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05/03/2010 - A tendência do Dress Code nas organizações

 

Maiara Tortorette

A imagem se torna cada vez mais importante no mundo corporativo e as organizações começam a se preocupar com a apresentação dos seus profissionais, como reflexo da própria empresa. O que mudou? Quais as vantagens e desvantagens que a liberdade de expressão trouxe nesse conceito de vestimenta e apresentação pessoal? Porque as empresas estão investindo na imagem dos profissionais? Por um lado, podemos notar que com o passar dos anos as pessoas conseguiram ser mais autênticas, menos reprimidas e expressar mais o que querem e pensam, no entanto, por outro lado, existe uma falta de parâmetros que muitas vezes causa preocupação às organizações que recorrem a nova tendência: o Dress Code.

Dress Code nada mais é do que um código de vestimenta, que serve tanto para a vida social como profissional. Atualmente, podemos notar que as empresas estão investindo nessa prática para que os profissionais entendam os valores e conceitos da organização onde trabalham e consigam traduzir a imagem da empresa na maneira de se vestir. Desde cargos de níveis mais baixos até os executivos, a apresentação pessoal pode ser fator determinante para se transmitir uma imagem positiva, tanto do próprio profissional quanto da empresa que está sendo representada.

Para Silvana Bianchini, diretora e proprietária da Dresscode International, existem diversos motivos para essa preocupação das empresas, como a competitividade no mercado, as mudanças na forma das pessoas se comunicarem e até mesmo a diversificação na maneira de se vestir. “Partindo do princípio que o seu concorrente tem um serviço parecido, a mesma tecnologia e um preço equivalente, então o grande diferencial será as pessoas. As organizações estão preocupadas que o recursos humanos passe para o cliente a mesma imagem que elas vendem como imagem corporativa, pelo marketing e pelas propagandas, porque o que a gente chama de aparência e comunicação não verbal, passa diversas mensagens que muitos não têm conhecimento”.

“Outro fator que podemos destacar são as mudanças no comportamento e na forma de se comunicar. Esses novos profissionais que não têm mais os pais dentro de casa para educar e para dar esse parâmetro, já que estão trabalhando, contam com as empresas para os ?educadarem’ e treinarem ao ingressar no mundo corporativo”, explica Bianchini. “E por fim, o fato de que antigamente a vestimenta era única, apenas formal e atualmente temos outras formas, como o casual, por exemplo, acaba gerando dúvidas pelas diversas formas de interpretação. Então, a gente sempre sugere criar o Dress Code casual profissional e as consultorias vão às empresas dar esses parâmetros ou criar políticas, porque existem lugares que não possuem essas políticas definidas e por isso não têm como cobrar determinada postura”.

Fernanda Antonelli, consultora de RH da CNS Calçados, também aposta no visual como forma de apresentar uma boa imagem da empresa e acredita que a primeira impressão é muito importante para o julgamento que será realizado pelas pessoas. “Os profissionais traduzem a sua marca por meio do seu ?look’, e quando um funcionário se apresenta sendo de uma empresa x, as pessoas irão avaliar como esse profissional se expressa por meio da sua aparência: uniforme, cabelo, maquiagem, calçado. Isso é muito importante para a empresa que tem um valor no mercado. Por esse motivo, os treinamentos voltados a códigos de vestimenta estão se tornando fundamentais”, explica.

Além da imagem e das dicas de vestimenta, o Dress Code também trabalha toda a forma de comunicação não verbal das pessoas, ressaltando que os gestos ou o modo como nos comportamos podem dizer muito sobre nós. “O consultor de Dress Code deve salientar a necessidade do bom senso e a relevância existente para os aspectos de identidade e cultura organizacional. Deve ser trabalhado não somente a aparência, mas também toda a importância e características de vestimenta dentro do mercado que o profissional deseja se inserir, assim como oferecer um cuidado especial para aqueles que estão em transição e buscando novas oportunidades, pois muitos dos processos e consultores de recrutamento e seleção tomam a indumentária como diferencial”, complementa Taian Haraguchi, gerente de Recursos Humanos da Stone Age.

“A imagem na verdade é tudo, mas não devemos confundi-la com visual ou impressão. Uma impressão eu causo em cinco segundos, uma imagem eu construo”, complementa Silvana. “Normalmente, a gente fala muito de impacto visual ou impressão para contatos de varejo, mas imagem pessoal pode se referir a uma carreira ou relacionamento com o cliente. Geralmente, as consultorias me contratam para falar de comunicação não verbal, tudo que não é falado, ou seja: atitudes, linguagem corporal e vestimenta”.

Como evitar problemas com a imagem e definir o dress code ideal

Antigamente, não era comum notar essa preocupação quanto ao código de vestimenta nas empresas. A moda existe há muitos anos, mas só de um tempo para cá que as organizações passaram a entender a importância da imagem no mundo corporativo e, além disso, começaram a notar o quanto a falta desta imagem pode influenciar negativamente a credibilidade e avaliação da empresa, perante os concorrentes, consumidores e até mesmo os próprios colaboradores.

“Por mais delicado que seja afirmar isso, pessoas com má vestimenta podem interferir na imagem da empresa, por isso a liberdade deve ser cerceada pelos limites do bom senso, principalmente ao lidarmos com clientes”, destaca Taian. “Atender o cliente de acordo com suas normas é uma forma de mostrar o respeito e conhecer sua cultura. Logo, o profissional que resolve adotar um dress code próprio acaba não somente por prejudicar a sua imagem como da empresa que representa. E, para manter o que já está sendo aplicado, as empresa devem sempre passar aos funcionários mais novos, estagiários e parceiros as premissas e objetivos”.

Outra forma de evitar problemas ou dúvidas quanto a melhor forma de se vestir, é cobrar uma postura ainda mais cuidadosa dos profissionais com cargos de liderança. Não é necessário que os gestores se vistam “melhor”, no entanto é importante que sigam o dress code da empresa, pois assim servirão como exemplo para os demais colaboradores. Além disso, o modo de se apresentar também ajuda em casos de menos ou maior acessibilidade ao profissional, de acordo com o que for desejado em cada empresa.

Fernanda acredita que apesar de haver essa preocupação maior com a vestimenta dos lideres e até mesmo uma cobrança mais acirrada por ocuparem cargos de chefia, que todos devem ter o mesmo cuidado no momento de se apresentar. “A preocupação deve ser de todos independente do cargo, porque de qualquer forma a imagem irá refletir na visão que as pessoas podem ter da empresa onde trabalha. Além disso, a apresentação conta muito para a valorização do profissional na organização”.

Cada empresa possui um foco e um público diferenciado, o que também deve ser avaliado no momento de definir o dress code adequado. Para Silvana, devemos definir primeiro a mensagem e depois a vestimenta. “Nossa imagem pessoal é uma ferramenta que administramos e manejamos da maneira que desejamos. Então, as definições de códigos de vestimenta de todos os níveis hierárquicos irão depender de como a empresa quer que aquele profissional seja visto e de como deseja que seu cliente receba a organização por meio dos funcionários. É importante lembrar que cada segmento pede uma linguagem diferente”, explica. “Agora, com certeza, a comunicação visual e a aparência são ferramentas como qualquer outra, assim como você tem que ter um conhecimento técnico sobre alguma coisa, você tem que ter o conhecimento de que sua imagem passa uma mensagem. É fundamental focar na mensagem que deseja passar e administrar isso ao seu favor”, finaliza.

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