Quando a burocracia "trava" a comunicação

Colunista: Marcos GrossOs manuais de administração nos ensinam que é preciso “controlar” qualquer processo de produção. A qualidade dos produtos ou serviços dependem da definição de certas regras que monitoram se está tudo dentro dos padrões definidos pela empresa. O controle é uma forma inteligente de “feedback” que assegura se estamos no caminho certo em qualquer atividade.

Se deixarmos os processos “a Deus dará”, a empresa virá uma bagunça e perderá qualidade e competitividade. Até aqui, tudo bem…

 

O problema é quando o controle passa a ser uma obsessão de todos os setores da organização, a todo o momento, obrigando o colaborador a registrar todas as suas ações e escritos em plataformas, correios eletrônicos internos, relatórios e memorandos. É como se o “Big Borther organizacional” acompanhasse o funcionário 24 horas por dia por sistemas e “capatazes corporativos digitais”.

O excesso de controle literalmente trava a comunicação humana em sua espontaneidade e naturalidade. As pessoas simplesmente desaprendem a ser criativas e começam a viver em função do que os “manuais, protocolos e procedimentos” orientam. Sendo assim, passam a ficar inseguras e “robotizadas” nas suas falas e textos, pois tudo o que realizam deve ser literalmente registrado e virar “ocorrência” para o “bem” da organização.

Caso se recusem a registrar esses eventos, dentro dos padrões estabelecidos, os colaboradores poderão ser punidos pela empresa por violação da “política interna”. Dessa forma, os funcionários são treinados a viver em função exclusiva das regras burocráticas e esquecem que a empresa é uma organização que precisa “ter jogo de cintura” com clientes internos prontos para atender os clientes externos.

O funcionário forjado na burocracia se transforma em uma espécie de “zumbi corporativo”. Fica tão condicionado às normas e aos procedimentos que sua capacidade de raciocionar de forma livre fica bloqueada. É como se a criatividade de sua comunicação “travasse” em prol das regras da empresa.
O mundo passa por mudanças constantes, profundas e imprevisíveis. É inconcebível imaginar um funcionário sem iniciativa, que ignora as dinâmicas do trabalho e responde somente a comandos burocráticos.

O que se espera de um colaborador competente nos dias atuais? A expectativa é que os funcionários tenham liberdade para se expressarem e estejam “ligados”, “conectados”, “atualizados” para responder com agilidade aos problemas e demandas do dia a dia. As regras “acorrentam” as pessoas e sua capacidade de se comunicar. Controlar, sim; travar, jamais. Fim da mensagem.

Marcos Gross é diretor da consultoria McGross Ltda, desde 2001, desenvolve cursos, palestras e soluções corporativas por meio de diagnósticos e projetos customizados; É Doutor em Ciências pela USP, mestre em Linguagem (UMESP) e especialista em Gestão Comunicacional pela ECA-USP. Graduou-se em Comunicação Social pela FAAP e é autor do livro ¨Dicas Práticas de Comunicação: boas ideias para os relacionamentos e para os negócios¨, pela editora Trevisan.

Todos concordam com o "chefe", mau sinal…