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06/10/2009 - O contador e sua realidade

Autor: Caio Lauer

Caio Lauer

Muitos confundem, ou não compreendem, a diferença entre contabilista e contador. O primeiro é um termo genérico, uma expressão para abranger as duas categorias citadas. O contabilista pode ser também o técnico de contabilidade, formado em nível secundário. Já a segunda classificação é reconhecida na categoria profissional para designar aquele que tem formação superior em ciências contábeis, ou seja, o contador propriamente dito é o bacharel em ciências contábeis.

Por falar em graduação, entre as disciplinas básicas do curso de contabilidade estão sociologia, português, economia, direito e administração. Porém, existem as mais específicas, como direito comercial, tributário e as relacionadas às ciências sociais.

O contador pode atuar em qualquer área que tenha como propósito lidar com informações para a tomada de decisão. Também é tipicamente uma atividade de contadores a auditoria dessas informações. Dados financeiros são aqueles utilizados pelos seus usuários, que podem ser os acionistas ou os credores de uma entidade. Como exemplo, uma atividade típica de contabilidade é a elaboração da demonstração de resultados de um exercício por um período determinado, que permitirá, aos acionistas, ter visão da performance da entidade na qual investiram seus recursos, podendo dela extrair a percepção do sucesso que um empreendimento pode ter.

Esse profissional tem potencial de contribuição em todas as áreas da contabilidade gerencial, que serve ao público interno da empresa, seus gestores. “Um contador pode ter importante papel dentro de uma área comercial de uma empresa ao auxiliar a desenvolver relatórios que capturem a performance de vendas por área, por região e por vendedor, permitindo perceber se os vendedores estão preocupados simplesmente em vender ou se estão atentos a vender e receber”, exemplifica Guillermo Braunbeck, professor da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).

A projeção do futuro, algo tão importante para a tomada de decisões, é o grande objetivo da informação que o contador produz, e para tal, não basta simplesmente reproduzir de forma organizada o que aconteceu. Para o professor da Fipecafi, uma empresa pode ter um contador ou controller em cada departamento, buscando auxiliar a tomada de decisão de gestão dos processos por meio do seu conhecimento de modelos contábeis que permitam gerar informações que ajudem no processo decisório. “Geralmente, encontramos contadores tratando da contabilidade dita financeira, aquela voltada para os usuários externos, como os acionistas e os credores”, esclarece.

A burocracia sempre esteve ligada à imagem do profissional de contabilidade, mas isso vem mudando com o avanço da informática, das tecnologias, e da conectividade entre os diferentes setores da economia. Nos dias atuais, o contador tem tempo para buscar fatos subjetivos dentro de uma empresa que apenas relatórios numéricos não evidenciam. “A evolução da informática veio para colaborar com essa separação da contabilidade com a burocracia. A informática auxilia na execução das operações rotineiras e sistemáticas”, explica José Heleno Mariano, presidente do Sindicato dos Contabilistas de São Paulo – Sindcont. Para ele, o sistema eletrônico colabora com a profissão da contabilidade e isso faz com que os profissionais da área tenham disponibilidade de tempo para realmente exercer suas atividades de análise e suas projeções de opiniões do mercado.

Não só as grandes empresas precisam de contadores. Os níveis de atuação da profissão são bem variados, incluindo trabalho nos órgãos governamentais, e até as chamadas assessorias de finanças pessoais. “Obviamente, não é apenas uma função exercida exclusivamente por contadores, mas esses profissionais têm maior facilidade de entendimento dessa sistemática”, esclarece José Heleno. No ramo contábil são diversas as áreas de atuação. O profissional tem à disposição um mercado de trabalho crescente e bastante promissor, seja em empresas, na carreira independente, na área acadêmica ou até mesmo em órgãos públicos.

A contabilidade é, acima de tudo, uma área estratégica. A demanda no Brasil está aumentando e o mercado está aquecido, mesmo em tempo de crise. Hoje, os profissionais que investem na educação continuada, na reciclagem de seus conhecimentos e no aperfeiçoamento técnico são disputadíssimos. “Se imaginarmos que no Brasil existem aproximadamente 5 milhões de empresas e apenas 410 mil contabilistas registrados, temos um mercado enorme para desenvolvimento dessa carreira”, afirma Marcia Ruiz Alcazar, conselheira do CRC SP (Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo).

A profissão não sobreviveria se não houvesse a complementação profissional de outros conhecimentos. Nos dias atuais, o contador precisa conhecer muito de matemática financeira, estatística, ter noções de marketing, economia nacional e internacional. Todos esses elementos fazem com que as orientações de dados e as informações da contabilidade sejam passadas com mais segurança e clareza a seus clientes e investidores.

Carreira

O mercado de trabalho do contador é bastante amplo. No ramo são diversas as áreas de atuação. As empresas públicas e privadas, os órgãos públicos e as atividades independentes são algumas das opções da função contábil. Para citar algumas profissões, temos: analista financeiro, auditor interno, consultor, pesquisador e agente fiscal.

Para o presidente do Sindcont, grandes empresas de auditoria recrutam profissionais contadores porque o quadro é rotativo e é natural que os profissionais saiam para buscar novas oportunidades. “Para reter talentos, é necessário uma boa remuneração, não somente no sentido de garantir a esse profissional o entusiasmo, mas também de garantir a ele uma remuneração mais adequada e justa”, completa.

Apesar da concorrência acirrada, o profissional da contabilidade possui hoje uma posição bem confortável comparado com outras profissões. As companhias têm procurado novos mercados e investido em modernização e treinamento pessoal, com o objetivo de conquistar segmentos em expansão, como a consultoria, pois perceberam que necessitam contar com parceiros especializados.

“No Brasil, estamos num processo de resgate desse valor (da profissão de contador). Ainda hoje a sociedade entende que a contabilidade está associada apenas às questões de impostos, e acaba perdendo todos os benefícios proporcionados por um gestão contábil eficiente”, finaliza Marcia Ruiz Alcazar.

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