A mensagem depende do mensageiro

Você não poderá comparecer a um evento importante do seu setor de atuação e pede a um colega que registre todos os detalhes daquilo que você não terá oportunidade de testemunhar “ao vivo e em cores”.

Na sua ausência, seu amigo será o seu mensageiro, será os seus olhos e seus ouvidos, registrando todas as informações relevantes do evento. A partir dos dados que ele coletará e transmitirá, você tomará decisões significativas.

Você pode confiar plenamente nos relatos do seu amigo?

Independente da postura ética do seu mensageiro, sempre acontece uma distorção na transmissão de uma mensagem. Nem sempre aquilo que é transmitido corresponde àquilo que ocorreu. Isso porque não existe uma realidade pura, intocável e cristalina. Quando alguém relata algo a alguém, o relatório depende das impressões do relator. Nós interferimos naquilo que testemunhamos e “contaminamos” os objetos ao nosso redor.

Se o relator é técnico e detalhista, a leitura do evento será minuciosa e repleta de pormenores; se ele for um psicólogo, tenderá a realizar leituras comportamentais dos acontecimentos e das pessoas envolvidas; se o nível de escolaridade do relator for baixo, existem chances dele ter dificuldade de expressar – por meio de palavras – tudo que presenciou, pois seu vocabulário pode ser limitado.

Os preconceitos do colega também interferirão na descrição. Seus valores, sua visão do mundo e aquilo que considera importante resultarão em um relatório baseado nas suas percepções, e não necessariamente nos fatos. O estado fisiológico e emocional também impactarão no relatório final. Talvez – para agradá-lo ou querer impressioná-lo – seu colega omitirá vários momentos do evento a fim de manter um bom relacionamento ou não “bater de frente” com as ideias da empresa e da sua cultura organizacional.

Às vezes – infelizmente – as pessoas distorcem as mensagens propositadamente para prejudicar terceiros ou se promoverem na organização. Nesse caso, o relatório foi totalmente corrompido.

Sabemos que a história é escrita sempre pelos vencedores. Uma série de relatos interessantes e outros pontos de vistas são banidos definitivamente da versão oficial dos acontecimentos porque não interessam a certos grupos/pessoas/organizações.

Ao recortarmos a “realidade” e selecionarmos as informações que são convenientes, deixamos de fora muito conteúdo importante. Fim da mensagem.

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Marcos Gross Scharf
Diretor da McGross – treinamento e consultoria
Doutorando, Mestre e especialista em Gestão de comunicação
www.mcgross.com.br

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