Qualificado, mas sem emprego. Por quê?

Hoje, frente a uma realidade complexa no mundo empresarial e em constante mudança, profissionais versáteis e com agilidade para aprender coisas novas têm sido mais valorizados pelo mercado. Mas isso não quer dizer que para ter sucesso você tenha que abraçar o mundo, saber fazer tudo e ir acumulando diplomas. Muita gente brilhante se concentra em habilidades específicas.

Muitos ainda não entenderam essa ideia corporativa atual e por isso temos um movimento enorme de profissionais que desejam ser bem-sucedidos tão rapidamente que ingressam em cursos técnicos, graduações, pós-graduações, MBA, etc, sem saberem ao certo onde querem e onde são capazes de chegar.

“Não se trata de uma questão quantitativa: quanto mais cursos, melhor ou pior. Isso não existe. No fim das contas, é a qualidade da formação e das experiências de cada candidato associadas aos atributos necessários ao cargo específico que vão pesar na avaliação e seleção do candidato”, explica a gerente de pesquisa da consultoria de educação corporativa LAB SSJ, Isadora Marques.

Porque o profissional não consegue emprego

Alguns dos motivos são o perfil e o grau de maturidade de cada um. O crescimento deste profissional altamente qualificado não pode interferir negativamente em sua personalidade e o modo como ele trabalha em equipe – o que ocorre com muitos.

Crescer bastante na carreira só afeta a atitude das pessoas quando elas deixam o ego e a vaidade tomarem conta. Quando, apesar do excelente conhecimento técnico, a pessoa não tem maturidade nem experiência suficiente para lidar com times, administrar conflitos, motivar grupos, enfim, para interagir com as pessoas com equilíbrio emocional. Nesses casos, isso pode até limitar seu crescimento, impedindo-o de exercer seu máximo potencial.

Não adianta ter somente a qualificação, saber fazer relatórios muito bem e não conseguir se comunicar corretamente com os demais, é preciso estar bem informado. Em geral, quanto mais um profissional for exposto a várias experiências de aprendizagem, mais probabilidade ele terá de desenvolver novas habilidades, de ser mais criativo, inovador– este sim é o requisito essencial no qual as pessoas deveriam investir.

Assim é possível ter um crescimento e, ao mesmo, tempo, manter a humildade. O importante é se conscientizar das próprias forças e fraquezas, e ter autoconhecimento para desenvolver e aperfeiçoar competências continuamente.

 

Afinal, qualificação demais também atrapalha a carreira?

É muito comum especialistas (pessoas mais experientes, não necessariamente as que têm maior graduação e mais cursos concluídos) passarem por uma dificuldade maior para conseguirem uma recolocação sem ser por indicação de amigos ou conhecidos. Essas pessoas com mais experiência no mercado, com mais “estrada”, acabam custando mais caro para as empresas, então, elas só vão investir mais para preencher uma vaga se estrategicamente fizer sentido. Do contrário, a organização prefere acolher profissionais em início de carreira, principalmente para fortalecer o capital de talentos dentro da empresa, já que é mais fácil moldar e desenvolver uma pessoa de acordo com a cultura organizacional quando ela está começando sua vida profissional.

Recrutadores, em geral, fazem um dimensionamento dos requisitos da vaga oferecida pela organização versus o perfil do profissional disponível. Como no casamento, é uma combinação que vai depender das duas partes.O mais importante é ter flexibilidade, saber se adaptar, estar aberto para mudar e aprender, ainda que seja na especialidade/área de escolha da pessoa.

“A verdade é que não existe regra, cada caso é um caso. Então, dependendo do tipo de carreira que a pessoa quer seguir, uma especialização maior pode ser o mais adequado, mas aprender nunca é demais para garantir sua vaga sem sufoco”, conclui Isadora.

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