Lilian Guimarães, diretora de Recursos Humanos do Santander, e melhor RH de 2009

Érica Nacarato

Atuante na área de Recursos Humanos há mais de 20 anos, Lilian Guimarães trilhou a sua carreira principalmente em bancos. No início da década de 80, entrou no Unibanco, e de lá para cá, já atuou no Citybank, Banco Nacional e ABN Amro Real. Hoje, ocupa o cargo de diretora-executiva de Recursos Humanos do Grupo Santander Brasil, onde há mais de um ano tem a missão de realizar a integração dos bancos Santander e Real.

Estando à frente do departamento do RH de um grupo com 50 mil funcionários, o site Gestão & RH, por meio de sua publicação especializada no setor de recursos humanos, escolheu a executiva como a melhor profissional da área no ano de 2009. Escolha essa que representa o trabalho eficiente e humano que Lilian vem realizando no Santander. “O resultado é a combinação entre a organização que faço parte, que me permite fazer um trabalho de RH muito de ponta e que valoriza o ser humano e o meu trabalho junto a uma equipe bem construída”, relata a profissional.

O Carreira & Sucesso entrevistou Lilian Guimarães para saber um pouco mais de seu trabalho e de sua carreira de sucesso. Confira!

Como você iniciou sua carreira na área de Recursos Humanos?

Iniciei há mais ou menos 27 anos. Estudei administração na Fundação Getúlio Vargas, gostei das matérias relacionadas a recursos humanos, e no primeiro ano de faculdade, fiz um estágio na área, e me encantei. Quando terminei a graduação, já fui procurar emprego direcionando para RH, e comecei no Unibanco, em 1983.

Você já atuou em diversos bancos. Foi uma escolha sua seguir carreira nesse segmento ou aconteceu sem você premeditar?

Foi uma mistura das duas coisas. O Unibanco foi o meu primeiro trabalho mais estruturado em RH, e onde tive uma formação na área. Além disso, eu tive sorte, pois gostava muito do meu chefe. Ele era uma pessoa muito interessante, que trabalhava em recursos humanos, mas tinha uma cabeça muito voltada para negócios. Também, minha equipe era muito boa, formada de pessoas legais, e meu chefe me ajudou muito a ver o RH não como uma função de suporte, mas como uma função que poderia mesmo ajudar as outras áreas a atingirem os seus resultados. Meu começo em RH foi muito feliz. Depois, esse meu chefe foi para o Citybank e em seguida para o Banco Nacional, e me levou junto. Assim, durante uma fase da minha carreira, trabalhei seguindo esse meu primeiro líder, que foi uma pessoa importante pessoalmente e profissionalmente. A partir daí, virei uma especialista em bancos.

Quando você entrou no ABN Real?

Quando o banco onde eu trabalhava comprou outro e era preciso mudar de cidade, acabei aceitando um convite para trabalhar em uma empresa de tecnologia. Isso foi perto do ano 2000, quando a área de tecnologia estava bombando. Nesse momento, mudei de setor pela primeira vez, e fiquei três anos e pouco nessa empresa. Apesar de ter sido muito interessante esse período para aprender outra realidade, percebi que o mundo de banco era realmente o meu.

Em 1999, o Real foi comprado pelo ABN, e o Fernando Lanzer, que era o diretor de recursos humanos do ABN, tinha como missão integrar os dois bancos. Como ele estava montando uma equipe de RH grande o suficiente para tocar a empresa do tamanho que ficaria com o Real e o ABN juntos, ele me ligou, e começamos a conversar. Como eu já trabalhava como diretora de RH em uma subsidiária holandesa da Philips, tinha bastante contato com a Holanda, gostava da cultura do país; e, além disso, já conhecia o Fernando do passado, e ele tinha uma posição legal dentro de RH no banco para me oferecer, eu sai da primeira posição da área em uma empresa de três mil pessoas, e dei um passo para trás em nível hierárquico no ABN Real, no início de 2000. Eu não era mais a primeira de RH, mas a empresa tinha muito a crescer. Foi super legal, ajudei bastante na integração desses dois bancos, e depois tiveram outras integrações nesse caminho.

Como foi o processo de integração com o Santander?

