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29/07/2003 - Empresas discutem e valorizam a qualidade de vida de seus funcionários

Autor: Tatiane Leiser

O tema “qualidade de vida” está sendo, ultimamente, um assunto bastante discutido nas empresas. Investir na qualidade de vida dos funcionários pode trazer grandes vantagens às empresas; duas delas são a redução do índice de afastamento dos colaboradores e a melhoria dos relacionamentos interpessoais dentro da companhia.

Valéria Martins, diretora daPhysicus Terapias Integradas, empresa especializada no desenvolvimento de programas personalizados preventivos e curativos, acredita que qualidade de vida é ter um ambiente de trabalho com equipamentos adequados e boas relações pessoais. “Incentivo por parte dos superiores, financeira e psicologicamente, e respeito às necessidade dos funcionários são fatores diretamente relacionados à qualidade de vida no trabalho”.

Segundo Alberto Ogato, vice-presidente daABQV – Associação Brasileira de Qualidade de Vida, qualidade de vida é a percepção que as pessoas têm em relação as suas próprias necessidades e às necessidades do mundo. “É ter equilíbrio entre as dimensões física, psicológica e espiritual”, complementa.

A ABQV é uma associação que reúne pessoas e empresas envolvidas em programas de saúde e qualidade de vida e realiza, a cada mês, reuniões para discutir o tema, falar sobre as tendências e ouvir cases e assistir palestras de empresas.

CASE DE SUCESSO

Eduardo Pellegrina, gerente sênior de Recursos Humanos da Motorola e suporte doMotoviva – Programa Motorola de Qualidade de Vida, que tem como objetivo proporcionar saúde integral as colaboradores da empresa, buscando equilíbrio sob vários aspectos, explica que, para a Motorola, a qualidade de vida é composta por cinco dimensões:

Saúde –física, metabolismo
Emocional –saúde emocional, capacidade de entendimento
Social –ambiente em que vive, relações, convívio com a sociedade
Intelectual –capacidade intelectual, cérebro oxigenado, manter capacidade de entendimento
Profissional– relação no ambiente de trabalho, forma de tratar pessoas, delegar poderes, compartilhar problemas e atividades

Eduardo alerta que é preciso ficar atento a todos estes fatores, já que o abalo de um deles pode interferir e prejudicar os demais. “Uma dimensão influencia a outra. Se o colaborador tem um problema em casa, isso pode afetar seu lado emocional e também sua saúde, o que pode interferir em seu profissional, fazendo com que tenha queda em sua produtividade”, exemplifica Eduardo.

A AUSÊNCIA DA QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO

A falta de qualidade de vida no trabalho pode gerar alguns transtornos na vida dos profissionais e, conseqüentemente, na vida das empresas. “Os problemas físicos aparecem com maior intensidade, e o psicológico fica bastante afetado pela ausência da qualidade de vida”, alerta Valéria. Ela afirma que as crises de estresse, descontentamento e irritação são mais intensas, o que afeta não só o rendimento pessoal, mas também faz com que problemas profissionais sejam levados para casa, afetando o relacionamento familiar.

O que também afeta a qualidade de vida dos funcionários são alguns problemas empresariais como cortes, diminuição das vendas ou contenção de despesas. Para Valéria, estes problemas quase sempre aumentam o estresse e a insegurança sofridos dos funcionários.“Estes problemas interferem na qualidade de vida do profissional, uma vez que ninguém pode trabalhar adequadamente sob pressão”, complementa.

Eduardo comenta que estes programas de qualidade de vida podem ser considerados uma boa ferramenta para a motivação de funcionários, já que ensina a pessoa a gostar de si própria e se valorizar. Para ele, não é necessário um grande investimento para implantar um programa deste na empresa.“Estes programas são mais comportamentais do que investimentos”, explica Eduardo. O Motovida, por exemplo, nasceu da junção de todas as ações que a empresa já desenvolvia nas áreas de Educação Nutricional, Ginástica no Trabalho e Lazer.“Também temos um grupo que faz caminhada todas as manhãs, outro que joga vôlei e futebol e o pessoal voltado aos trabalhos voluntários”, conta Eduardo.

Otávio Valente Filho, gerente de Segurança no Trabalho, Saúde e Meio Ambiente da Motorola diz que o objetivo do Motoviva é dar aos colaboradores a possibilidade de escolha e ajudá-los a entender os diversos aspectos de suas vidas, oferecendo atividades de apoio.“O investimento em pessoas é a base da nossa estratégia”, completa.

O programa também atender às áreas de Saúde Mental e Prevenção e Tratamentos de Dependência Química, desempenhando um importante papel no apoio às mudanças necessárias à organização com o trabalho de transição.

QUEM SAI GANHANDO: EMPRESA OU FUNCIONÁRIO?

A qualidade de vida dos funcionários é benéfica tanto para a empresa quanto para o profissional.“Uma grande e atrativa vantagem para a empresa que investe em qualidade de vida é a diminuição significativa dos custos gerados pelo afastamento do funcionário”, alerta Valéria. Além de tudo isso, a falta de motivação, os sintomas relacionados com a patologia gerada e a condição psicológica que este funcionário fica por não ter satisfação pessoal acabam interferindo diretamente em seu rendimento, trazendo futuros prejuízos à empresa.

Eduardo comenta que o mercado está muito competitivo e a empresa que tem problemas com funcionários não funciona bem e nem competência para competir.“Quem investe em qualidade de vida tem maior performance de fator humano”, afirma.

Alberto acredita que esta é uma tendência global.“Antigamente, somente as empresas multinacionais investiam em programas de qualidade de vida; agora, as empresas nacionais também estão sentindo esta necessidade”, conta ele, e afirma que a ABQV quer levar esta tecnologia a pequenas e médias empresas também.“Todos têm direito à qualidade de vida”, complementa. Valéria discorda que investir em qualidade de vida seja uma tendência das empresas.“Infelizmente, esta não é uma tendência, e as empresas ainda não entenderam que proporcionar qualidade de vida aos funcionários diminui os custos com afastamento e melhora significativamente a satisfação do funcionário de trabalhar na empresa.“Empregado feliz é produtivo, e quem mais ganha com isso é a empresa, por isso esta conscientização é tão importante e válida”, aconselha.

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