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08/09/2008 - SIM, É POSSÍVEL JUNTAR R$ 1 MILHÃO…

 

Viviane Macedo

Quem é que nunca quis ser um milionário? As apostas na Mega-Sena mostram, toda semana, que o brasileiro acredita na sorte para ver alguns zeros a mais na conta bancária. Mas os contemplados na loteria são uma minoria, e as chances de embolsar uma bolada são pouquíssimas. Mesmo sem apostar todas as fichas na sorte, ainda é possível conquistar o tão sonhado milhão. Apesar de parecer algo muito distante, com uma dose de força, garra, planejamento, determinação e um pouquinho a mais de disciplina é possível chegar lá.

ELES CHEGARAM…

Marco Falcone e Regina Tesima têm uma história de sucesso. Aos 24 anos, ao terminarem a faculdade de Engenharia, eles decidiram que precisavam poupar. No início, não sabiam ao certo onde queriam chegar, só tinham um objetivo traçado: guardar dinheiro para o futuro. “Ainda na época do namoro, já discutíamos a necessidade de poupar. Então, ao sairmos da faculdade, colocamos uma meta de guardar um pouco todo mês”, conta Falcone.

O casal realmente partiu do zero e poupava uma pequena quantia por mês – eram R$ 600, R$ 300 de cada um. Mas, como eles mesmos dizem, “é de grão em grão que se chega a um milhão”. E eles chegaram.

Com o tempo, foram evoluindo em seus cargos nas empresas e começaram a ganhar mais – consequentemente, passaram a poupar valores maiores. Dessa forma, em 10 anos conseguiram guardar R$ 100 mil. E em apenas cinco anos e meio, transformaram isso em pouco mais de R$ 1 milhão. “Nós nunca imaginamos que chegaríamos a esse montante, nem em sonho”, brinca Regina. “Começamos a poupar por uma necessidade, por não termos uma estrutura familiar que garantisse o nosso futuro e dos filhos que planejávamos ter”, conta a engenheira.

Para tornar a história pública e mostrar às pessoas que é, sim, possível atingir um patrimônio milionário, Regina e Falcone escreveram o livro “Como Chegar ao Seu Primeiro Milhão – A História de um Casal que já Atingiu o Seu” (Editora Campus-Elsevier). Com o auxílio do consultor financeiro Gustavo Cerbasi, o casal conta nas 168 páginas do livro os erros e acertos que atravessaram e como conseguiram – partindo do zero e com quase nada no bolso – conquistar esse valor invejável.

“Nós falávamos para as pessoas: ‘Olha, é possível, dá para você chegar a um valor interessante, alcançar a sua independência financeira…’, mas ninguém acreditava. Até que um dia a gente chegou e disse: ‘Está aqui, nós conseguimos’. E por isso decidimos escrever o livro. Não é coisa de americano e nem de consultor financeiro, são duas pessoas normais que vieram de famílias de classe média, entraram na faculdade, estudaram, se esforçaram. São profissionais dedicados, que com disciplina e educação financeira, conseguiram chegar onde queriam. Ou, pelo menos, estão conseguindo”, afirma Falcone.

Para conquistar a tão desejada independência financeira, que se dá quando os seus rendimentos conseguem pagar todas as suas despesas, o casal ainda precisa de cerca de R$ 700 mil e espera chegar a esse valor nos próximos oito anos. Para isso, apesar de já milionários, não se deixam levar por grandes extravagâncias e por consumismo – o que, segundo eles, não é muito difícil. “Nós combinamos muito nisso. Nunca fomos muito consumistas, de querer comprar um monte de coisas, de querer fazer muitas viagens. Nós viajamos, sim, temos as coisas que queremos, mas antes de comprar pesamos a real utilidade disso. Por exemplo: nós trabalhamos o dia todo, temos dois filhos pequenos que só querem saber de correr e brincar. Para que, então, queremos uma televisão a cabo? Temos condições de pagar por isso, mas seria um dinheiro jogado fora, sem utilidade”, conta Regina.

Recentemente, os dois apostam em investimentos no Tesouro Direto e no PGBL Empresarial, que, segundo Falcone, é o que está compensando mais no momento. Mas ele faz questão de dizer que não foi investindo em ações que conseguiram chegar a R$ 1 milhão. “Nós não conseguimos fazer esse dinheiro crescer nos últimos seis anos graças a ganhos fantásticos em ações. Muito pelo contrário: o nosso forte é justamente essa capacidade de se planejar e poupar mês a mês.”

