Especial Charles Chaplin: Luzes da Cidade

Em Luzes da Cidade, Charles Chaplin trouxe novamente a solidariedade em pauta. Como sempre em seus filmes, o humor toma conta e a emoção chega no final. Lançado em 1931, Chaplin já tinha o final do filme antes mesmo de desenvolver a história.

O filme conta a história de um vagabundo que passeia pela cidade, e acaba encontrando uma jovem que vende flores. Ao perceber que a mesma é cega, ele se compadece ao mesmo tempo em que parece apaixonar-se. Virginia vende flores para sustentar a si e à avó.

Por causa de um mal entendido (ela ouve a porta de um carro fechar-se quando ele se despede), ela acaba pensando que o vagabundo é, na verdade, um milionário. Ele decide mantê-la na ilusão.

Os dois tornam-se amigos, e se veem constantemente. Na mente dela, trata-se de um lindo milionário. Um belo dia ela fica doente, e sua avó sai para vender as flores. Não é a mesma coisa, e o dinheiro fica pouco. Carlitos decide ajuda-la de algum modo. Ele próprio tem um amigo milionário, o qual ele ajudou quando o mesmo queria se matar, porém, o milionário só lembra-se de ajudar o vagabundo quando está bêbado. Carlitos insiste em pedir ajuda, mas, o milionário está de partida para a Europa.

O vagabundo, em nome da amizade com a cega, decide fazer aquilo que detesta: trabalhar. E vai trabalhar limpando as ruas para ajuda-la a angariar dinheiro para a operação nos olhos. Trabalha também como pugilista. Tudo em vão. Consegue pouco dinheiro, mas o que consegue, vai para que ela possa fazer a operação para que finalmente enxergue. Seu “amigo” milionário retorna e (bêbado) promete ajudar-lhe. Em meio a um assalto à casa do milionário, o vagabundo é tomado como um dos assaltantes (há dinheiro em seus bolsos, mas dinheiro dado pelo dono da casa). O milionário, já consciente, nada faz a seu favor. Vai preso.

Tempos depois sai da prisão, tão triste, tão desamparado, que quando algumas crianças começam a caçoar de sua pobreza, reage como uma delas, como quem diz “deixem-me em paz”. É aí que ele vê sua amiga. Ela enxerga. E também Luzes da Cidade _2tem uma loja de flores. Não passa mais dificuldades. Mas ela não o reconhece, e pensa tratar-se de um pobre coitado que precisa de sua ajuda. Ao pegar em sua mão e entregar-lhe uma rosa, percebe que o milionário que lhe ajudara é, na verdade, aquele pobre vagabundo.

O longa é uma grande lição de vida. No mundo corporativo o senso comum utiliza-se de se aproximar do mais rico ou poderoso para ganhar influência e prestigio. A cega por acreditar e  enganar-se por valores errados, surpreende-se em descobrir que na verdade quem a ajudou, foi um pobre sem poder e influência, que usou da boa vontade e amor ao próximo, a vontade de voltar a trabalhar para ajuda-la a voltar a enxergar.

Além disso, existem os falsos companheiros, aqueles que só verão potencial de amizade em quem for conveniente, como é o caso do bêbado milionário, o qual só mostrava respeito e consideração ao vagabundo em momentos de embriaguez e fraqueza.

Chaplin possui este senso de crítica à sociedade bem elevado e faz chorar com o final de Luzes da Cidade. Devemos valorizar em nossas relações profissionais pessoas dispostas ajudar sem ver algo em troca nisso, assim como, nos nossos relacionamentos pessoais. Reconhecimento se ganha com trabalho e dedicação, não com favores.

Curiosidades:

– Para compensar os enormes custos do filme, Chaplin cobrou altíssimo o valor para exibição. Isso acabou fazendo com que o filme não tenha tido um retorno imediato da renda investida, mas ao longo do tempo, acabou sendo recompensado. Bem recompensado: o filme lhe rendeu bem mais do que Em busca do ouro e O Circo.

– Ele chegou a deixar a equipe parada durante meses. Estava com bloqueio de criação. Nesses momentos, preferia que a equipe estivesse à sua disposição, para no caso de uma ideia, poder filmar imediatamente.

– Antes de decidir-se por um companheiro milionário para o vagabundo, Chaplin pensou em colocar como parceiro do vagabundo um menino negro e vendedor de jornais. Ele chegou até mesmo a planejar cenas, mas o personagem não se ajustava à história.

– Enquanto Chaplin decidia se faria ou não o filme falado, seu irmão Sydney estreava “The Missing Link” (O elo perdido), um dos primeiros filmes falados.

Confira filme completo:

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