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20/03/2011 - A chegada da geração Z no mercado de trabalho

Autor: Caio Lauer

Crianças e adolescentes que já nasceram em contato direto com a internet, a velocidade da informação e as novas tecnologias. Nascidos em meados dos anos 90, essa faixa etária é chamada por especialistas como geração Z. A letra que dá nome a esse grupo vem do termo “zapear”, ato de trocar de canal de TV constantemente pelo controle remoto. Então, essa noção de troca rápida e constante batizou esse grupo etário.

Jovens profissionais desta geração já começam a ingressar no mercado e a grande preocupação por parte das empresas é como receber essas pessoas e como sua chegada impactará nos processos internos e no público consumidor. Diferente da geração X, que teve que se adaptar à chegada das novas tecnologias, e da Y, que cresceu juntamente com o desenvolvimento da modernidade, este novo grupo de profissionais cresceu e se desenvolveu com o advento da tecnologia totalmente ao seu favor. A habilidade e intimidade com os eletrônicos e a velocidade da informação é algo natural.

Conectados com o mundo digital, os jovens que nasceram nos anos 90 chegam ao mercado de trabalho esperando por um mundo semelhante ao seu, conectado, aberto ao diálogo, veloz e global. Às empresas, fica a opção de encarar essa mudança e atualizar seus negócios, criando novas formas de liderança e motivação, ou lutar contra a maré e manter-se
conservador frente às alterações ocorridas nos últimos anos. “Por estar em constante mudança e querer desafios constantes, reter esses talentos será um desafio para as
empresas. A permanência durante muitos anos, em uma mesma organização, será algo utópico e as corporações terão que saber extrair o melhor destes profissionais enquanto
estiverem atuando na companhia. Caberá aos gestores esta função”, indica Gilberto Wiesel, conferencista e consultor da área de desenvolvimento de competências.

A preocupação do universo empresarial com essa geração deve acontecer desde agora. Uma nova conduta da carreira está se formando: o profissional não quer mais perdurar em uma organização durante anos. A geração Z estará sempre em busca de novidades. E a grande questão é que as empresas não pensam em investir em talentos que repentinamente podem sair da corporação. O esforço de recrutar, selecionar e desenvolver profissionais corre o risco de ser em vão, vide a rotatividade que essa nova geração irá impor e o grande desafio será que as corporações criem programas atrativos para a carreira e valorizem seus profissionais, a fim de reter seus talentos. “Acredito que, cada vez mais, o mercado tende a trabalhar por projetos. Permanecer durante muito tempo em uma mesma organização é um conceito que está diminuindo e tendência é que seja eliminado de acordo com os anos”, opina Eline Kullock, presidente do Grupo Foco, consultoria de RH.

Essa geração que chega ao mercado de trabalho tem como forte característica executar multitarefas, ou seja, realizar várias atividades ao mesmo tempo. Esse fato pode ser positivo por um lado, mas há um outro lado negativo: são pessoas que não tem o foco como seu forte e poderão tornar-se profissionais dispersos, que se concentram muito menos em uma só ocupação. O desafio estará em capacitar líderes que consigam uma boa comunicação, uma excelente relação inter e intra-pessoal e que mantenha a equipe focada e motivada.

A presença das gerações X e Y serão fundamentais para que haja uma maior educação profissional do que é ou não correto, conforme diz Gilberto: “apesar de, inevitavelmente, haver o conflito de gerações, a Z precisará muito da X, por exemplo, que ainda estará no mercado de trabalho”. Ele diz que os ensinamentos dos profissionais mais velhos, que estão acostumados com foco em resultado e metas, serão benéficos e vão fazer com que as gerações interajam dentro da empresa.

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