QUER CONSEGUIR VOCÊ TAMBÉM?

Se a resposta é sim, comece a se preparar agora! Não existe tarde ou cedo para dar início a uma poupança, mas existe uma palavra fundamental e indispensável: disciplina. Sem ela é impossível chegar ao sonho de R$ 1 milhão. “Tudo é uma questão de estabelecer metas e seguir essas metas com muita disciplina e foco”, afirma Gustavo Cerbasi.

Além disso, alguns pontos são fundamentais para que o projeto não seja interrompido no meio. Fazer um bom planejamento é um deles. “A primeira coisa é sentar durante um dia, ou, dependendo do caso, um fim de semana, para colocar na ponta do lápis algumas metas de vida e itens de consumo importantes a priorizar”, explica Cerbasi. O consultor afirma ainda que é preciso, neste momento, ter um objetivo, um porquê. “O primeiro milhão, ou qualquer outro valor, só vai fazer sentido se for para dar continuidade a uma vida feliz. Se a pessoa está chegando a R$ 1 milhão cheia de privações, castigos e cortes de gastos, esse dinheiro não vai fazer sentido, vai ser apenas um número na conta corrente de alguém que teve um período de poupança muito infeliz. Então, estabelecer prioridades é fundamental”, aconselha. Cerbasi acredita que dessa forma as chances de a pessoa desistir do projeto de poupança durante um impulso são bem menores.

Outro ponto destacado por ele é que ao decidir poupar é preciso ter a real noção de quanto dinheiro se pode separar por mês para este fim. Ele ainda alerta: “Normalmente, os erros cometidos estão em procurar cortes nas pequenas coisas, como uma assinatura de revista, uma academia, uma viagem. A pessoa cai na armadilha de tirar a felicidade para construir alguma coisa futura que nem sabe o que vai ser”, destaca Cerbasi, que recomenda que os cortes sejam em grandes coisas, como padrão da moradia, padrão do automóvel e, até mesmo, padrão da moda.

A ARMADILHA DO CONSUMISMO

Cerbasi afirma que o grande desafio está em driblar as armadilhas do consumo, pois, até inconscientemente, a vontade de se afirmar e mostrar para as pessoas que subiu na pirâmide social fala mais alto. “Todos nós descendemos de famílias pobres e isso é um grande fator que impulsiona o consumo”, afirma.

Apesar de o consumo ser o grande vilão da poupança, ainda há tempo para rever ações impensadas e buscar o equilíbrio. Se for jovem, há um bom período pela frente para poupar. Se for um pouco mais velho, há o que aprender também. “Se a orientação chega hoje a um jovem entre 20 e 25 anos de idade, o processo de construção do patrimônio se torna bem mais fácil, mais possível. Com disciplina e poupando algo entre R$ 100 e R$ 150 mensais, ao longo de 40 anos se chega no valor desejado. Agora, uma pessoa com idade entre 50 e 55 anos não deveria sequer pensar que está recebendo esse tipo informação muito tarde, porque se soubesse antes também não teria adiantado muito, pois as instituições eram muito frágeis no Brasil”, observa.

AS DICAS DE QUEM CONSEGUIU

Poupar é um hábito: depois de acostumar-se, o difícil é não fazê-lo. Falcone e Regina sabem o que essa decisão representou para eles. E os dois garantem: “Qualquer um pode conseguir!”

Quer entrar nesta lista e ser mais um a conquistar o primeiro milhão? Então, confira as dicas de Regina e Falcone…

“A primeira coisa a se fazer é acreditar e ter algo interno que o motive a isso. Sem objetivos, não vai para frente. É como um regime: você precisa estar empenhado e ter objetivos a cumprir, metas a alcançar”, aconselha Falcone.

E Regina finaliza: “As pessoas têm de se dar conta de que todo mundo que trabalha um dia vai estar desempregado e precisa ter uma reserva. Então, com confiança, força de vontade e disciplina para alcançar as próprias metas, aos poucos é possível chegar a R$ 1 milhão. Acho indispensável rever a questão do consumismo e pensar um pouco mais no amanhã.”

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