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25/06/2010 - Leonardo Calixto: técnicas teatrais no universo empresarial

 

Caio Lauer

É possível aplicar técnicas de teatro em empresas? Ator por formação e com trabalhos em direção de palco, Leonardo Calixto afirma que sim. Atualmente, exerce a função de coach para executivos e é diretor de performance da EIT (Espaço de Interpretação Teatral), única Escola de Artes Cênicas de Comunicação e Negócios do país.

Leonardo desenvolveu uma metodologia cientificamente comprovada, chamada Cultura de Performance, e que potencializa competências comportamentais de líderes e colaboradores, fortalecendo a cultura da empresa. Seus métodos e ferramentas são adotados em empresas como Shell, Natura e Petrobrás, entre outras.

Com certificação internacional em personal e executive coaching, ele conta ao Carreira & Sucesso como se tornou mentor de CEOS de multinacionais, desenvolvendo a comunicação e liderança nas organizações.

Você é formado em artes cênicas. Como foi esse início com teatro e o trajeto até iniciar trabalhos em empresas?

Minha relação com teatro, a princípio, aconteceu porque eu tinha dificuldade de me relacionar com as pessoas. E também tinha o sonho de me tornar um artista e ser famoso. Foi aí que ingressei nas artes cênicas, cheguei a fazer comerciais, algumas pontas em telenovelas, mas não me sentia satisfeito e feliz, existia um ?gap’ no meu lado profissional.

Comecei, então, a me dedicar aos bastidores, na direção e produção de espetáculos de teatro, e mesmo assim aquele vazio ainda persistia. Em uma dessas produções, além de dirigir, tive que fazer a produção de elenco e percebi que as dificuldades que os atores tinham para performar vinham da vida pessoal. Por exemplo, se a pessoa tinha dificuldade para se concentrar, decorar textos e guardar marcação de palco, na vida particular era alguém que esquecia compromissos e datas. Então, comecei a perceber que as dificuldades presentes no profissional, vinham do pessoal. Se eu aplicasse apenas técnicas pontuais para resolver o problema especificamente naquele trabalho, de alguma forma essa dificuldade persistiria e apareceria de outra maneira. A partir desse momento, criei uma metodologia de desenvolvimento pessoal.

Então, pensei que esses problemas eram universais, presentes em qualquer área e profissão. Toda dificuldade que possuímos profissionalmente precisa ser trabalhada a partir do aprimoramento pessoal. O lado técnico tem uma limitação, a pessoa não.

Quando identificou que poderia relacionar o teatro com o desenvolvimento de executivos?

Comecei a estudar o mundo corporativo e vi que o maior drama deste meio é a perda da sensibilidade. Platão dizia no século IV A.C., que um produto nasce oriundo de uma necessidade. Quando percebi essas questões nos atores, automaticamente relacionei que por trás deles há pessoas. Então, por trás de um jornalista ou um engenheiro também há. Percebi que era definitivamente um produto de desenvolvimento pessoal aplicável em qualquer área.

Após o desenvolvimento deste método, o divulguei por meio de um site. No início visitei algumas empresas para apresentar os projetos, mas isso não vingava porque havia muito preconceito. Há 12 anos, a internet também não era tão acessível e isso dificultou um pouco no início.

Percebi que todo profissional que fazia qualquer tipo de processo precisava de um diagnóstico. Ou seja, não poderia ser um curso ?enlatado’. Precisaria receber o executivo na escola, traçar esse perfil e, mediante as necessidades, o encaixaria no método mais cabível. Naquela época, um executivo marcou uma consulta e, quando percebi, eu estava na frente do presidente de uma multinacional. Ele me confidenciou que tinha disponível as melhores consultorias de desenvolvimento humano, mas estava em busca de algo novo. Então eu realmente estava indo por um caminho diferenciado.

Após este fato, divulguei para as empresas como conquistar a comunicação de alta performance com o teatro por meio de palestras. Essas apresentações convidavam os executivos para fazer os diagnósticos e trabalhos particulares na minha escola. A intenção era quebrar os preconceitos e a desconfiança.

