As gerações X, Y e Z no mercado de trabalho

Autor: Marcela Alves

Muito se fala sobre os conflitos entre as gerações X, Y e Z, principalmente no que diz respeito às diferenças encontradas no perfil profissional de cada uma delas. Apesar de possuírem algumas semelhanças, os indivíduos dessas gerações apresentam características, linguagens e comportamentos únicos e expressivos que, quer queira quer não, acabam por influenciar os mecanismos do mercado de trabalho.

O jeito de pensar, o modo de se expressar, a velocidade com que faz e a intensidade com a qual deseja. Estes são apenas alguns pontos que mostram com clareza as diferenças entre as gerações que hoje dividem espaço nas empresas. Mas como estes profissionais, de perfis e objetivos tão diferentes, convivem e trabalham juntos?

Quem atua no mercado de trabalho certamente já presenciou situações em que há conflito de ideias, sentimentos ou interesses entre profissionais de diferentes idades. E essa diferença não precisa nem ser grande: bastam dez anos para que as mudanças de comportamento e opinião sejam notadas.

Assim que ingressa no mercado de trabalho, uma nova geração passa a mudar a sua dinâmica e a influenciar os hábitos das gerações anteriores. Deste modo aconteceu com a Geração X (nascidos entre o início dos anos 1960 e o final dos anos 1970) e com a Geração Y (nascidos entre o início dos anos 1970 e o início dos anos 1990), e está acontecendo agora com a Geração Z (nascida após 1995).

O olhar das corporações

“A grande questão é lidar com as fraquezas, as fragilidades e as diferenças. A percepção de que o mundo mudou – e continua mudando – e que o poder das telecomunicações tem impacto profundo na transformação dos seres humanos e nos seus comportamentos exige das corporações uma postura mais atenta. Elas precisam despertar para novos desafios, urgências e premissas nos relacionamentos”, ressalta Regina Nogueira, coach, consultora empresarial e especialista em RH.

Segundo Regina, o progresso e o sucesso exigem atitude, revisão de crenças e comportamentos ligados às decisões estratégicas e corporativas. E para acompanhar o ritmo que se impõe, os profissionais e as empresas devem ser desafiados constantemente pelas novas gerações.

“A leitura dessas gerações e a construção de seus papéis no mercado de trabalho depende de avaliações constantes. Quando falamos de uma nova geração, estamos falando de uma nova forma de aprender e de uma nova velocidade”, explica a coach. Segundo a especialista, pode-se dizer que as características gerais mais marcantes dos indivíduos das gerações X, Y e Z no âmbito profissional são:

Geração X: comprometimento e linearidade
Geração Y: imediatismo e questionamento
Geração Z: colaboração e objetivos comuns

Constante transformação

Entender que cada geração possui uma característica predominante e que o comportamento ideal é aquele que visa o equilíbrio, sem excessos: este é o caminho para que a interação entre os grupos seja sempre positiva. E a recomendação é seguida de perto por muitos profissionais.

Integrante da geração X, a administradora de empresas Vanessa Kaufmann de Mello, 38 anos, já está acostumada com as alterações que, de tempos em tempos, recaem sobre o mercado e seus profissionais. “Acredito que as novas gerações são menos analíticas, estando mais aptas a aceitar riscos. Também são mais criativas e questionadoras, além de serem mais ágeis no momento de desempenharem várias tarefas ao mesmo tempo”, opina.

Para Vanessa, ser receptivo a novas ideias e inovações na forma de trabalhar, prezando pela convivência e harmonia da equipe, é característica essencial para quem deseja continuar atuante no mercado. “Possuo grande habilidade em me adaptar às mudanças e quando tenho algo novo para propor, por exemplo, procuro argumentar com bastante embasamento”, explica.

Analíticos, os integrantes da geração X apresentam conhecimento mais aprofundado sobre os temas e se dedicam bastante ao trabalho. Já a geração seguinte a ela é conhecida por seu perfil questionador, inovador, imediatista e um tanto rebelde. Os millennials, ou simplesmente Y, são mais irreverentes, mas nem por isso deixam de ter comprometimento com o sucesso profissional.

“Costumo sempre pensar no meu objetivo e ter foco na minha carreira para não deixar que o lado emocional afete o meu comportamento ou mesmo uma tomada de decisão no trabalho”, afirma o consultor de marketing Felipe Scalabrin Mosqueira, de 32 anos.