No meio desse caminho, eu fiz uma parada. Saí do Real em 2006, e dei um tempo para a minha vida. Fui cuidar de um negócio próprio, fiz uma pós-graduação em outra área, e fui atrás de uma formação em coaching. Foram dois anos totalmente fora do mundo executivo e do mercado financeiro. Nessa minha formação em coaching, achei que eu tinha que ter mais backup em empresa, mas não tinha certeza que isso ia acontecer ou não.

Quando o Santander comprou o Real, e o Fábio Barbosa assumiu a presidência do banco, um dia, em uma das nossas conversas, eu falei que queria voltar para o mercado, e que estava participando de alguns processos seletivos; e ele disse, que se fosse para eu voltar, era para voltar no Santander para ajudá-lo a fazer a mega integração. Já tínhamos trabalhado muito juntos, nos dávamos bem, e voltei já no Santander.

Foi fantástico. Faz um ano e três meses que estou de volta, e como fiquei um tempo de fora, tive o privilégio de olhar toda a situação da compra por outro ângulo; para quem viveu o dia a dia foi mais dolorido, mas para mim foi mais fácil encarar as diferenças de cultura, que são muito grandes, e, portanto, geram muitas oportunidades de integração. Foi muito gostoso fazer isso. A gente já entregou bastante coisa, como, por exemplo, toda a política de recursos humanos, e agora começamos a implementar uma fase mais soft da integração, que tem a ver com engajamento, clima organizacional, conjunto de lideranças. Fizemos, primeiro, o hard, que é benefício, remuneração, facilidades para o funcionário, como vai funcionar o dia a dia, etc. E agora, estamos na fase mais baseada em inspiração, o banco desenvolveu a visão de futuro, e estamos fazendo o RH trabalhar conforme essa visão de futuro. Está muito legal.

Um processo de integração mexe sempre com o imaginário dos funcionários e gera muitas dúvidas. Como é atuar na área de gestão de pessoas nesse momento?

É sempre interessante. Acreditamos que temos que criar formas para as pessoas se manifestarem e tirarem esses medos e preocupações da frente, ou esclarecer as suas dúvidas. Temos muitos canais de comunicação, não só dentro de RH, mas canais institucionais dos bancos. Talvez, o mais importante seja o “Ciclo Colaborativo”, uma rede social interna em que todas as pessoas têm a possibilidade de se manifestar. Eu, por exemplo, tenho a minha página, o meu blog, no ciclo colaborativo de RH, em que eu e minha equipe colocamos coisas relativas a RH, e todos os funcionários podem participar. Tem, também, o blog do Fábio, que é super visitado. Ele posta a cada 15 dias uma mensagem, e todo mundo participa. Assim, acompanhamos o que está acontecendo no banco.

Fora isso, acabamos de fechar uma pesquisa de clima, que chamamos de pesquisa de engajamento, para avaliarmos o engajamento dos funcionários, e trabalharmos planos de ação bem específicos, atingindo um nível de engajamento maior. Em bancos, falamos muito de capacitação de clientes, de influenciar o mercado e a sociedade, e sabemos que isso é feito a partir do funcionário, ou seja, de dentro para fora. Nosso trabalho é feito muito em cima da linguagem do funcionário, que gera cliente satisfeito, que influencia o mercado e a sociedade, e que melhora o Brasil e o mundo.

Você foi eleita pela Gestão & RH a profissional de RH mais admirada de 2009. A que você atribui essa escolha?

Acho que é uma combinação. Primeiro à organização que faço parte, que me permite fazer um trabalho de RH muito de ponta. O Fábio brinca que ele é o diretor de RH do banco, porque realmente é muito interessado em gente, e tem toda a atenção voltada para as pessoas. Se você perguntar para qualquer funcionário do banco, ele vai te dizer isso, não sou eu ou o RH que está dizendo, o Fábio é um líder muito especial. Isso torna a organização verdadeiramente voltada para as pessoas, preocupada com o funcionário, e querendo fazer com que ele se sinta muito bem não só no aspecto profissional, mas em todos os aspectos de sua vida, como gente, como mãe, como pai, como filho, como estudante, como alguém que influencia a sociedade. Valorizamos o ser humano que está aqui dentro, e sabemos que, engajado com a causa que criamos e com a nossa visão de futuro, ele vai trabalhar feliz e tudo isso nos torna uma empresa muito especial. Nesse aspecto, a organização ajuda.

