Você é hoje o profissional que sonhou quando criança?

Quando crianças, nós praticamos uma habilidade fundamental para quem deseja aprender e evoluir como ser humano: a capacidade de criar, imaginar, sonhar e, principalmente, correr atrás do que desejamos para que se torne realidade.

Com o passar dos anos, vivenciamos diversas experiências, algumas felizes, outras enriquecedoras, mas são as negativas e frustrantes que, em pouco tempo, nos fazem abandonar o hábito de sonhar. A falta de capacidade de lidar com as dificuldades aliada a um conformismo natural, nos faz viver sobre uma realidade triste e muito aquém do que poderíamos ter.

E é desta forma que a grande maioria dos profissionais vive. Segundo pesquisa de 2015 da Isma Brasil (International Stress Management Association), 72% das pessoas estão insatisfeitas com o trabalho. Os dados apontam que esta insatisfação tem a ver com reconhecimento em 89% dos casos, com excesso de tarefas em 78% e com problemas de relacionamento em 63%.

Agora posso afirmar que estes números refletem apenas escolhas inadequadas dos profissionais, aquelas que não atendem, até hoje, aos seus valores pessoais. São escolhas que foram feitas para atender às necessidades de outras pessoas e não as suas próprias e que vão contra o que desejavam ser quando criança.

É muito fácil se perder nas escolhas profissionais, afinal decidimos o que vamos ser para o resto da vida com um nível de maturidade assustadoramente baixo (entre 16 e 20 anos). Geralmente, seguimos conselhos de pais e professores sobre qual profissão seguir e mal nos conhecemos a ponto de fazer uma análise sobre as nossas preferências profissionais.

E, assim, pegamos a rota profissional errada. Depois de alguns anos, justificamos toda e qualquer insatisfação na falta de reconhecimento, no excesso de tarefa ou nos relacionamentos. Estes fatores são apenas a ponta do iceberg; existe algo mais profundo que precisa de mudança. Para perceber, faça uma breve análise das sua vida profissional:

  • Você possui a posição que desejava? Você atua no que, realmente, gosta de fazer?
  • Você sofre da “Síndrome do Fantástico” no final do domingo e pula de alegria quando termina o expediente na sexta-feira?
  • Você trabalha por que isto te realiza ou por que precisa do salário no final do mês?

Atualmente, isso soa até engraçado para mim, pois, hoje, tenho 0% de reconhecimento (sou dono da minha empresa e não tenho ninguém para me reconhecer) e atuo em diversas posições e com volumes altíssimos de trabalho (recrutador, gerente de projetos, treinador, coach, administrador, vendedor, etc). Na realidade, hoje sou muito mais realizado do que quando trabalhava como consultor em uma multinacional atendendo as maiores empresas de serviços financeiros do mundo.

Quando crianças somos mais corajosos. Como adultos nos mantemos presos em nossas zonas de conforto na esperança de que algo melhore. Infelizmente, não vai melhorar a não ser que você faça uma mudança. Seja um profissional melhor, assuma maiores responsabilidades e, se necessário, planeje uma transição de carreira, mas viva como gostaria de ter vivido antes que seja tarde. O tempo passa rápido demais.

_
Sobre o autor
Allan Lopes é  Coaching Sistêmico, membro da Internacional Coach Federation, Master Practitioner em PNL e especialista em gestão de performance e em processos de mentoring e coaching aplicados ao ambiente corporativo. Sócio da Soar Desenvolvimento Humano e responsável pela área de Consultoria em Recursos Humanos.

Aproveite o feriado para pensar em sua carreira

5 dicas para o trabalho temporário virar efetivo

Eu posso trabalhar com horário flexível?