Segundo ele, saber ouvir, conciliar e extrair o que cada um tem de melhor é um dos maiores exercícios que o profissional pode ter como aprendizado para o bem estar coletivo. “Dificilmente você irá encontrar uma pessoa que pense como você, dessa forma, tanto uma crítica quanto uma ideia não levada em consideração fazem parte do mundo corporativo e o ideal é que o profissional tenha maturidade suficiente para não levar isso para o lado pessoal”, completa.

De geração para geração

Individualistas, indisciplinados ou talentosos? Quando chegaram ao mercado de trabalho com suas pretensões e necessidades, os jovens da geração Y provocaram uma enorme revolução no meio organizacional. Entretanto, apesar das conquistas, alguns comportamentos dessa geração se assemelham – e muito – ao das gerações precedentes.

Uma pesquisa realizada pela IBM com 1.784 profissionais de 12 países comparou as preferências e os padrões comportamentais das gerações Y e X e descobriu que elas têm opiniões, aspirações e padrões de comportamento muito parecidos quando o assunto é carreira profissional.

De acordo com o levantamento, causar um impacto positivo na organização em que trabalha é o objetivo de carreira de longo prazo mais importante para 25% dos entrevistados da geração Y e para 21% dos entrevistados da geração X. Já trabalhar com um grupo diversificado de pessoas é o objetivo de 22% dos consultados de ambas as gerações. Por fim, ajudar a resolver desafios sociais e ambientais é o mais importante para 22% dos millennials e 20% da geração X que participaram da pesquisa.

Não muito distante disso estão os profissionais da geração Z – a iGeneration. Vistos pelos especialistas como os futuros chefes da geração Y, estes profissionais nasceram num mundo já digitalizado, com computadores, celulares e internet, e são críticos, dinâmicos, cooperativos e bastante exigentes.

“Sou uma pessoa extremamente dedicada e comprometida com tudo aquilo que me proponho a fazer, me doo 100% e penso em planos alternativos para conseguir contornar o problema da melhor forma possível caso algo saia de forma inesperada. Para isso, eu pesquiso, estudo, analiso e defino estratégias, e a tecnologia exerce um papel fundamental neste processo, pois é uma das principais ferramentas em que me apoio”, comenta Juan Marcel Zabisky Garcia, 24 anos, coordenador de marketing digital.

Para Juan, “a internet ajuda a suprir uma ansiedade extrema em coletar o máximo de conteúdo possível com agilidade, ajudando a reunir tudo o que está disponível para um resultado perfeito no trabalho”. Todavia, o advento da internet e o acesso à tecnologia tornaram estes jovens ansiosos e imediatistas, e as relações pessoais, restritas ao universo virtual. “O perfil acelerado e o excesso de referência trazida pela constante evolução tecnológica pode, em vez de facilitar, complicar a nossa vida. Por isso, acredito que a troca seja uma das principais responsáveis pela evolução pessoal e profissional”, avalia o coordenador.

O papel das empresas

Um levantamento global da SAP, companhia de softwares empresariais, realizado com a Oxford Economics, apontou que o desenvolvimento profissional é um dos três principais fatores que aumentam a lealdade e o engajamento dos funcionários. Por isso, é imprescindível que as corporações ofereçam treinamento e capacitação contínua aos profissionais.

“Nos Estados Unidos, os millennials citam o desenvolvimento como o fator mais importante para permanecer e apostar em uma empresa. Mas não são apenas eles. Profissionais com mais de 50 anos são três vezes mais propensos a deixar um trabalho quando se sentem paralisados por falta de oportunidades de aprendizado e desenvolvimento”, revela a vice-presidente de Recursos Humanos da SAP América Latina e Caribe, Paula Jacomo.

Atualmente, a geração Y tem sido o foco no mundo dos negócios, pois em menos de 10 anos ela representará 75% da força de trabalho mundial. Contudo, a gestão de talentos deve se concentrar em todos os tipos de perfis, não apenas nos emergentes, como lembra Regina: “Neste momento, a área de Recursos Humanos, alinhada às decisões estratégicas das empresas, exerce um papel fundamental. A leitura dessas gerações e a construção de seus papéis nas instituições dependem muito da avaliação constante e de suas capacitações”, finaliza a coach.

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