Do outro lado, sem ser muito modesta, acho que consigo fazer um trabalho alinhado com isso, consigo ter um grupo de pessoas comigo. Invisto bastante na construção da minha equipe, e em uma visão de futuro de recursos humanos que engaje as pessoas que estão dentro do contexto do banco; eu faço minha parte de RH.

Desde o começo de 2009, desenvolvemos um trabalho bastante grande chamado “Visão de futuro de RH”, que é como a gente quer que o banco seja lá na frente com relação as pessoas. Fizemos isso não somente com os profissionais de RH aqui de dentro, mas também com um grupo de pessoas do banco que não são do RH, que chamamos de rede interna, que representam todas as áreas do banco, dentro deste trabalho de visão de futuro de RH, e também com pessoas de fora. Trouxemos muitas pessoas para nos inspirar, para conversar com esse grupo , que era mais ou menos de 40 pessoas, e inspirá-lo a fazer essa visão de futuro. Na etapa seguinte, ouvi toda a equipe de RH, mais ou menos 300 pessoas, para fechar a visão de futuro. Esse trabalho ficou pronto agora e ele é o nosso norte.

Acredito que nesse sentido, essa minha característica acaba fazendo com que as pessoas queiram trabalhar aqui e queiram fazer um RH diferente. E óbvio que a integração de dois bancos desse tamanho é um trabalho grande, que gera uma visibilidade para esse profissional de RH que está aqui, mas acho que temos feito um ótimo trabalho. Nosso índice de retenção de pessoas está alto, assim como nosso índice de atração, e isso tem um reflexo que dá uma visibilidade para o profissional que está aqui. No nosso caso, eu quem estou encabeçando uma equipe grande, que sem ela eu não seria nada. Com tudo isso, chegamos a essa premiação que foi muito legal, uma ótima conquista.

Para você, qual é o papel do gestor de RH?

Vejo esse gestor como um facilitador, um parceiro dos gestores do banco para ajudar e facilitar a vida deles, a tocar os negócios e a atingir os seus objetivos em um mundo tão complexo. A gente aqui entende de gente. Entendendo de gente, queremos facilitar a vida do gestor que entende, prioritariamente, de outras coisas. Acreditamos que as coisas acontecem através dos gestores, mas temos um papel muito importante que é de ajudá-los a melhorar o entendimento sobre gente, de oferecer informações, ferramentas e capacitação para eles trabalharem com a sua equipe. A gente sabe que um líder bom, que atinge resultados, faz isso através das pessoas. Então, fazemos um grande programa de desenvolvimento de lideranças no banco, oferecemos coaching para todo mundo, além do básico do RH. Mas, nunca assumimos o lugar de um gestor, porque isso não nos cabe; ficamos na parceria e na ajuda, fazendo essa leitura paralela, e o ajudando a traduzir o que está acontecendo na empresa. Nosso papel, muito importante, é ser um bom diagnosticador de ambientes e entender bem o que está acontecendo na dinâmica das relações entre as pessoas.

Com uma carreira de tanto sucesso e reconhecimento, falta ainda alguma coisa? Tem algum sonho que não foi realizado? Qual?

Vários, o dia que eu não tiver sonho, eu morro! Um deles é conseguir ver, cada uma das 50 mil pessoas que temos aqui, feliz e se identificando pessoalmente com o que está fazendo no trabalho. Entender que essa empresa é composta por 50 mil pessoas, e não 50 mil funcionários, que a gente trata por gerente, assistente, analista, mas sim como a Maria, o João, o José; e uma hora conseguir que essas pessoas estejam, realmente, se sentindo felizes, engajadas, curtindo muito o trabalho, a ponto que vir para cá é uma alegria. O mundo hoje está muito complexo, e cada vez mais difícil. Então, acho que isso seria uma transformação que, apesar de estar escrito e já sonharmos, ainda não chegamos lá.

Pessoalmente, eu tenho o sonho de poder dar um pouco mais. Acho que cheguei em uma fase de vida e carreira que posso oferecer mais para o mundo. Estou sentindo cada vez mais vontade de devolver um pouco para o mundo o que eu aprendi. Tenho uma característica de força e coragem, portanto eu sei que posso ajudar muita gente a melhorar a sua vida e alavancar a sua carreira. Não é um sonho, mas é uma vontade de ver isso acontecendo de uma forma mais intensa.

O uso de tatuagem e piercing na entrevista de emprego

Como falar sobre os pontos negativos em uma entrevista

Prepare-se para a entrevista de emprego se quiser ser contratado