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13/04/2010 - Delegar tarefas: habilidade do líder

 

Caio Lauer

O líder que delega tarefas é um gestor inteligente. As corporações enxergaram que uma das maiores habilidades dos profissionais de liderança é saber distribuir tarefas entre os subordinados em prol da equipe e da corporação. Ser líder não significa afirmar que saberá fazer todas as atividades melhor que os membros do grupo. Delegar traz confiança para a equipe, responsabilidade, conhecimento e evolução para os subordinados.

Inicialmente, o líder precisa de competências básicas para tal, como saber lidar com pessoas, saber transmitir sua opinião, interagir e ouvir a equipe. Para que possa delegar tarefas, é necessário um bom conhecimento sobre os subordinados, ou seja, saber o que ele espera da pessoa para quem ele vai delegar essa tarefa. Deve haver também total conhecimento sobre os princípios da empresa, missão e valores, para que isso seja colocado em prática. Não adianta levar esses valores para a equipe, se o próprio líder não pratica essa cultura da empresa.

É primordial que o líder confie na pessoa que recebeu a tarefa e que esse colaborador tenha a vontade e responsabilidade de assumir a função. “Às vezes a pessoa recebe uma tarefa, mas não tem a mínima vontade de executá-la. Ou seja, esse colaborador vai cumprir burocraticamente, sem nenhuma motivação o que lhe foi imposto”, aponta Julio Cardozo, consultor em gestão de negócios e conferencista. É importante enfatizar também que na moderna administração, o subordinado não deve aceitar toda delegação que vem do chefe, como observa Julio Cardozo: “não se admite indisciplina, mas também não se admite que o chefe seja um tipo de imperador dentro da corporação”.

Não deu conta das atividades em horário comercial? Ficou até mais tarde no trabalho fazendo relatórios? O líder que passa por esses tipos de situações deve pensar seriamente em delegar funções. “Se o líder começar a perder qualidade de vida, essa é uma hora de começar a pensar em delegar funções”, sugere Thiago Cury, coach executivo e pessoal, e autor do livro “Vontade de Vencer”. Segundo ele, analisando do ponto de vista do colaborador da equipe, o líder deve delegar funções quando o subordinado começa a se mostrar criativo, começa a ter um desempenho de ser prestativo e mostrar interesse em novos projetos. “É identificar aquele colaborador que quer crescer com a equipe e evoluir profissionalmente”, indica.

Alguns líderes não delegam funções por imaturidade profissional e medo de que seu subordinado se destaque perante a organização. Mas delegar tarefas, muitas vezes, é questão de inteligência, e indicar alguém que faça melhor ou mais rápido que o próprio líder é uma habilidade do gestor moderno. “Muitas vezes o líder, por estar no papel de gestor, pode acreditar que possui todas habilidades necessárias para as funções, mas muitas vezes alguém da equipe tem um talento maior e facilidade para resolver algumas atividades”, afirma Cury. Para o consultor, o líder tem que saber reconhecer no que ele é bom, e no que a equipe também é boa. “Assim, a equipe tem essa subdivisão de tarefas”.

Delegar funções pode ser confundido com isenção de responsabilidade. Mas, na verdade, significa focar as ações em outras atividades. O líder deve delegar para focar em novos projetos e para desenvolver o potencial dos subordinados. Se o gestor não souber acompanhar o andamento da equipe, também não conseguirá se reportar a seus superiores. “No momento em que o líder escolhe sua equipe, ele já deve reconhecer aqueles colaboradores que tenham as competências e talentos necessários para executar tarefas comuns e aqueles que podem assumir tarefas de maior responsabilidade”, observa Julio Cardozo.

O líder que tem a consciência que sozinho não é capaz de realizar o trabalho, cria uma equipe que possa somar competências para minimizar as deficiências dele mesmo e do resto da equipe e, com isso, multiplicar os benefícios para a corporação. “O líder que identifica alguém com o perfil ideal em sua equipe, deve refletir se é a hora em que poderia delegar alguma função para esse subordinado, já que está empenhado com os projetos e objetivos, é uma pessoa criativa, dinâmica e confiável”, diz Thiago Cury.

Delegar não é mandar

A força de poder, na maioria das vezes, delata algum sinal de fragilidade entre os líderes. “O autoritarismo, no meu ponto de vista, é um claro sintoma de incompetência. Como o chefe é incompetente, ele se torna autoritário, que é para inibir, ameaçar e assustar seus subordinados, que com medo, ficam receosos de contestar o poder do chefe”, analisa Cardozo.

Já o coach Thiago Cury sugere: “o primeiro passo para ser firme, enérgico e conseguir melhores resultados com a equipe é manter um feedback olho no olho, entrando em sintonia com o membro da equipe, o acolhendo em sua dificuldade e orientando e dando dicas em novas tarefas”.

O líder se torna comandante de uma equipe porque é capaz de congregar em torno dele um grupo. Essa equipe precisa admirar o líder e sentir nele um fator de motivação. “Chefe que não delega, é um chefe inseguro. Chefe que delega funções é um profissional inteligente, de visão, e de fato um verdadeiro líder”, finaliza Cardozo.

Site – Thiago Cury

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