Paciência e Persistência

Colunista: Marcelo Ortega

Viver nos Estados Unidos, país do moralismo e do pré-julgamento, onde pessoas são discriminadas por religião e cor de pele, há 60 anos atrás era um grande desafio, pois a vida de um vendedor porta a porta era sem recursos e nenhuma comodidade, imagine para um deficiente, fadado ao fracasso pela opinião da grande maioria. Mas para Bill Porter foi a luta que o revelou um exemplo para muitas pessoas.

Falar sobre Porter é como descrever um fato importante da história empresarial, que em tempos remotos era apenas voltada para a indústria e suas descobertas, mas que, hoje, é fundamental falar sobre pessoas. Se você assistir o filme Porta a porta, sei que vai entender porque me refiro à importância das pessoas, sobretudo, do relacionamento que teve peso único na vida deste homem simples e aleijado, mas com uma imensa habilidade em se relacionar.

Bill se tornou um dos mais famosos vendedores do mundo pela sua implacável vontade de dar certo e por ser audacioso e convicto de que o ser humano pode ser bem sucedido em qualquer área de sua vida, independente de seus limites físicos. Errou muitas vezes, por seu temperamento forte e por ser, muitas vezes, orgulhoso, mas foi digno do posto que ocupa na história passada, atual e certamente será lembrado no futuro.

A mensagem forte deste filme é paciência e persistência, aplicadas da forma mais objetiva possível e com requintes de crueldade. Dá um sentimento de pena em ver alguns momentos que Bill passa, mas dá ainda mais pena ver vendedores sem dez por cento do entusiasmo que teve Bill Porter e que passam a vida inteira reclamando de tudo, encontrando explicativas para fracassos e comemorando o insucesso em vendas. No começo de sua carreira Bill Porter teve que se superar, seus maiores adversários eram ele mesmo, sua atitude e sua dedicação. Vencer os preconceitos também foi difícil, mas graças ao que aprendeu com o apoio de sua mãe, Bill foi paciente e persistente o suficiente para conquistar seu espaço.

A leitura que faço de sua história pelo filme é que, os casos de vendas que ele passa retratam a realidade de muitos de nós, vendedores profissionais, mas poucos têm o discernimento de evoluir com os erros, de saber ser duro na queda, especialmente, poucos se mantêm na dianteira. Os que são passados para trás, deixam de experimentar o sabor da conquista, que é valiosa na área de vendas e é o real sentido de ser vendedor.

Porter foi ainda mais longe, mostrou-nos o poder de uma boa apresentação pessoal, trajava sempre terno e gravata, tinha sempre bom humor, ganhava o respeito de todos e sabia vender com uma comunicação, ironicamente eficaz, apesar de seu problema de fala, pois sabia fazer perguntas, envolver o cliente, mesmo nem sempre objetivando vender. O relacionamento o fazia vender sempre e, isto deve-se ao fato de que ele focava no interesse do outro (do cliente) e investia seu interesse sincero em saber mais da vida das pessoas.

Quantas vezes fazemos visitas ou telefonemas sem interesse próprio? Ele o fazia e sabia ser agressivo (no bom sentido), vendia com a certeza de que estava fazendo o melhor pelo cliente e fechava o negócio pelo cliente. Sua vida não foi fácil, como a vida de muitos de nós, e a leitura ainda mais profunda que posso fazer sobre Bill Porter, especialmente depois que fiz pesquisas sobre ele, é que vale a pena cada minuto que investimos em nossos objetivos, sabermos o que se queremos nas vendas e na vida e, só assim, teremos chances de superação e sucesso, mas lembrem-se é preciso ter PACIÊNCIA E PERSISTÊNCIA.

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