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30/11/2011 - Wagner Brunini: o papel do RH

Autor: Caio Lauer

Wagner BruniniA área de Recursos Humanos nunca teve tanta importância para as organizações. Reter e desenvolver talentos, além de engajar os profissionais, são fatores essenciais na parte estratégica das empresas nos dias de hoje.

Para comentar sobre este e outros assuntos ligados à RH, conversamos com Wagner Brunini, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP) e vice-presidente de RH da Basf na América do Sul. Brunini ainda fala sobre sua carreira e atividades nas organizações onde atua.

Boa leitura!

Em dezembro o Sr. completa dois anos a frente da ABRH-SP. Como chegou à presidência da Associação?

Tenho 59 anos de idade e comecei a trabalhar com RH em outubro de 1968. Iniciei como office-boy na Willys Overland, uma indústria automobilística que existia na época, e logo depois do meu ingresso na empresa, a Ford a comprou. Fiquei por 11 anos, depois fui para a Henkel, onde trabalhei por quatro anos – o que caracterizou minha passagem para a indústria química.

Estou há 28 anos na Basf e somando as passagens nas outras organizações, estou há muito tempo atuando no mercado de Recursos Humanos. Estudei Ciências Sociais e sempre tive interesse pelo lado associativo. Por entender que a força está nas atividades de grupo e não necessariamente na do indivíduo, sempre tive vontade e buscava participar de grupos associativos, como na faculdade, centros acadêmicos e escoteirismo.

Pertenço ao Grupo de Estudos de Recursos Humanos (GERH) há mais de 30 anos e o objetivo deste conjunto de profissionais é estudar a atividade da área por meio de reuniões mensais. Por meio do GERH, em 1999 recebi o convite para fazer parte do comitê temático do CONARH (Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas), além de ser, na época, diretor da ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento). Esta foi minha porta de entrada na ABRH-SP.

Em 2003, junto com outros profissionais, formei uma chapa de oposição e ela foi eleita. A partir daí, comecei a atuar mais diretamente à área executiva da ABRH-SP. Neste período, tive um problema de saúde e tive que me manter afastado das atividades por cinco anos. Em 2008 retornei e fui convidado a congregar a vice-presidência do conselho de administração da Associação. No ano seguinte, fui indicado a vice-presidente executivo e em 2010 acabei assumindo o posto máximo da ABRH-SP.

Qual o papel da Associação atualmente?

Temos alguns pilares estratégicos.A representação é um deles, pois buscamos representar o maior número possível de profissionais de RH no estado de São Paulo. Outro ponto é a educação, pois entendemos que, a partir do momento que se cria uma comunidade, este grupo oferece uma aprendizagem, que é repassada aos associados e aos que ainda não ingressaram na ABRH-SP, mas que buscam uma aproximação. O terceiro pilar é a influência, pois entendemos que o Brasil vive um momento muito importante há alguns anos, onde a legislação do trabalho vem sofrendo mudanças nos mais diversos campos. Acredito que possamos influenciar nestas mudanças, visto que impactam diretamente na atividade do profissional de RH.

A Basf foi premiada diversas vezes entre as melhores empresas para trabalhar. O que acredita que faz uma empresa hoje alcançar este posto e qual o papel do RH neste contexto?

Participar em 2011, pelo sexto ano consecutivo, do ranking realizado pelas revistas Exame e Você S/A, entre outras certificações que recebemos, é um motivo de muito orgulho. Como profissional de RH, entendo que o maior papel da área é sensibilizar os gestores para trazer para eles esta responsabilidade. Não são merecimentos de uma unidade isolada da empresa, mas sim de toda a organização, onde o papel da liderança é extremamente estratégico e direcionador para receber estas premiações.

O RH é muito importante, pois consegue fazer uma leitura dos ambientes interno e externo da companhia. Mas, muito mais que isto, é essencial compartilhar esta responsabilidade, motivando os líderes para aplicar as melhores práticas.

Muito se fala da sinergia entre RH e presidentes e diretores das grandes empresas. Como construir isto de uma melhor forma?

Acredito que não tenha uma receita perfeita. Existe uma série de fatores influenciadores que devemos apresentar à alta direção das empresas sobre as mudanças que acontecem em torno da relação da capital e do trabalho. É indiscutível que vivemos uma nova realidade nesta relação e, da mesma forma, cabe ao profissional de Marketing mostrar aos diretores de uma empresa as tendências de mercado afetando o seu portfólio de produtos, por exemplo.

É uma questão de sensibilizar o alto escalão das organizações.

Quais ações o RH da Basf planeja para 2012?

Continuamos com o conceito estratégico de formar a melhor equipe possível. Temos também, como objetivo, mostrar para o mercado quem somos – a Basf ainda é relacionada a uma empresa que produzia, ou produz, fitas magnéticas de áudio, produto criado por nós.

Queremos sempre identificar profissionais potenciais dentro da empresa, o mais cedo possível, para que possam ser desenvolvidos e atraídos a continuar conosco. Damos muita oportunidade de desenvolvimento – eu mesmo comecei como coordenador de treinamento e hoje atuo como vice-presidente de RH em toda a América do Sul.

Qual você considera ser o maior desafio para a área de Recursos Humanos para 2012?

Ter a melhor equipe. Ao contrário do resto do mundo, o Brasil vive um momento muito favorável, e este mercado cria grande competitividade quando o assunto é qualidade dos profissionais, produtos e serviços. O custo com o capital humano também ganhou muita importância e está cada vez mais valorizado pelas empresas.

Considero que o processo de desenvolver, reter e engajar profissionais seja um dos grandes desafios.

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