Mentir no currículo é uma boa opção?

Uma comunicação transparente, honesta e sincera é sempre o melhor caminho para desenvolver a relação com recrutadores ou futuros empregadores. Neste primeiro momento (seja na leitura do seu currículo ou na entrevista de emprego), qualquer interpretação negativa pode afetar a percepção de confiança que o recrutador tem de você, impedindo que conquiste a tão desejada vaga.

Sendo assim, mentir no currículo é a pior atitude a ser tomada se deseja realmente se recolocar. Mesmo que você tenha certeza que a sua mentira não pode ser descoberta, não arrisque. Afinal, recrutadores tendem a confirmar todas as informações descritas em seu currículo em algum momento do processo de seleção.

Recrutadores entendem que se você é capaz de mentir com alguma informação no seu currículo, talvez também poderá mentir ao apresentar os resultados do seu trabalho, um relatório com os indicadores de desempenho da empresa ou, até mesmo, demonstrações financeiras. Este não é o perfil de profissional que as organizações desejam.

Porém, algumas informações podem ser omitidas sem maiores problemas. Devido à objetividade do currículo, nem sempre poderemos descrever todos os detalhes da nossa trajetória profissional. Desta forma, é natural omitirmos alguns dados para facilitar a leitura do nosso currículo e a interpretação do recrutador.

Lembre-se que omitir é ocultar alguma informação que não tenha relevância para o contexto. Já mentir refere-se a criar informações novas, sem nenhuma realidade para tirar proveito disso. São ações completamente diferentes e que devem ser tratadas com cuidado.

Mentir ou omitir informações sobre o seu histórico profissional

Criar uma experiência profissional, mentir datas de entrada e saída de um emprego ou distorcer as experiências que teve em determinada função podem ser ideias tentadoras, mas com capacidade para gerarem grandes prejuízos na sua carreira.

Talvez as suas mentiras permitam que seja contratado, mas se o seu gerente espera que demonstre alguma experiência que estava descrita no seu currículo e que não possui, você pode ser demitido rapidamente. Além de “sujar” o seu currículo, você pode se queimar no mercado.

Agora, omitir uma experiência profissional de quando tinha 16 anos de idade e que considera de pouca relevância para a vaga que está concorrendo é uma excelente opção. Isto permitirá que ganhe espaço no seu currículo para detalhar melhor as suas experiências mais atuais e que estão mais alinhadas à posição que deseja.

Mentir ou omitir informações sobre sua formação acadêmica

Este é um dos piores itens que você pode mentir no seu currículo, pois é um dos mais fáceis de ser comprovado. Afinal, você tem um diploma reconhecido ou não tem.

Caso ainda esteja cursando a sua graduação ou “trancou a matricula”, basta informar uma data de previsão de conclusão do curso. Assim o recrutador pode entender o seu interesse em concluir o curso e não se ilude achando que já tem uma formação.

Visto isto, podemos pensar se vale a pena omitir alguma formação. E a resposta é sim! Caso você já tenha uma graduação superior, pode omitir as informações de ensino médio e fundamental, pois elas perdem relevância. Se você tiver duas graduações superiores, você também pode escolher informar apenas a graduação mais aderente à vaga que está concorrendo.

Mentir ou omitir informações sobre suas habilidades e competências

Existe uma regra importante na elaboração de currículos que, talvez, você precise conhecer. Nunca informe um dado que não pode comprovar. Isto vale para as suas experiências profissionais, formações acadêmicas, mas, principalmente, para as suas habilidades.

Dizer no seu currículo que é proativo, comprometido ou capaz de trabalhar em equipe, soa mais como autopromoção do que realidade. Afinal, isto não se pode comprovar nesta etapa (a não ser que tenha uma teste comportamental que afirme estas características e que a empresa que está contratando esteja familiarizada com esta metodologia).

Sendo assim, evite descrever as suas competências. Fique tranquilo que isto será validado em etapas futuras do processo seletivo (dinâmica de grupo ou entrevistas) e você terá a oportunidade de mostrar o seu potencial. Na fase de triagem dos currículos, os recrutadores estão mais preocupados com as suas experiências profissionais e formações acadêmicas.

Mentir ou omitir informações sobre idiomas

Os seus conhecimentos com idiomas são muito importantes dependendo da vaga que está concorrendo. Algumas exigem interação com profissionais no exterior e a falta de conhecimento com um segundo idioma é um empecilho para a conquista do emprego.

E, mais uma vez, mentir no currículo não é uma opção. Se você não sabe o seu nível de proficiência no idioma, procure uma escola de inglês que, certamente, eles possuem um teste capaz de te ajudar a entender se o seu conhecimento é básico, intermediário, avançado ou fluente.

Porém, se preferir mentir, prepare-se. Todo processo seletivo que exige conhecimentos com outros idiomas possui uma prova ou uma entrevista para comprovar os seus conhecimentos. Mais uma vez, mentir pode permitir que avance, mas não evitará que passe vergonhe ou se “queime” com os recrutadores.

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Sobre o autor
Allan Lopes é  Coaching Sistêmico, membro da Internacional Coach Federation, Master Practitioner em PNL e especialista em gestão de performance e em processos de mentoring e coaching aplicados ao ambiente corporativo. Sócio da Soar Desenvolvimento Humano e responsável pela área de Consultoria em Recursos Humanos.

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