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22/03/2013 - Especial Charles Chaplin – Tempos Modernos

Autor: Samara Teixeira

Tempos ModernosO segundo filme a ser tratado no Especial Charles Chaplin é talvez o mais emblemático e crítico de suas produções: Tempos Modernos é um reduto de críticas sociais, pós Revolução Industrial, porém, como é de costume, arranca risos e reflexões nos espectadores.

O filme levou alguns anos para ser finalizado, de 1933 a 1936, e quando finalmente foi lançado, o cinema mudo já corria riscos de extinção, pois as falas já estavam começando a imperar com o lançamento de o Cantor de Jazz, de 1927.

Uma mensagem atual e condizente com a nossa era foi transmitida por Chaplin no intuito de questionar o que eram aqueles “ismos” da época, capitalismo, fascismo, imperialismo, nazismo, tudo isso, em um único filme.

A história de Tempos Modernos baseia-se em um trabalhador de uma fábrica (Chaplin) que trabalhava em ritmo extremamente acelerado em uma linha de produção. Em algumas cenas, ele possui os movimentos alterados por conta do trabalho acelerado e repetitivo. Com isso, tem um colapso nervoso por trabalhar de forma quase escrava. É levado para um hospital, e quando retorna para a “vida normal”, para o barulho da cidade, encontra a fábrica já fechada.

Sem opção, ele vai em busca de outro destino, mas acaba se envolvendo numa confusão: ao ver uma jovem (Paulette) roubar um pão para comer, decide se entregar em seu lugar. Não dá certo, pois uma grã-fina presenciou o que houve e entrega tudo. A prisão para ele parece ser o melhor local para se viver: tranquilo, seguro e entre amigos.

Mesmo assim, os dois acabam escapando e vão tentar a vida de outra maneira. A amizade que surge entre os dois é Tempos Modernosbela, porém não os alimenta. Ele tem que arrumar um emprego rapidamente. Consegue em outra fábrica, mas logo os operários entram em greve e ele mete-se novamente em perigo.

No meio da confusão, encontra uma bandeira, que julga ter caído de um caminhão e chama pelo dono, enquanto acena com ela. Um grupo de militantes surge atrás dele, e “se junta” ao vagabundo. A polícia chega e o toma como líder, após isso, ele é levado preso por jogar sem querer uma pedra na cabeça de um policial.

Paulette consegue trabalho como dançarina em um Music Hall e emprega seu amigo como garçom. Também não dá certo, e os dois seguem, numa estrada, rumo a mais aventuras.

Tempos Modernos é considerado o melhor filme de todos os tempos para os cinéfilos, porém, não ganhou nenhum Oscar. Talvez por não existir meio termo, Chaplin realmente quis passar uma mensagem social.

As críticas do filme são atuais, pois o modelo de produção desenfreada nos corta a criatividade e a percepção do mundo ao redor. Por viver em rotina, perdemos a capacidade de analisar possibilidades ou, até mesmo, soluções eficazes dentro de organizações e equipes. Trabalhamos frente a egos e exigências que nos são passados em forma de metas, algumas impossíveis, e tudo isso em prol de uma única coisa, o lucro.

No filme, a máquina toma o lugar dos homens, e com o sistema desigual houve o acarretamento de manifestações e greves porque os lucros vinham de poucos operários. Essa crise deixou muitas pessoas desempregadas ou com dificuldades para se manter, o que gerou o aumento na criminalidade e na escravização. O amor também surge, mas de uma forma quase paternal: o amor de um vagabundo por uma menina de rua.

O filme contrasta a nossa atualidade, talvez por causa da nossa rotina e com as tecnologias tomando funções humanas e sugando o nosso tempo de descanso, pois temos acesso a Internet em qualquer lugar, ou seja, nos cobramos maior produtividade em qualquer horário ou local ao longo do dia.

Outra crítica interessante é a de que a generosidade não está ligada diretamente ao dinheiro e, sim, no quão bom e altruísta você pode ser com o próximo. Dentro de uma equipe organizacional, passamos mais tempo competindo e formalizando ações, que nos esquecemos de praticar a generosidade com alguém que precise de nosso conhecimento para evoluir profissionalmente.

O capitalismo selvagem de Tempos Modernos é atual e nos reflete hoje, mas com uma imensidão de diferenças de épocas e anos de tecnologia avançada. O mais interessante é que evoluímos tanto e continuamos os mesmos operários repetitivos e fadados a uma rotina. A discussão aqui fecha com uma reflexão, as possibilidades de sermos diferentes existem agora, devemos aprender a utilizá-las com inteligência e engajamento ou vamos continuar nos repetindo.

Chaplin dizia que se ganhasse um Oscar iria colocá-lo como encosto de porta, a Academia obviamente não o premiou, pois o “american way of life” foi muito criticado no filme e, na Alemanha, o filme não pôde ser transmitido, pois fazia críticas ao fascismo e stalinismo.

Curiosidades:

Tempos Modernos- O título pensado por Chaplin foi: “The Mass” (As massas);
- Charles Chaplin foi apresentado a Paulette Goddard enquanto escrevia a história, por volta de 1932. Ele resolveu colocá-la no filme, que foi terminado de ser escrito em 1934;
- Foram criados nos seus estúdios vários cenários, como a fábrica, o porto e o bairro operário;
- A estreia foi no Rivoli Theatre, em Nova York. O filme foi considerado comunista, e recebido friamente na América. Além disso, foi proibido em alguns países da Europa, como Itália e Alemanha;
- Neste filme foi a última aparição de The Tramp, o vagabundo;
- Custo final: 1 milhão e meio de dólares, dos quais 500.000 foram somente para a construção da máquina que engole Chaplin;
- Esse foi o primeiro filme em que ele usou totalmente um sistema de som (embora em City Lights tenha testado). Em Tempos Modernos, o vagabundo permanece mudo, mas as vozes podem ser ouvidas nas cenas em que o chefe da fábrica dá as ordens e na cena de canto, com o próprio Chaplin;
- E foi assim que sua voz foi ouvida pela primeira vez na tela: cantando em uma língua criada especialmente por ele.
- Chaplin compôs todas as músicas desse filme;
- Alguns símbolos do filme: o relógio (tempo é dinheiro), gado (o povo correndo para o abatedouro-trabalho).

Confira o filme completo:

Imagem de Amostra do You Tube

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