Seus treinamentos já foram aplicados em grandes empresas como Petrobrás e Natura. Como despertou o interesse dessas grandes organizações?

Criei uma ferramenta de assessment que levanta o estágio de desenvolvimento do executivo perante suas competências. Deu super certo, e os profissionais do alto escalão começaram a contratar o serviço. O retorno para eles foi tão grande que, acredito eu, por certa gratidão, indicaram minhas aplicações dentro das suas empresas para os colaboradores.

De forma geral, o que as aulas de interpretação podem trazer de melhoras ambiente corporativo?

Os resultados provêm da pessoa conquistar os estados emocionais fortalecedores como confiança, segurança, naturalidade, serenidade e tranquilidade. São essas características que possibilitam, no dia a dia, analisar, se expressar e transformar. Atitudes que nos fazem proativos.

Por exemplo, como posso falar em público se não tenho segurança? Como este é um estado emocional, tem que ser trabalhado de dentro para fora da pessoa. O desenvolvimento destes pontos ajuda a pessoa a ser ela mesma em qualquer situação. Ela passa a adaptar seu capital intelectual à necessidade do momento. Interagir, compreender melhor os outros e trabalhar em equipe.

A EIT (Espaço de Interpretação Teatral) criou uma metodologia chamada Cultura de Performance. Como funciona?

Este método foi batizado com este nome porque visa potencializar o desempenho de cada líder e colaborador, considerando a cultura da empresa e o aprendizado vivencial. Performance não é nada sem a cultura. Não adianta o executivo desenvolver o mesmo trabalho em empresas com políticas diferentes.

Utilizamos técnicas teatrais ligadas a situações-problema do ambiente corporativo, e quando eles se vêem resolvendo esses conflitos a partir do que realmente são, têm a capacidade de aprendizado alterada. Não porque demos as respostas a eles, e sim porque acharam as respostas no ?eu interior’.

É neste ponto que aceitam as mudanças, porque todos nós queremos fazer parte de um mundo que ajudamos a criar. Não queremos as respostas prontas, queremos desvendá-las. O aprendizado de experiência permite isso: sem o instrutor que está conduzindo o treinamento, perceba qual é o comportamento limitante que tem e o que precisa fazer para fortalecê-lo.

Os executivos atuam com base em personagens?

A vitória particular precede a pública. O mundo do século XXI é o da transparência, e as redes sociais estão aí para comprovar essa afirmação. Então, não trabalhamos com personagens porque as pessoas têm quer ser as mesmas na vida particular e na empresa. Potencializamos os pontos fortes do que elas são de verdade.

Existem áreas que solicitam com mais frequência o treinamento?

Atualmente, atendemos a vice-presidência do Grupo Santander, do setor bancário. Há também muitos engenheiros vindos da Petrobrás. Normalmente, são os profissionais da área de exatas que têm dificuldade de se expressar. Os profissionais das humanas, por exemplo, já são mais descolados, mas mesmo assim nos procuram, pois a comunicação é a principal habilidade comportamental do século XXI. Não importa o que você sabe, e sim como transmite o que sabe. Essa necessidade está fazendo as pessoas desenvolverem essa competência com mais rapidez. Sem a comunicação, não há como se relacionar, trabalhar em equipe e resolver conflitos.

Como são mensurados os resultados das aplicações?

Foi criada uma ferramenta exclusiva para isso, o ROE (Retorno sobre Expectativas). Ela nos permite mensurar, de uma escala de 0 a 10, como ele era em relação às competências que fomos contratados para desenvolver e o quanto ele atingiu no fim do treinamento. Este é o grande apaziguador entre o RH e o financeiro da empresa, porque percebi, durante todos esses anos, que o RH trabalha em parceria conosco, mas quando solicita ao financeiro o serviço – já que não é um custo baixo -, o último departamento quer saber o retorno prático dos treinamentos. Com este método de análise conseguimos mensurar o abstrato.

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