Os estereótipos de cada dia

Colunista: Marcos GrossQuando um “gringo” pensa no Brasil, a resposta é óbvia: surgem imagens de florestas, índios selvagens, futebol, muito samba e mulheres seminuas. Ao desembarcar nas grandes capitais com seus milhões de habitantes, os estrangeiros – surpresos – constatam que a imagem não coincide com os fatos. As metrópoles têm arranha-céus, possui largas avenidas e abriga uma grande diversidade de etnias.

É lógico que também formamos representações de outros povos. Na nossa imaginação, o italiano dança a tarantela e come massas o dia inteiro; o alemão toma seu chope até cair; o argentino é sempre cabeludo e o espanhol é um toureiro com cara do ator Antônio Banderas.

TODO ITALIANO É ALEGRE E TOMA VINHO.

A frase é estereotipada. Não sei se todos os italianos do sul ou norte são alegres, mas parece que temos a tendência de simplificar coisas que são complexas. Sabemos que a Itália também possui uma variedade de culturas e que há, obviamente, italianos taciturnos, reservados e até deprimidos. A frase “todos os italianos…..” pode nos induzir ao erro e ao estereótipo. Se pelo menos 95% dos cidadãos italianos fossem alegres, poderíamos afirmar que os “italianos são felizes, apesar das exceções”.

O estereótipo precipita as opiniões e juízos de valores sobre coisas e pessoas. Ele funciona como uma fotografia “congelada” na nossa mente que resiste ao tempo. Se aprendi na escola, com meus pais, amigos e mídia que “os italianos são festeiros e alegres”, vai ser difícil alguém “desgrudar” essa ideia da minha cabeça.

Quando se relacionam e se comunicam, os seres humanos tendem a fazer generalizações do próximo, reduzindo assuntos complicados a imagens simplificadas. A propaganda, os programas de TV, alguns livros didáticos e o senso comum reforçam cenas distantes do cotidiano. Na minha opinião, essa forma de enxergar e interagir com o mundo está sempre presente nos relacionamentos interpessoais.

A antropologia diz que somos “etnocêntricos”, isto é, achamos que a “nossa cultura” é melhor que a dos outros. Temos a tendência de tachar as pessoas. Julgamos fulano por ser de tal religião, sicrano por se vestir daquela forma ou pelo fato de beltrano pertencer à determinada “raça” ou grupo social.

O estereótipo é um filtro que distorce a realidade e atrapalha a comunicação com o interlocutor. O desafio é desprogramar nosso cérebro e aprender a enxergar todas as informações que estão ao redor sem deformações. Fim da mensagem.

Marcos Gross Scharf
Diretor da McGross – treinamento e consultoria
Mestre e especialista em Gestão de comunicação
mcgross@uol.com.br

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