Mulheres no mercado de trabalho: panorama da década

Conheça os dados que traduzem a representatividade das mulheres no mercado de trabalho relacionados aos fatores de remuneração salarial, nível de escolaridade, ocupação, desemprego e maternidade.

Recorrentemente, a pauta de desigualdade de gênero ganha destaque nos meses de março. Todos os anos discute-se sobre a tão esperada equidade no mercado de trabalho. Mas, afinal, quais são as conclusões sobre a representação feminina no mercado?

Remuneração salarial

Diversos estudos e levantamentos apontam para a desvalorização da mulher no mercado de trabalho quando analisamos a remuneração salarial comparativa entre os gêneros.

Uma pesquisa publicada pelo IBGE indica, de forma geral e sem recortes por níveis, que as trabalhadoras brasileiras recebem, em média, 20,5% menos que os homens. Essa discrepância é uma realidade em todos os cargos com diferentes gravidades. Apesar da queda na desigualdade salarial entre 2012 e 2018, existem variações com maior ou menor intensidade de acordo com as ocupações.

Remuneração salarial por nível de escolaridade

A Pesquisa Profissionais da Catho de 2019 mostrou que, mesmo com maior grau de escolaridade, as mulheres ganham menos que homens. O fato da formação profissional ser um dos mais importantes pilares para a ascensão na carreira e, por consequência, para o aumento de salários e demais benefícios, fica claro que há um descompasso significativo. Os dados do levantamento indicam que, apesar da acirrada disputa, as mulheres saem na frente no recorte de nível superior e pós-graduação completo.

30% das mulheres possuem nível superior e pós-graduação, enquanto homens são 24%. Mesmo assim, eles podem chegar a ganhar até 52% a mais que elas exercendo uma mesma função. A pesquisa elucida o distanciamento do profissional homem e mulher no cenário profissional. Fatores super relevantes como formação, qualificação e experiência profissional não bastam para igualar a balança. Apesar dos perceptíveis avanços, ainda há obstáculos a serem superados. 

52% é a maior disparidade nas médias salariais entre homens e mulheres identificada por nível de cargo. São nas ocupações de  profissional especialista e graduado que as remunerações por gênero mais se distanciam, seguidos de profissional especialista técnico com 47% de diferença. 

Em outras posições que costumam ter mais participação de mulheres, a diferença salarial tem menor expressividade. As mulheres ocupam 66% dos cargos de assistente e/ou auxiliar e a diferença salarial é de 8%. Já em relação aos cargos de analista, 53% são ocupados por mulheres e a diferença salarial é de 14%.

Taxa de ocupação e desemprego por gênero

Outra evidência de que a injustiça no mercado de trabalho entre os gêneros é o vislumbre das taxas de ocupação e desemprego. 

De acordo com o Pnad Contínua e o IBGE, as mulheres correspondem a maior parte da população fora da força de trabalho (entre trabalhos formais e informais) em todas as regiões do país, o equivalente a 64,7% dos inativos na média nacional. Entre população desempregada, elas também são maioria: 53,8%. 

O índice de ocupação dos homens foi estimado em 65%, enquanto o das mulheres ficou em 46,2%.

Maternidade e mercado de trabalho

A maternidade se relaciona muito com a desigualdade de gênero no mercado de trabalho. Os impedimentos que a responsabilização da mulher nos cuidados com os filhos geram e a discriminação pesam na balança para as mulheres e refletem em menor remuneração salarial, redução da empregabilidade e das perspectivas do desenvolvimento da carreira profissional.

A relação entre maternidade e carreira implica normalmente em ter que lidar com desafios após a licença-maternidade, e às vezes até antes do nascimento. Uma grande dificuldade enfrentada por elas é a incompreensão de que a mãe continua sendo uma profissional excelente, mas ainda assim precisa de suporte. 

Segundo a Pesquisa dos Profissionais da Catho de 2018, com mais de 2,3 mil respondentes, 30% das mulheres disseram que já deixaram o mercado de trabalho para cuidar dos filhos. Entre os homens esse número é quatro vezes menor, atingindo 7%. 

Outra análise realizada após o resultado dessa pesquisa sinalizou que dentre os principais conflitos enfrentados pelas mães e empresas/gestores, o principal receio é delas terem que faltar ao trabalho caso os filhos adoeçam (48%). Além disso, existem outras preocupações como ter que pedir para chegar mais tarde no trabalho para ir em uma reunião escolar (24%) e se atrasar devido a exaustão da rotina (10%).

A pesquisa trouxe também outros dados preocupantes para a relação maternidade x carreira:

Tempo de retorno: segundo a pesquisa, 45% demoram 3 meses para retornar as atividades profissionais. O tempo curto é consequência da preocupação de perder a posição profissional, no caso de cargos de gerência, ou até mesmo, perder o emprego.

Perdas de oportunidades: O desenvolvimento da carreira das mulheres é diretamente impactado pós maternidade. Segundo a pesquisa, 47% das mães já abriram mão de algumas de oportunidades de empregos melhores e de promoções porque sabiam que teriam dificuldade em conciliar filhos e vida profissional. 

Preocupação e angústia:  O sentimento de angústia é constante. Dentre os pontos mais preocupantes estão: “onde meu filho irá ficar onde eu trabalho?”, “vou perder o vínculo com meu bebê depois que retornar ao trabalho?”, “vou ter tempo para mim?”,“meu chefe vai achar ruim se eu precisar me ausentar por causa do meu filho?”. Somada a todas essas questões, fazer pedidos ao chefe relacionado aos filhos é receio de 50% dos entrevistados da pesquisa.

Sem emprego na crise do Coronavírus? 5 passos para voltar…

Coronavírus: o que esperar do mercado de trabalho?

A crise bateu na porta? Não deixe ela entrar!