Todos concordam com o "chefe", mau sinal…

Colunista: Marcos GrossA maioria das empresas almeja um ambiente de trabalho perfeito onde haja harmonia entre os colaboradores e reine a unanimidade nas situações mais tensas do cotidiano corporativo. As organizações geralmente são locais onde a hierarquia não pode ser contestada porque quem está acima tem que demonstrar seu poder; quem está abaixo, deve fingir ser comandado. Discussões de qualquer natureza devem ser neutralizadas e, de preferência, banidas da agenda organizacional.

Nessas organizações as pessoas não são incentivadas a relatar os problemas de trabalho com a cúpula e evitam criam desavenças com colegas ou subordinados, pois o risco de serem mal-interpretadas ou causar problemas com o “chefe” são grandes. Para garantir o emprego e o bom clima organizacional, os funcionários preferem não contrariar colegas ou superiores em reuniões de trabalho.

Fatos relevantes são ocultados onde impera a dissimulação e o silêncio, dados são omitidos e informações estratégicas sofrem distorções. Tudo em nome da paz e da ordem corporativa.
Para compensar a frustração dos colaboradores, que não podem expressar suas opiniões de forma transparente e direta aos seus encarregados, a “rádio peão” funcionará a todo vapor nas rodinhas, corredores, almoços e happy hours, revelando a insatisfação que reina entre os funcionários no subterrâneo da empresa. É bom lembrar que as conversas que circulam nessas rodas informais representam a comunicação autêntica entre os colaboradores, vozes que são reprimidas ou ignoradas no cotidiano “oficial” de trabalho.

Quando a liderança de uma empresa desencoraja a participação e a expressão das opiniões dos funcionários nos projetos e rotinas administrativas, as falhas são camufladas e os pontos fracos das operações não são verificados adequadamente, conduzindo a empresa ao erro e à perda de competitividade. São situações perigosas que perpetuam a sensação de “falsa normalidade”.

A ausência de feedback entre as pessoas acaba por não revelar as falhas administrativas, reprimindo a capacidade de autocrítica e autoavaliação de todos os membros da organização. A cultura do medo desestimula a comunicação e impede que as fraquezas da organização venham à tona, acabando por levar à organização a um círculo vicioso de equívocos e omissão de responsabilidade.

É importante estimular reuniões nas quais os participantes possam expressar com franqueza suas percepções sobre os processos de trabalho. Nos encontros entre as equipes, os líderes devem incentivar o diálogo, “quebrar o gelo” e criar um ambiente onde as ideias e os acontecimentos na linha de frente organizacional possam se revelar. É preciso humildade para reconhecer nossos equívocos e não cair na tentação de mascarar os fatos.

Quando todos concordam com todos em uma organização, é sinal de que a verdade está sendo reprimida em nome de uma falsa harmonia entre a equipe. A unanimidade é burra. Um grupo de trabalho maduro encara as divergências e aprende com as suas próprias experiências. Fim da mensagem.

Marcos Gross é Diretor da consultoria McGross Ltda, desde 2001, desenvolve cursos, palestras e soluções corporativas por meio de diagnósticos e projetos customizados; É Doutor em Ciências pela USP, mestre em Linguagem (UMESP) e especialista em Gestão Comunicacional pela ECA-USP. Graduou-se em Comunicação Social pela FAAP e é autor do livro ¨Dicas Práticas de Comunicação: boas ideias para os relacionamentos e para os negócios¨, pela editora Trevisan.

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