F1?
Sim, desde criança gosto de corrida de carros, em especial a F1. Antes deste projeto, eu já tinha uma consultoria de coaching para equipes de alta performance, negócio que toquei depois de um grande período como executivo do mercado financeiro e de propaganda. Iniciei a consultoria em 1998, e o trabalho inicial que fazíamos era uma dinâmica com Paintball (esporte de tiro com bolas com tinta colorida). Este foi o ponto de partida do negócio relacionado à esportes, onde também atuamos com regatas oceânicas e expedições de Rally e Off Road.

De onde surgiu a ideia de relacionar a palestra com conceitos da F1?
Há 10 anos, conheci meu sócio (Mario Pati Jr.), onde abrimos uma empresa específica que cuida no negócio dos carros de Fórmula 1 – atuamos em duas frentes: uma promocional, em eventos de ativação de marca e branding, onde inclusive estivemos com os carros em Interlagos no estande da Allianz Seguros, patrocinadora da equipe Mercedes; e o outro braço, que é o trabalho das palestras com empresas, que surgiu a partir de uma apresentação que fiz na antiga AIG, hoje Allianz. Os donos da empresa gostaram do meu trabalho, disseram que tinham disponível um carro de Fórmula 1, e propuseram fazer analogias entre velocidade e mundo corporativo.
Pit Stop ExperienceA partir daí, desenvolvemos um terceiro projeto, que denominamos Pit Stop Experience, constituído pela palestra, dinâmica com os carros e, no fim, uma reflexão e levantamento de quais são as relações das analogias com a realidade do grupo participante.
Este projeto é totalmente inovador, é único no mundo, apesar de descobrir que um profissional na Inglaterra faz algo parecido, mas com um carro real – o que limita muito o deslocamento da estrutura e a manipulação dos carros por mulheres e deficientes físicos, por exemplo, por conta do maquinário pesado. No nosso caso, temos réplicas leves e o público feminino “se amarra”. Confesso que elas vão até melhores que os homens nas dinâmicas!

Como funciona a palestra em si?
No início da apresentação ninguém sabe da existência dos carros. Temos um roteiro com vídeo, música e iluminação até o veículo aparecer. Neste momento o impacto é grande, pois ninguém está preparado para ver um carro de F1.
Simulamos um pit stop, separamos os participantes em equipes, onde ganha quem faz o tempo mais rápido. Em uma segunda etapa, somamos todos os tempos feitos pelos times e tiramos uma média. Com o resultado, neste instante faço uma provocação, apontando que uma empresa concorrente faz um tempo melhor. Nessa hora mexemos com o brio das pessoas, eles acabam não mais competindo entre si, mas sim todos unidos para bater o tempo do concorrente.  Já vi grupos baixando o tempo em 5 segundos! Essa é a grande sacada da dinâmica.

Como foi o processo de desenvolvimento da estrutura da palestra? Como buscar elementos de F1 para transportar para o universo de RH e das empresas?

Trabalho em equipe, comunicação, visão sistêmica, tomadas de decisão sob pressão, planejamento, eficácia e eficiência… Tudo isso é trabalhado no Pit Stop Experience. Para tal, procurei estudar, e como fanático por F1, procurei entender mais como relacionar os dois universos. O meu sócio também foi piloto, correu na Europa junto com o Nelson Piquet, e teve que encerrar a carreira previamente por conta de um acidente no circuito de Monza, na Itália. Ele voltou para o Brasil e foi dono de equipes de Fórmula Chevrolet e Stock Car… Enfim, ele é uma pessoa do ramo. Para compactar o conceito do projeto com empresas, conversamos muito com pilotos e chefes de equipes.
Cadu LemosDe que forma a paixão do brasileiro pelo automobilismo ajuda no desenvolvimento da apresentação?
Acho que existe uma contradição nesta relação do brasileiro com F1. Acredito que todos nós gostamos, sim, de velocidade. Mas, no fundo, quando vemos o desmerecimento que temos com um piloto como o Rubens Barrichello, que acredito ser um profissional de muito talento, concluo que brasileiro gosta mesmo é de ganhar, não importa em que esporte. O brasileiro morre de saudades do Ayrton Senna e está louco para aparecer outro.

Na sua opinião, o que um piloto de F1 pode ensinar ao meio corporativo?

Não existe uma equipe de alta performance se não existir atitudes individuais alinhadas, ou seja, começa no indivíduo. Qualquer plioto de F1 é altamente disciplinado, sabe quando e como tem o que fazer, e controla muito bem a mente, o espírito e o corpo. Esse processo de autoconhecimento e autopercepção deveria ser algo rigoroso e absorvido por qualquer executivo de empresa.
 
 

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