Biólogo: muito mais que um estudioso de espécies

Tatiana Aude

Quando se pensa na profissão de biólogo, logo vem à cabeça a imagem de um profissional que estuda espécies, geralmente em campo, ou em laboratórios. Mas saiba: a atuação deste profissional é mais ampla do que se imagina, e o trabalho dele – ou dela, porque há muitas mulheres na área – está ganhando tamanha importância que já é considerada, por uma pesquisa recente – realizada pela Catho Online -, como a 3ª área de atuação que mais teve contratações em 2008, totalizando um crescimento de 34% – e que deve crescer ainda mais neste ano.

Pautado pela curiosidade de entender como se processa a vida de organismos vivos – sejam eles terrestres ou marinhos – o biólogo se tornou, com o passar das décadas, a representação do profissional que valoriza a natureza e o meio ambiente. E como as empresas despertaram a atenção para a questão de sustentabilidade, priorizando produtos e meios de fabricação que agreguem valor ambiental visando garantir, assim, o futuro das novas gerações, este profissional ganhou um novo leque de oportunidades: trabalhar como consultor ou educador ambiental.

Quem afirma isso é o professor doutor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), Alexander Turra, que trabalha como biólogo há quinze anos. Para ele, a biologia é uma profissão marcada pela versatilidade, e o crescimento já era esperado, uma vez que a atuação permite ao profissional desenvolver diversas habilidades, trabalhando em diversas frentes, em escolas, universidades, centros de pesquisa, análises clínicas e grandes corporações.

“Todo biólogo aprende um pouco de química, física, geologia e biologia geral. A partir disso, pode atuar na licenciatura, que é muito comum; entrar num mestrado ou doutorado e partir para a pesquisa científica, ou atuar nas empresas, no setor de gestão ambiental. Além disso, pode atuar em análises clínicas, mas nesta área existe até uma disputa com os biomédicos, porque a formação do biólogo permite realizar esse trabalho também”, comenta.

Turra decidiu seguir o caminho da pesquisa. E no Instituto Oceanográfico realiza estudos – encomendados ou não – sobre animais de praia, poluição dos mares e influência nas espécies, aquicultura, pesca, peixes, cadeia alimentar, entre outros. Mas, ao contrário dele, o biólogo Thiago Rodrigues dos Santos, continua estudando para diagnosticar em que área pretende atuar. “Quando entrei no curso tinha idéia de trabalhar com animais em pesquisa. Mas o pensamento evoluiu durante o curso e cogito até entrar na licenciatura, pois a educação é uma ferramenta importantíssima para a conservação do meio ambiente”, enfatiza.

Jovens como Thiago são os mais interessados em buscar novas abordagens profissionais dentro desta formação. Afinal, a possibilidade de trabalhar educação, dentro ou fora das empresas, surgiu em meados da década de 80 (embora as primeiras manifestações tenham acontecido cerca de dez anos antes) e o departamento ambiental nas corporações começou a elaborar novas políticas, buscar estratégias pró-ativas e fazer com que a equipe ambiental fosse inserida no desenvolvimento tecnológico e nas decisões da empresa.

“As empresas que hoje ressaltam a necessidade de pensar em sustentabilidade, são justamente aquelas que utilizam recursos naturais ou emitem agentes poluidores para o ambiente. E perceberam que com essa nova política, podem reduzir custos e ainda atrair novos consumidores, que estão à procura de empresas que pensam no futuro. Um exemplo é a Goóc, que aliou produção e sustentabilidade, sendo que o marketing principal do produto é o cuidado com o meio ambiente”, acrescenta Thiago.

Qualidade na Área Ambiental

A mudança de paradigma empresarial é séria. Tanto é que, em 1993, a International Organization for Standardization (ISO) percebeu a necessidade de desenvolver normas que tratassem da questão ambiental e tivessem o intuito de padronizar os processos de empresas que utilizam recursos tirados da natureza e/ou causassem algum dano ambiental decorrente de suas atividades. Foi criada, naquele momento, a ISO 14000.

A ISO 14000 logo passou por novos estudos e deu origem a outras normas, que tratam da regularização de auditorias – órgãos fiscalizadores do cumprimento das normas -, são elas: ISO 14015 e ISO 19011. Ainda em relação à rotulagem ambiental – garantia de que um determinado produto é adequado ao uso que se propõe, e apresenta menor impacto ambiental – também existem a ISO 14020, ISO 14021, ISO 14024 e ISO 14025.

Para Alexander Turra, a preocupação com meio ambiente nas indústrias e grandes empresas, atualmente, nem sempre é levada a sério como deveria. Mas para o futuro, entretanto, a previsão é mais otimista.

“Infelizmente a sustentabilidade já caiu no senso comum e quase ninguém sabe o que é. Precisa haver uma mudança significativa de postura das pessoas e dos atuantes: governo, indústria etc. Acredito que hoje o assunto ainda é tratado de forma pirotécnica, pois está mais focada no marketing e na imagem do que na ação, na prática efetiva realmente. Minha esperança é que no futuro isso se modifique, pois já existem muitas ONG’s sérias trabalhando neste aspecto, e biólogos engajados também”, esclarece.

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